Saúde pública é o centro das atenções nas propostas dos candidatos

Os sete candidatos ao governo do Estado explicitam suas propostas para a área da saúde, tema-chave na corrida eleitoral

Marcos Nunes Carreiro

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Fernando Leite/Jornal Opção

A saúde pública é sempre um tema-chave nas eleições para cargos do Executivo, independentemente da esfera, uma vez que a preocupação com o assunto atinge dos municípios à União. E nas eleições deste ano, os sete candidatos ao governo de Goiás estabeleceram seus planos de governo — já registrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) — com grande foco para o setor.

O Jornal Opção procurou os se­te — Marconi Perillo (PSDB), Iris Re­zende (PMDB), Vanderlan Cardoso (PSB), Antônio Gomide (PT), Ale­xan­dre Magalhães (PSDC), Marta Jane (PCB) e Weslei Garcia (PSol) — para que eles a­pre­sentassem e justificassem suas propostas para a área. Em apenas dois casos, a reportagem falou com outros componentes da cha­­pa para tratar do assunto.

 

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Foto: Edilson Pelikano

O governador encabeça a chapa composta por ele, o vice-governador José Eliton (PP) e o senatoriável Vilmar Rocha (PSD). Sendo a chapa que disputa a reeleição, o trio tem nas mãos ações para serem mostradas. A principal delas talvez seja a instalação do modelo de gestão dos hospitais por organizações sociais (veja quadro nesta matéria) e a construção e reforma de unidades hospitalares pelo Estado. Alguns, ainda em construção, deverão ser entregues ainda este ano. Caso do hospital de Santo Antônio do Descoberto e o de Uruaçu, que recentemente passaram a integrar a rede Hugo.

A rede Hugo é, aliás, uma das propostas de Marconi para desafogar os hospitais da capital, o seu principal objetivo de governo — proposta pontual entre todos os candidatos. A rede deverá englobar: os dois hospitais de Goiânia (Hugos 1 e 2); o do Santo Antônio do Descoberto; o de Uruaçu; e o de Águas Lindas, que começará a ser construído. Fora os hospitais que integrarão a rede Hugo com foco maior na região do Entorno do Distrito Federal (DF).

O candidato a vice-governador na chapa de Marconi, José Eliton, cita, por exemplo, a construção de 21 ambulatórios médicos de especialidades, um por cada regional de saúde de Goiás. Segundo ele, serão áreas de 15 mil m², que abrigarão os centros de democratização da saúde. Deve­rão receber as unidades cidades como: Posse, Campos Belos de Goiás, Formosa e Rio Verde. O objetivo, de acordo com José Eliton, é levar a medicina de alta e média complexidade à população, “que não precisará se deslocar até a região metropolitana da capital”.

José Eliton admite, porém, que casos pontuais serão tratados em Goiânia. “Mas, em suma, conseguiremos desafogar o atendimento nos hospitais de Goiânia. E com isso a secretaria propiciará também a possibilidade de comunicação à distância. Por exemplo, temos um paciente em Campos Belos, uma das últimas cidades goianas antes do Tocantins, que precisa consultar um cardiologista. De repente, esse exame pode ser realizado via videoconferência”.

José Eliton cita também a criação dos consórcios intermunicipais de saúde. Os consórcios foram criados para arcar com os custos dos ambulatórios. Assim, o Estado irá custear 40% e os consórcios dos municípios, 60%. “Faremos isso porque os valores gastos para manter unidades como essas não são pequenos. Ou seja, já temos um programa em execução. Esse programa vai parar? O eleitor é que irá decidir essa questão”, afirma.

Em suma, a base do plano estrutural da chapa de Marconi para o setor é democratizar a saúde, levando atendimentos de alta e média complexidade para o interior do Estado. Mas há outras propostas. O plano de governo traz:

Criar o programa Saúde Junto de Você; investir na implantação da Saúde Digital; reforçar a atenção do governo estadual à rede municipal de saúde primária e apoiar os consórcios intermunicipais; fortalecer as redes Hugo, Credeq, Cegonha, Psicossocial e Deficiente; criar o programa Dose Certa, para distribuição de remédios gratuitos; construir ambulatórios de saúde bucal; e expandir o investimento nos serviços de diagnósticos.

