Mulheres têm, cada vez mais, conquistado espaços no mercado de trabalho. Setores que eram majoritariamente masculinos têm assistido ao aumento da participação feminina, o que traz inovação, diversidade e novas dinâmicas de trabalho. Ainda há desafios a serem superados, como a discriminação e a desigualdade salarial, mas isso não tem impedido que elas promovam mudanças.

Na busca por compreender melhor os desafios e processos enfrentados por essas mulheres pioneiras, conversamos com Luciene Lima (ajudante de obras), Paula Gomes (engenheira civil) e Heloísa Moraes (gestora de desenvolvimento), todas funcionárias da MRV, além de Weny Kelly, da coleta seletiva do Consórcio Limpa Gyn.

Como as mulheres chegaram nesses cargos?

Paula conta que, quando entrou na MRV, não era comum ver mulheres atuando como engenheiras de obras, mas que, com o tempo, ela presenciou essa mudança. A engenheira relata que, em sua unidade de trabalho (Goiânia/Anápolis/Aparecida de Goiânia), elas já são maioria: das 16 pessoas da equipe, 10 são mulheres.

Já Luciene compartilha que tem 12 anos de atuação na área da construção civil, tendo passado por vários cargos, inclusive realizando trabalhos de rejunte. Weny Kelly conta que não tinha experiência na área de coleta — trabalhava como diarista até que a empresa abriu as portas para ela. Hoje, recomenda que mulheres interessadas em ingressar nesse setor levem seus currículos, mesmo que ainda não tenham experiência.

Heloísa afirma que entrou na MRV ainda como trainee e que, aos poucos, foi avançando na carreira. Sobre sua trajetória, ela afirmou: “Representa não apenas uma conquista profissional, mas também o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação e evolução constante.”

Discriminação no local de trabalho

Luciene e Weny afirmam que não vivenciaram situações de discriminação no trabalho por serem mulheres. Já Paula e Heloísa relatam que, em alguns momentos, precisaram lidar com episódios em que foram menosprezadas em razão do gênero.

A gestora contou que esse tipo de situação pode aparecer em ambientes de decisão. “Em algumas mesas de negociação e reuniões, por exemplo, já aconteceu de interlocutores presumirem que eu não era a responsável pela decisão e sugerirem que eu levasse a questão ‘ao meu chefe’ para obter uma resposta. Esse tipo de situação revela como, muitas vezes, ainda existe a expectativa de que a tomada de decisão esteja associada a uma figura masculina ou hierarquicamente superior.”

A engenheira também compartilhou experiências semelhantes. “Já enfrentei situações de preconceito. Isso normalmente aparece em forma de questionamentos ou certa surpresa ao ver uma mulher em posição de liderança no canteiro de obras.”

Ambas afirmam que, diante dessas situações, procuram reagir com profissionalismo, calma, respeito e segurança, demonstrando conhecimento técnico e o respaldo da empresa para ocupar aquela posição. A engenheira acrescenta: “À medida que o trabalho acontece e os resultados aparecem, a confiança da equipe é construída de forma natural.”

Conselhos para mulheres em áreas majoritariamente masculinas

Luciene compartilha que, no início, chegou a pensar que não conseguiria alcançar a posição em que está hoje. Ainda assim, aconselha outras mulheres a serem persistentes na busca por seus objetivos. Ela contou:

“Quando comecei na MRV, foi na limpeza. Quando surgiu a primeira oportunidade no rejunte, eu quis aprender. Acredito que foi uma experiência muito boa e hoje estou onde queria estar, trabalhando com rejunte e acabamento. E quero melhorar todos os dias.”

Já o conselho de Paula é para que as mulheres invistam em formação técnica e busquem experiências práticas, além de acreditarem no próprio potencial. Ela afirma que a presença feminina na engenharia não é mais uma exceção, mas sim o futuro da profissão.

Por fim, Heloísa orienta que as mulheres desenvolvam resiliência e autoconfiança. Segundo ela, apesar dos avanços, ainda existem situações que podem gerar desconforto, e é importante não se deixar abalar por isso.

“É fundamental se posicionar de forma segura e respeitosa, não aceitar determinados tipos de brincadeiras ou comportamentos inadequados e demonstrar confiança no que se faz. Infelizmente, muitas vezes ainda precisamos provar um pouco mais nossa capacidade, mas isso também abre espaço para mostrarmos nossa competência e liderança. Quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, mais natural isso se tornará”, disse.

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