“Vaquinha” eleitoral tem baixa adesão entre candidatos da capital

Entre os que concorrem a Prefeitura de Goiânia, apenas cinco confirmam que utilizam ferramentas de financiamento coletivo

A campanha eleitoral 2020 começou, e desta vez com foco maior na interação promovida pelas redes sociais – uma tendência que ganhou reforço com o distanciamento social imposto pela pandemia do coronavírus. Muito mais do que buscar apoio e votos, o ambiente virtual surge como uma ferramenta para arrecadação de recursos para custeio das atividades dos candidatos. No entanto, os financiamentos coletivos, conhecidos também como vaquinhas eleitorais, não alcançou grande adesão entre os candidatos à Prefeitura de Goiânia. Dos 16 políticos que concorrem ao pleito, apenas cinco confirmaram que usam plataformas para receber doações.

Adriana Accorsi (PT), Cristiano Cunha (PV), Dra. Cristina Lopes (PL), Manu Jacob (Psol) e Virmondes Cruvinel (Cidadania) são os políticos que concorrem à Prefeitura de Goiânia e que confirmaram que já usam ou se preparam para usar ferramentas para receber doações online. 

Os coordenadores da campanha de Adriana Accorsi prometem que em breve estará no ar a plataforma de financiamento escolhida. Segundo o  coordenador financeiro petista, Nelson Galvão, a ferramenta está em fase de customização. “Nós estamos pensando em fazer pequenas vaquinhas dentro de objetivos específicos. Exemplo: vamos arrecadar um valor x que será destinado a impulsionar publicações na internet. Vamos delimitar porque acreditamos que desta forma fica fácil a prestação de contas”, diz.

Nelson Galvão acredita que a vaquinha virtual é uma estratégia boa para arrecadação e custeio de campanha, mas crê que por causa da crise gerada pela pandemia os resultados podem ficar aquém do esperado. “Apesar de nossa militância está bem aguerrida, tem a questão financeira. Todo mundo enfrenta alguma dificuldade. As pessoas não devem deixar de gastar com suas necessidades para fazer investimento numa campanha. De toda forma seguimos confiantes, até porque é uma forma da pessoa estar presente e colaborar com a campanha”, avalia. 

O candidato Cristiano Cunha já colocou no ar a sua campanha de arrecadação, mas diz que o resultado ainda não se mostrou promissor. “A arrecadação está fraca. Como estratégia não está evoluindo. Esperamos que com o caminhar da campanha possa melhorar”, aponta. “Todo recurso da vaquinha deve ser destinada para investimento de ações da campanha em nossas redes sociais”, revela.

O pensamento da candidata Dra. Cristina Lopes é de que o financiamento coletivo é fundamental para campanhas “independentes”, como ela classifica a própria candidatura. “Para gente essa é uma ferramenta adicional a arrecadação tradicional que já fazemos, que é de ligar para amigos, familiares e apoiadores e pedir. Agora essas pessoas podem optar por doar direto para a conta da campanha ou doar nas plataformas, que facilita muito”, diz. “A arrecadação coletiva propõe nova perspectiva de fazer política, onde o poder econômico não se sobrepõe as pautas de campanha.”

A vaquinha para financiar a campanha de Manu Jacob já está recebendo doações. Até a sexta-feira, 2, a candidata do Psol já havia arrecadado R$610 na plataforma escolhida por ela. “Temos confiança de que vamos adquirir uma boa arrecadação durante nossa campanha. O financiamento será feito com o fundo partidário e com a campanha de arrecadação online”, informou a assessoria da candidata. 

Virmondes Cruvinel é o candidato mais confiante em relação ao financiamento coletivo para campanhas. Ele destaca que já usou a ferramenta e que conseguiu um bom resultado na eleição de 2018, quando se elegeu deputado estadual. “Fui quem mais arrecadou por meio da vaquinha eletrônica naquela eleição. Desta vez, com uma candidatura jovem e também com uma vice jovem, estamos com trabalho forte para  vaquinha online. Estamos buscando falar com máximo de pessoas, amigos, apoiadores e voluntários que de alguma forma pode contribuir com a quantia mínima. É um trabalho muito de contato pessoal com ligações. Neste sentido temos o propósito de enfrentar campanhas de milhões, com oponentes que possuem poder financeiro e a máquina pública”, enfatiza.