Críticas

O hospital de Santo Antônio do Descoberto é citado por muitos candidatos como meta de conclusão e alvo de críticas, uma vez que a obra deveria ter sido entregue em 2004. O vice-governador, José Eliton, porém, rebate as críticas dizendo que essa obra não era de responsabilidade estadual, mas federal. “A obra foi estadualizada para que tivesse condições de ser construída, pois estava parada há muitos anos e agora será entregue à população”, diz.

 

Foto: Fernando Leite

Foto: Fernando Leite

O ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende divide a chapa com o can­didato a vice Armando Ver­gílio (SD) e o candidato ao Se­na­do Ronaldo Caiado (DEM). Um dos coordenadores da campanha peemedebista, o ex-deputado Barbosa Neto (PMDB), diz que Iris irá colocar toda a sua experiência para dar à população maior qualidade nos serviços de saúde.
Barbosa afirma que Goiás cresce economicamente, mas que esse desenvolvimento não é refletido na saúde. “Ainda vemos uma saúde baseada em ambulâncias, que geram em Goiânia uma sobrecarga nos hospitais.” Assim, segundo Barbosa, a principal proposta de Iris é a criação de hospitais regionais em todas as regiões do Estado. O objetivo é proporcionar um atendimento de maior qualidade e conforto aos moradores dos municípios mais distantes.

A intenção é criar estruturas re­gionais e fazer ambulatórios de es­pecialidades médicas para atender ca­sos de média e alta complexidade. Fora isso, há também a proposta de criar um programa permanente de reforma e modernização da rede de hospitais estaduais, as­sim como ampliar a atenção a se­gmentos, como os idosos, com a extensão dos Centros de Referência da Terceira Idade; e a implantação de um programa de atenção integral à saúde da mulher com a construção de maternidades-modelo re­gionais. “Isso é necessário para que a mulher grávida e as crianças re­cém-nascidas tenham o atendimento necessário”, ressalta Barbosa.

O fortalecimento da rede de saúde básica é outro objetivo de Iris. Para isso, explica Barbosa, serão feitas parcerias com os municípios para modernizar as estruturas locais. Por isso, o candidato pretende apoiar tecnicamente os municípios na gestão para implantação, adequação e avaliação e capacitação da atenção básica; garantir os repasses regulares da contrapartida estadual da atenção básica; e, em parceria com os municípios, implantar o programa de atendimento domiciliar de pacientes acamados garantindo medicamentos, fisioterapia, tratamento psicológico, dietas especiais e tratamento odontológico.

Também são propostas peemedebistas: a criação de políticas que valorizem os profissionais da saúde e o investimento em concursos públicos para aumentar o número de médicos; criar uma rede de centros de especialidades odontológicas e laboratoriais nas diversas regiões do Estado; fortalecer o programa do remédio gratuito, ampliando os locais de distribuição e o número de medicamentos; implantar o programa de dispensação de medicamentos de uso contínuo domiciliar; criar o Mutirão da Saúde com a disponibilização de consultas médicas, oftalmologista, óculos, exames variados, odontologia e distribuição de medicamento pós-consulta.

Iris também quer, entre outros objetivos: construir um novo hospital para tratamento do câncer, em parceria com o governo federal. A proposta é para que o hospital seja mais moderno e com maior capacidade de atendimento; implantar o Cartão Saúde Cidadão unificando todas as suas informações de atendimento na área de saúde; descentralizar as ações da Secretaria Estadual de Saúde, dando agilidade aos seus processos por meio de contratos com as regionais e unidades de saúde; ampliar o programa de internação e reabilitação aos dependentes químicos no Estado; e dar maior transparência e divulgação à aplicação dos recursos da Secretaria de Saúde.

 

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Foto: Fernando Leite

A principal proposta de Van­derlan Cardoso — que compõe chapa com Alcides Ribeiro e Aguimar Jesuíno — são os Bancos de Leitos. O objetivo é aumentar o número de vagas na rede pública estadual tanto com a construção de novos hospitais quanto em parcerias público-privadas. O pessebista afirma que o Goiás tem, atualmente, um déficit quase 4 mil leitos entre normais e de UTI.

