Uma adolescente de 14 anos morreu após ser diagnosticada com infecção grave no cérebro e meninges, no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, em setembro do ano passado. No entanto, as informações foram divulgadas apenas na quarta-feira, 28. A causa da doença foi atribuída ao fungo Penicillium chrysogenum, raro no Brasil.

A jovem é considerada o primeiro caso de meningoencefalite. Por se tratar de uma pessoa saudável, o fato tem causado preocupação. O registro do caso foi feito pelos cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O relato foi publicado na revista científica International Journal of Infectious Diseases, com destaque que a jovem tinha histórico saudável e sem comorbidades. Quando procurou um hospital, reclamou de dores de cabeça, fotofobia e vômito.

Para o chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), Delson José da Silva, embora seja um caso isolado, o país precisa estar em alerta. “Devemos estar atentos e procurar entender melhor o porquê de o mesmo ter infectado uma adolescente imunocompetente, vez que as infecções fungicas ocorrem mais frequentemente em indivíduos imunodeficientes”, salientou.

Apesar de ressaltar sobre a necessidade de vacinação, o médico cita que não há relação com a baixa cobertura vacinal no país. “Não tem correlação direta. No entanto os indivíduos imunizados têm menor risco de adquirir infecção outras que podem levar a baixa imunidade e, terem maior suscetibilidade para infecções fungicas oportunistas”, frisa.

Artigo

Principal autor do artigo, o pesquisador Manoel Marques Evangelista de Oliveira, por comunicado, esclareceu que os quadros de meningoencefalite são normalmente associados a infecções provocadas por bactérias ou por fungos do gênero Cryptococcus.

“A gravidade desse caso nos preocupa por ter ocorrido principalmente em uma paciente imunocompetente, pois pode significar que o P. chrysogenum tem um perfil de escape da resposta imunológica. O caso poderia ter tido uma evolução ainda mais rápida e complicada em pacientes com a imunidade comprometida, como pessoas com HIV/Aids ou em tratamento da Covid-19”, cinta trecho da nota.