O vício é algo complexo e complicado de tratar, seja em drogas lícitas ou ilícitas, costumes como jogos de azar ou até mesmo certos alimentos. Entretanto, no campo dos remédios e até chegando nos entorpecentes, existem diversos tratamentos possíveis. Para entender algumas formas de tratamento, o Jornal Opção conversou com o psicólogo Domenico Uhng Hur, professor de psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Todo vício é complicado e possui vários tratamentos possíveis”, disse Hur, doutor em psicologia social pela Universidade de São Paulo (USP). “Nós da psicologia acreditamos mais na redução de danos, no passo-a-passo, reduzindo o consumo para quem sabe mudar os hábitos da pessoa e ela possa largar a droga. Por exemplo, ao invés de tomar um remédio para dormir, ela opta por fazer uma atividade física, mude os hábitos, para que fique mais cansada e consiga dormir”, completou. 

Apesar de preferir o caminho que considera como “longo”, Hur também não descarta utilizar o método de uma troca de droga ou medicamento por outra menos danosa. Algo que é chamado de “tratamento medicamentoso”, segundo ele. 

“Por um lado, poderíamos pensar em uma alternativa com o tratamento medicamentoso, a troca de uma droga por outra, utilizada em casos mais extremos. Por exemplo, heroína pela metadona. Tais trocas podem não ser bem vistas, mas é lógico, entre uma que está matando a pessoa e uma menos pior, é melhor que a pessoa não morra, sem sombra de dúvida”, explicou o especialista.

Entretanto, apesar da alteração das drogas, Domenico ressalta que a mudança de hábitos ainda deve continuar, com as duas estratégias sendo utilizadas ao mesmo tempo. Além de acrescentar que é necessário uma autoanálise para entender o porquê de utilizar tais substâncias.

“Conheci um caso de uma pessoa que tomava antidepressivo e aí precisava de mais estímulo, cada vez mais, e acabou migrando para a cocaína. E com todas as consequências, quase teve um quadro de vício maior, mas conseguiu largar depois. Há uma pressão social por fora, essa pressão é um dos fatores determinantes para o vício em determinadas drogas. Uma autoanálise pode ser importante para a gente lidar com essa pressão social”, argumentou o psicólogo.

Por fim, a respeito dos locais de tratamento, Domenico ainda ressaltou o trabalho realizado pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, o trabalho realizado com acompanhamento cotidiano para mudar os hábitos e com liberdade, além da possibilidade de visitas familiares, é o mais eficaz. 

Diferente do método utilizado por casas terapêuticas, que funcionam como um “novo hospício”. Locais em que o docente explica que há tortura e os usuários são trancados por meses para depois serem soltos. “Eles ficam lá nove meses presos, mas depois que saem, voltam para as drogas. Isso é algo que não dá certo”, argumentou o professor da UFG.