A conta do ex-prefeito de Senador Canedo é baseada em um levantamento feito por sua equipe e que dá conta de que o Estado possui 11.700 leitos entre públicos e privados que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em contrapartida, a demanda por leitos é de 15.387. Daí os quase 4 mil leitos que faltam, segundo Vanderlan, que aponta o Entorno do DF e o Nordeste goiano como as regiões com maior demanda por vagas hospitalares.

Assim, o candidato explica que o projeto é firmar parcerias com hospitais particulares para conseguir aumentar o número de leitos. “Há vários hospitais que estão quase fechando por falta de investimento, enquanto podem suprir essa demanda. Por exemplo, em Formosa, no Entorno, não há um leito de UTI. Mas há hospitais que estão prestes a fechar. Dessa forma, iremos comprar desses hospitais, pelo preço justo, leitos de UTI. E os hospitais que não têm UTI, e quiserem construir, iremos garantir parte de compra desse serviço”, diz.

Vanderlan diz que fez isso em Senador Canedo, quando foi prefeito. Segundo ele, o hospital da cidade não é municipal, mas particular. “Quando fui eleito propus ao dono do hospital a ampliação da unidade, melhoria do atendimento e a construção de uma UTI. E, atualmente, o hospital não atende apenas Senador Canedo, mas também outros municípios. E nesse modelo pretendemos comprar também cirurgias por atacado”, explica.

A questão das cirurgias por atacado funcionará, de acordo com o ex-prefeito, da mesma forma que foi feito em Senador Canedo. “Quando assumi o município, tínhamos uma lista de aproximadamente 6 mil pessoas na fila de espera para cirurgia de catarata. E resolvemos essa questão junto às clínicas oftalmológicas comprando entre 300 e 500 cirurgias de cada uma delas. Assim, dentro de um ano e meio, já não havia ninguém na fila de espera. E o que vemos hoje? Temos no Estado pessoas que estão esperando por uma cirurgia de próstata, por exemplo, há mais de dois anos.”

E nessa parceria público-privada Vanderlan também pretende equipar os hospitais municipais para que realizem atendimentos à população. “Faremos parcerias com os municípios que têm hospitais e quiserem equipá-los. Daremos subsídio para a compra de equipamentos como mamógrafos, tomógrafos, aparelhos de raios-x, etc.”, declara.
Na região do Entorno do DF, segundo o pessebista, a procura por atendimento tem maior concentração em Brasília e, por isso, o governo irá procurar estabelecer parcerias com a rede hospitalar da capital federal. “E, paralelamente a isso, iremos construir os hospitais regionais e hospitais menores em alguns municípios. Trabalharemos nesse sentido e não usaremos nenhum centavo de recursos de outras áreas, mas apenas parcerias com o governo federal, municípios e iniciativa privada. Agora, tudo na maior transparência, que não é o caso visto hoje nas OSs”, ressalta.

Franquia da Saúde

Mas o Banco de Leitos não é a única proposta de Vanderlan Cardoso, embora, segundo ele, o programa já englobe grande parte das questões a serem solucionadas na saúde. O pessebista propõe também a Franquia da Saúde, que será uma assessoria prestada às prefeituras para que elas tenham condições técnicas de buscar recursos federais.
“Quando fui presidente de associação metropolitana, vi as dificuldades que as prefeituras têm em ter técnicos qualificados para fazer projetos e saber os canais de acesso dos recursos, que são muitos. Assim, ensinaremos às equipes técnicas dos municípios como fazer, pois a partir do momento que se tem bons projetos, tem-se dinheiro para realizar os investimentos necessários. Assim, as parcerias acontecem”, afirma.

 

Foto: Fernando Leite

O petista Antônio Gomide, que forma chapa pura ao lado de Tayrone di Martino e Marina Sant’Anna, tem como principal plataforma o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a exemplo do que fez em Anápolis no período em que foi prefeito.

Gomide cita como exemplo: os mais de 45 postos de saúde que foram reformados e ampliados; além da construção das unidades de referência como Cais Mulher e o Hospital Municipal da Vila Esperança – UPA 24 horas. Fora isso, segundo ele, também foi reformado o Hospital Municipal Jamel Cecílio, que passou a ter atendimento odontológico 24 horas, além de outras unidades que adotaram o sistema de atendimento em tempo integral: os Cais Progresso e Abadia Lopes da Fonseca.

