Quem lucra e quem perde com a saída de Iris da sucessão

Sem o decano peemedebista na disputa, campanhas de Waldir Soares e Vanderlan Cardoso ganham visibilidade, mas espólio eleitoral não está garantido

Ao dizer que saiu do jogo, Iris Rezende embaralhou o quadro da pré-campanha

Ao dizer que saiu do jogo, Iris Rezende embaralhou o quadro da pré-campanha

Quem será o grande prejudicado caso se confirme a notícia de que Iris Rezende está mesmo se aposentando da vida pública? Sem nenhuma dúvida, o maior prejuízo será contabilizado pelo PMDB. De protagonista, o partido tende a ser somente figurante. E figurante chinfrim, desses que ficam parados num canto do cenário sem nem direito a close ou qualquer outra forma de destaque. É um tombo tão impactante que atinge negativamente até a chapa de vereadores do partido, que fica sem o grande puxador de votos. Iris é um dos poucos políticos dentre os cotados para a Prefeitura este ano que conseguia repassar uma certa dose de prestígio para os seus candidatos.

Dai em diante, e principalmente entre os demais candidatos a prefeito, a lucratividade é geral. Todos tendem a ganhar alguma coisa. Uns mais, outros menos, mas ninguém perde. O eleitorado cativo de Iris, aquela base que é dele e de mais ninguém, vai ser pulverizado entre todo mundo, especialmente entre os candidatos mais destacados, que conseguem escapar do imobilismo político-eleitoral.

Waldir e Vanderlan

Inicialmente, o maior beneficiário da aposentadoria de Iris é Waldir Soares, do PR, que dividia com o peemedebista a liderança nas pesquisas realizadas por dois institutos, o Paraná Pesquisas e o Serpes. Sem ter que dividir com Iris, obviamente Waldir assume a liderança isoladamente.

Mas essa lucratividade é numérica e não política. Waldir dividia não apenas a liderança com Iris, como de certa forma se “escondia” do holofote e da mira dos demais concorrentes. Politicamente, ele passa a ser o centro das atenções que a liderança isolada provoca. Há um fator que também pode contabilizar a favor dele, caso consiga fazer uma boa campanha: o perfil do seu eleitorado e o perfil do eleitorado do Iris é muito semelhante.

Vanderlan Cardoso também pode lucrar legal sem ter que competir com Iris Rezende. Principal­mente no setor evangélico, religião comum aos dois. Não é um grande eleitorado, mas existem evangélicos que só escolhem candidatos da mesma religião. Ele também passa a ser o “decano” dos candidatos. Antes, esse papel era exclusivo de Iris. O maior problema é encontrar o tom certo para cativar esses eleitores.

Giuseppe Vecci vai ter uma bela máquina eleitoral trabalhando para ele. O PSDB finalmente parece ter encontrado nele o candidato com perfil que deixa os tucanos tranquilos quanto ao conteúdo. Ou seja, eles não ficam constrangidos ao defender as teses que Vecci colocará na campanha. O problema aqui é fazer esse discurso, que é bem mais técnico, chegar até a população menos exigente, como é o caso da base mais numerosa do eleitorado cativo de Iris. Vecci vai precisar de uma dose mais popular na tecnicidade de seu discurso.

Luiz Bittencourt, do PTB, tem igualmente um bom discurso, bem alicerçado, e ainda consegue relativa penetração na chamada zona da poeira, a periferia mais afastada. Sem Iris, ele tende a concentrar sua mira certeira nas possíveis incoerências que encontrar no discurso-base de Waldir Soares. No único debate realizado entre os candidatos até agora, organizado pela rádio Sucesso, Bittencourt deixou seu adversário sem palavras ao fazer uma abordagem direta a respeito do transporte coletivo. O petebista tem anunciado que fará uma campanha sem santinhos, sem banda de música, cabos eleitorais, bandeirolas e marqueteiro. Em outras palavras, é uma campanha seca, cara a cara. Se crescer nos debates diretos contra os demais concorrentes, pode conquistar o eleitorado mais exigente, que é formador de opinião muito além dos partidos. É o trunfo que ele tem.

Francisco Júnior, do PSD, fica praticamente no mesmo lugar. Seu nome ainda não conseguiu impactar a corrida sucessória nem internamente, no seu partido. Prova disso é que nenhuma das estrelas do PSD faz menção à sua candidatura. Até aqui, ele parece estar somente ocupando espaço. Ele fala e se apresenta bem, mas não tem um discurso bem elaborado. Mesmo nas generalidades, tem procurado se situar.

Dentre as grandes candidaturas, Adriana Accorsi, do PT, não vai se livrar do fardo que não é dela, pessoal, mas que é inegável. A imagem do governo de Paulo Garcia ficou desgastada por muito tempo neste segundo mandato, e isso está cristalizado. A esperança de recuperação no ano passado, e a consolidação de efeito positivo este ano, foi engolida pela crise econômica que varreu o país. Então, para Adriana, o único lucro real com a saída de Iris é que a administração do prefeito do seu partido não será atacada pelo padrinho de Paulo, o que poderia acontecer quando Iris se visse acuado pelos adversários.

É claro que esse quadro inicial pode ou não se confirmar com a campanha relâmpago deste ano. Ou seja, é uma tendência, não uma antecipação. Se na política há quase sempre a possibilidade de se analisar sobre projeções, nas campanhas eleitorais é tudo muito mais complicado. Politicamente, portanto, é possível afirmar que a saída de Iris coloca Waldir Soares virtualmente no segundo turno. Politicamente, repita-se. Em 2014, com a substituição de Eduardo Campos na corrida presidencial, Marina Silva pulou imediatamente para a liderança, deixando para trás Dilma Roussef e Aécio Neves. Algumas semanas depois, Marina não teve votação nem para chegar ao segundo turno. Esse é um exemplo que não se deve esquecer: o que hoje pode ser projetado, amanhã pode não ser concretizado. Tudo depende da campanha eleitoral.

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