Para a maioria a vaquinha não pegou

A vaquinha on-line surgiu como um forte aliado dos candidatos para arrecadar fundos durante o período de campanha. A modalidade de arrecadação a partir das plataformas digitais foi adotada pela primeira vez no pleito de 2018. Na ocasião, candidatos captaram R$ 20 milhões em todo o país. Ainda que o valor tenha sido baixo em relação ao fundo eleitoral, de R$ 1,7 bilhão naquele ano, a alternativa se mostrou promissora. Mesmo assim, a maioria dos candidatos a Prefeitura de Goiânia preferem não adotar a ferramenta. 

O candidato a prefeito de Goiânia, senador Vanderlan Cardoso (PSD), informou que não vai usar as vaquinhas virtuais para levantar recursos para sua campanha. Ele pontua que em todas eleições que participou sempre usou recursos próprios e em algumas ocasiões contou com a ajuda do partido. Nessa eleição o candidato afirma que irá manter o mesmo método usado anteriormente.

“Trabalhamos com nossos próprios recursos e, quando possível, com a ajuda do partido. Em nossas campanhas sempre buscamos gastar apenas o necessário para fazer com que o nosso nome e nossas propostas cheguem na população. Esse ano não será diferente. Vamos usar as redes sociais e a propaganda eleitoral obrigatória. Imagino que isso será suficiente. As campanhas precisam mudar essa cultura de gastar excessivamente”, disse Vanderlan.

A assessoria do candidato Maguito Vilela (MDB), informou que não haverá financiamento coletivo para a campanha dele. A coordenação aponta que a crise financeira gerada pela pandemia reduz o interesse em doação eleitoral, e também porque em 2018 a sigla não alcançou boa adesão com esse tipo de estratégia.

O Pros, partido que tem como candidato Samuel Almeida, declarou que não tem trabalhado com nenhum tipo de arrecadação online. “O Samuel não está usando essa estratégia. É por opção. A prestação de contas é um temor. Atualmente o TRE (Tribunal REgional Eleitoral) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são muito criteriosos em relação a financiamento. Qualquer probleminha pode dar uma grande dor de cabeça. Então estamos evitando para não ter problema”, explicou o Presidente metropolitano do PROS em Goiânia, Reginaldo Melo.

A assessoria de imprensa do candidato Talles Barreto (PSDB), informou que o partido não utiliza de estratégias para captação de recursos na internet ou doações online. “A utilização de recursos será única e exclusivamente através do fundo eleitoral.”

O PSB segue a mesma linha de pensamento e não irá usar estratégias de financiamento coletivo. A coordenação de campanha de Antônio Vieira Neto (PCB) também informou que dispensou o uso da vaquinha online. 

A reportagem não recebeu a posição sobre o tema dos candidatos Alysson Lima (Solidariedade), Fabio Junior (UP), Gustavo Gayer (DC) e Major Araújo (PLS). O candidato Vinícius Gomes não foi encontrado para comentar. 

Atenção redobrada para a “vaquinha” não ir pro brejo

A arrecadação, os gastos e as prestações de contas das campanhas eleitorais de 2020 foram regulamentadas pela Resolução 23.607/2019 do TSE. O financiamento coletivo nas eleições é feito pela Internet em sites autorizados pelo TSE, por meio de cartão de crédito, débito e boleto.

Só pessoa física pode doar, ou seja, empresas não podem realizar doações. O limite é de R$ 1.604,10 por dia. Há uma lista de 23 empresas já habilitadas juntos ao TSE para operar as “vaquinhas” online. Para ter aprovação do Tribunal, os donos das plataformas devem fazer um cadastro prévio no site da Corte, preencher um formulário eletrônico e apresentar documentações. Posteriormente essas plataformas podem ser contratadas pelos candidatos para fazer a captação de recursos.

Neste ano, a arrecadação de recursos para a pré-campanha começou no dia 15 de maio. O recebimento de tudo o que foi levantado na vaquinha depende da apresentação do registro da candidatura à Justiça Eleitoral. Caso o candidato não faça o registro, o dinheiro é devolvido aos doadores.

“As doações da vaquinha vai direto para conta de campanha do candidato. E a instituição arrecadadora informa o nome e CPF do doador. Em termos contábeis, para os candidatos é uma facilidade porque já recebe a informação e já emite o recibo de doação”, explica o professor e advogado eleitoral, Alexandre Francisco de Azevedo.

Para o também advogado eleitoral Julio Meirelles, a baixa adesão de candidatos à modalidade de financiamento coletivo é pela falta de compreensão dos partidos. “É algo novo e alguns tem dificuldade até de acreditar e confiar nessa modalidade. Mas ao passar das eleições a credibilidade vai aumentando e mostrando a facilidade e força da modalidade de captação de recursos”, avalia. 

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