Assim, Gomide diz que, caso eleito, irá trabalhar para reforçar o SUS e o atendimento gratuito, além de fortalecer a estratégia de Programa Saúde da Família (PSF). O candidato entende que os PSFs são uma forma que o governo tem de olhar para os municípios e fortalecer suas equipes de médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários. “Saciada essa questão, conseguiremos dar resolutividade a pelo menos 65% da prevenção no Estado de Goiás”, garante.

O ex-prefeito também quer criar as condições para a construção dos hospitais regionais, fazendo sua distribuição de maneira eficaz para atender casos de alta complexidade e, consequentemente, desafogar a saúde de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis. “Fora isso, é importante que possamos garantir o processo de educação em saúde, programas do governo do Estado nos municípios voltados, principalmente, à boa alimentação. Isso deverá melhorar o atendimento a hipertensos e diabéticos, pois são essas doenças que estão agravando mais a situação da saúde pública”, analisa.

Gomide, que é dentista, não poderia deixar de fora a atenção à saúde bucal. Ele diz que, assim como há o programa Brasil Sorridente, do governo federal, é preciso que exista um programa para tratar dessa questão em todas as cidades de Goiás. Gomide fala, por exemplo, sobre suas ações enquanto prefeito de Anápolis, em que criou o Odontologia Móvel, programa que leva escovação e ações de saúde bucal a domicílio.

“Falta planejamento para a área”, afirma Gomide. “Por isso não há como suprir as demandas regionais. É preciso criar as condições para isso e apenas com planejamento é possível. Tem 14 anos que o governo do PSDB está construindo o hospital de Santo Antônio do Descoberto. Por que não terminou? Tem sete anos que estão construindo um hospital em Uruaçu. Não terminam. E é bom lembrar que construção apenas não é saúde. Dinheiro não falta. Falta é prioridade. O interesse não é o SUS, mas repassar a saúde para a iniciativa privada”, critica.

Por último, Gomide diz que irá fortalecer o programa Mais Médicos. Ele classifica a questão como um grande sucesso em Goiás, contemplando mais de 150 cidades.

 

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O candidato do PSDC é o segundo governadoriável a compor chapa pura — Rodrigo Adorno e Aldo Muro completam o quadro. E a proposta principal de Ale­xan­dre para a saúde é a uma atenção especial à saúde primária. O foco, segundo ele, será em uma medicina preventiva diferenciada por idades. “Se detectarmos diabetes em uma pessoa entre 20 e 30 anos, por exemplo, iremos tratá-lo para que no futuro essa pessoa não crie ônus para o Estado.”

Alexandre diz que irá criar um centro de referência neurocardiovascular para atender pessoas vítimas de infarto e AVC. De acordo com ele, pessoas que sofrem com esse tipo de situação são levadas para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), por exemplo, que não possui a estrutura necessária para esse tipo de atendimento, o que, muitas vezes, agrava a situação. “Então, são mais custos para o Estado.”

Outra questão que o candidato cristão avalia como importante é no tratamento contra o câncer. Ele diz que o Estado tem muita carência no que diz respeito à oncologia. “Atualmente, contamos apenas com o Araújo Jorge e o Cebrom, que são hospitais conveniados. No Hospital das Clínicas, se não me engano, só tem um profissional da área. Então, precisamos criar também um centro de oncologia”, diz.

Fora isso, Alexandre pretende solucionar o problema goiano de leitos. Ele ressalta que em países da Europa tem uma média muito superior à goiana de leitos por habitante. Isso provocaria as situações de pessoas nos corredores e mal-atendidas. Assim, o candidato propõe que seja criada uma rede de hospitais de pequeno porte, com 40 leitos cada.

“Dividiremos esses hospitais por regiões e os aparelharemos com equipamentos de ultrassom, eletrocardiograma, mamografia, densitometria óssea, etc. Além disso, disponibilizaremos uma equipe médica”, explica.

De acordo com ele, esses pequenos hospitais irão receber os pacientes dos postos de saúde. Se o caso for complexo, essas pessoas serão encaminhadas para os grandes hospitais de Goiânia e da região metropolitana.

 

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A candidata do PCB, Marta Jane, que compõe chapa com Felipe Rodrigo (PSTU) e Antônio Vieira Neto (PCB), coloca a saúde dentro de um debate maior e que diz respeito à distribuição de riqueza. A candidata, única mulher na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, ressalta que os problemas da saúde são originados na alta concentração de riqueza por alguns. Assim, de acordo com ela, distribuir riqueza significa também distribuir saúde, educação, segurança, habitação, etc. “Por isso, é necessário que pensemos nesse eixo”, diz.

Nesse contexto, Marta diz defender o fim do processo de privatização que a saúde tem vivido em Goiás, principalmente no que diz respeito aos benefícios e facilidades que os grandes planos de saúde recebem. Ela afirma que as indústrias que produzem medicamentos, principalmente as do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), não beneficiam a população na mesma medida em que se desenvolvem financeiramente.

Dessa forma, uma das propostas de Marta é voltar a investir na Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). “É importante para nós retomar a Iquego, pois é uma instância pública que precisa subsidiar essa questão para a população. Isto é, vamos voltar a distribuir medicamentos às pessoas que precisam deles.”

Outro fator que pesa no plano de governo da candidata do PCB é a criação de conselhos populares pa­ra atuar em diferentes áreas, in­clusive na saúde. Marta explica que os conselhos deverão ser constituídos por representantes da sociedade, das comunidades e por usuários e trabalhadores do sistema público de saúde. “Mas será um conselho deliberativo e não consultivo. Ou seja, tomará decisões”, declara.

A partir de então, segundo ela, o Estado terá condições de tomar boas resoluções em relação à saúde, principalmente no que concerne à interiorização dos atendimentos. “E isso será feito para mudar essa política de ambulâncias que vemos há décadas. Não podemos mais lidar com essa situação de pacientes do interior sendo transferidos para as regiões mais desenvolvidas do Estado porque dependem da saúde pública. Por isso, precisamos garantir maior qualidade no desenvolvimento dos municípios.”

 

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Weslei Garcia candidato ao governo pelo PSol, ao lado de Cintia Aparecida e Elber Sampaio, afirma que o foco de sua campanha para a área da saúde será o fortalecimento da saúde pública, isto é, o Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, o principal programa defendido por ele é o Saúde em Casa, um modelo no qual uma equipe de médicos, enfermeiros e agentes de saúde irão trabalhar em domicílio para atender os pacientes.

O candidato socialista afirma se tratar de uma lógica invertida em que não é o povo que busca a saúde, mas a saúde que vai ao povo. “Seria mais ou menos como funciona o atendimento de controle de endemias. É um trabalho preventivo”, explica ele. Além disso, Weslei também diz estar ao lado dos servidores da saúde. Segundo ele, em sua gestão haverá o fortalecimento de cargos e salários e a abertura de concursos públicos em toda a rede pública estadual para atender a população.

Outra proposta de Weslei é a criação de uma central de inteligência no Estado. Ele ressalta que já existem centrais assim em outros países, sendo formadas por médicos e doutores, que irão implantar um banco de dados no Estado. “A partir desse banco de dados, iremos mapear os casos mais graves não apenas da saúde, como em todas as áreas para, dessa forma, partir para a descentralização dos atendimentos em Goiás. Fora isso, iremos fazer centrais de inteligência por região do Estado. Esse é um modelo inovador e que dá certo.”

Morador de Valparaíso, no Entorno do DF, Weslei dispara críticas ao atual modelo de saúde pública do Estado. Segundo ele, é de conhecimento geral que os moradores do Entorno não possuem saúde pública oferecida pelo Estado. “Ou seja, é uma população que precisa buscar socorro na região do DF, enquanto fica sem suporte em seu próprio Estado. Assim fortaleceremos a medicina da família e aplicaremos mais recursos no SUS, além de resgatar a Iquego.”

 

O fator “organizações sociais” 

A atual gestão do governador Marconi Perillo (PSDB) transferiu a gestão dos hospitais da rede estadual de saúde para as organizações sociais (OSs). Atualmente são geridos por OSs: Hospital de Urgên­cias da Região Sudoeste (Hur­so), pela Pró-Saúde; Hospital de Urgên­cias de Anápolis (Huana), pela Fa­sa; Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), pela Gerir; Hospital de Urgências de Apa­recida de Goiânia (Huapa), pelo IGH; Hospital Materno Infantil (HMI), pelo IGH; Hospital Geral de Goiânia (HGG), pelo Idtech; Hospital de Doenças Tropicais (HDT), pelo ISG; e o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), pela Agir. Fora as outras unidades que estão sendo construídas e que deverão ser geridas por OSs.

Alvo de críticas constantes, as OSs já aparecem nas falas dos candidatos ao governo. Marconi Perillo (PSDB) diz que não apenas irá manter, como ampliar o sistema para os outros hospitais que estão sendo construídos. Grande parte dos outros candidatos, embora tenham críticas à OSs, admite que irá manter ou modificar o sistema.

Barbosa Neto, coordenador de campanha de Iris Rezende classifica o assunto como uma falácia a afirmação de que as OSs são um instrumento de modernidade. O argumento principal usado pelo peemedebista é que outros estados aderiram às OSs há décadas. “Iris propõe é dar autonomia aos hospitais. O que não pode acontecer é dar benefícios a grupos. Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco, por exemplo, estão muito mais avançados no setor de saúde. Goiás está atrasado no que diz respeito à modernização do sistema”, explicita.

Dessa forma, o ideal para ele é que haja unidades de saúde com total autonomia financeira e orçamentária. “Temos informações de que o Hugo chegou a atender cer­ca de mil pessoas por dia e, hoje, atende aproximadamente 300. E essas 700 pessoas estão sendo a­tendidas onde? Por isso, já há uma determinação do candidato Iris que, caso eleito, irá estabelecer uma ampla investigação dos contratos das OSs, porque a saúde de Goiás não tem alcançado os mesmos índices”, afirma Barbosa.

Vanderlan Cardoso, crítico antigo do modelo de OSs, diz que a saúde no Estado foi desmanchada e, por isso, procurará trazer de volta todos os funcionários da saúde que foram colocados em desvio de função quando as OSs assumiram a gestão dos hospitais.

“Traremos esse pessoal de volta e faremos mais contratações”, diz. Vanderlan, que tem muitas propostas baseadas em parcerias público-privadas, afirma que não é contra o modelo de OSs, mas que não concorda com a forma com que foi feito em Goiás: “Sem transparência e com um festival de aditivos. Não sou contra a terceirização dos serviços públicos. Agora, há serviços que não devem ser repassados para a iniciativa privada.”

Antônio Gomide, caso seja eleito, diz que fiscalizará os contratos que estão vigor, mas irá manter o sistema. Porém, afirma que irá focar na descentralização dos atendimentos. “Será que as OSs querem atender lá em Porangatu? Será que querem atender em Posse? Eu entendo que a gestão da saúde feita em Goiás nos últimos 16 anos, foi de encontro ao SUS. Está tudo ao contrário, pois concentraram todo o atendimento em Goiânia. Isso só gera renda e emprego para hospitais e clínicas particulares da capital”, analisa.

Alexandre Magalhães, por sua vez, declara que tem conversado com várias pessoas da área de saúde, inclusive muitos médicos. “Não sou médico, então preciso aprender com administradores de hospitais e médicos. E com essas conversas, percebo que as OSs são benéficas e necessárias. Vamos manter. Porém, falta transparência. Hoje, não sabemos o que se gasta do dinheiro público.”

Marta Jane vê as OSs como formas de consolidar a privatização da saúde. Ela reconhece que as organizações são mais eficazes e eficientes na questão de compras, mas diz não aceitar que o Estado seja ineficiente na gestão daquilo que é obrigado a garantir. “Quando tivermos a atenção devida do Estado, com certeza teremos uma gestão tão eficiente quanto a privada, porque conseguiremos atender a totalidade de modo adequado. E isso só pode ser feito pelo serviço público, pois a iniciativa privada irá sempre atender de forma selecionada”, ressalta.

Weslei Garcia promete romper os contratos com a OSs, por acreditar que elas representem a privatização da saúde pública: “Parto do princípio que a Coisa Pública não pode ser confundida com a Coisa Privada. A partir do momento em que há um sucateamento do serviço público, essas parcerias são feitas de maneira proposital para justificar a privatização. Sempre vou defender o fortalecimento do sistema público de saúde, pois já somos pagadores de impostos e é inconcebível passar tudo que é público para que a iniciativa privada administre.”

 

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