PSDB quer profissionalizar campanha de vereadores

Diretório goianiense vai lançar chapa completa, e deverá abastecer candidatos a vereador com pesquisas setoriais

Afonso Lopes

O universo eleitoral brasileiro vez ou outra é sacudido por estratégias inéditas que conseguem obter tamanho impacto que se popularizaram. Pelo menos, é assim quando está em disputa cargos para os Executivos, tanto em nível federal como estadual e municipal. Fernando Collor de Mello, na eleição de 1989, introduziu a sistematização das pesquisas de opinião. O modelo usado por ele já era aplicado há tempos nas eleições mais profissionais do mundo, nos Estados Unidos. Por aqui, pela novidade que representou, Collor iniciou a campanha embolado no grupo intermediário e ganhou posições muito rapidamente até vencer o primeiro turno e se eleger presidente da República no segundo turno. Hoje, nenhuma candidatura competitiva caminha sem pesquisas que possam avaliar frequentemente o desempenho e penetração junto ao eleitorado.

Com a sistemática e contínua diminuição dos prazos de campanha, outra novidade surgiu no mundo das eleições: as carreatas. Antes, o desfile de carros dos candidatos serviam, quando muito, como festa de encerramento das campanhas, e não como veículo de divulgação no período de caça aos votos. Hoje em dia, também essa prática começa a ser colocada pra escanteio porque, além de não impactar positivamente, gera desgastes para o candidato em função dos problemas que causam nas cidades.

O mesmo se deu com os palanques e as praças públicas. Era inconcebível imaginar há 20 anos, e até menos, uma campanha realmente forte que não conseguisse encher as praças. Em meio às dificuldades e desconfianças, e diante de comícios cada vez com menor público, criou-se o misto de palanques-shows. Quanto melhor a atração, mais gente juntava para ouvir poucas palavras dos políticos e muita música. Até que a Justiça Eleitoral resolveu proibir shows e distribuição de camisetas e demais badulaques como canetas e porta-título. A declarada intenção era diminuir os custos de campanha e, assim, igualar as condições de disputa entre os candidatos melhor estruturados e os pequenos.

Obviamente que isso não funcionou. As campanhas continuaram caras e as chances de vitória permaneceram maiores entre os candidatos com grande capacidade de aglutinação de apoios, inclusive financeiros. Ao mesmo tempo em que foram eliminados os comícios e distribuição de brindes, diminuíram ainda mais o período de campanha no rádio e na televisão. Resultado prático disso foi que esses espaços ficaram ainda mais preciosos, e teve início a fase atual, de campanhas ultramodernas eletronicamente.

Dinheiro

O que se tentou fazer através do endurecimento e de certa forma cerceamento de campanha através da legislação, que é baratear os custos e limitar os gastos, acabou acontecendo, mas principalmente pelas operações que resultaram no mensalão, tanto o mais famoso, de Brasília, quanto o de Minas Gerais, e o petrolão. Em ambos os casos, a atuação dos procuradores e de juízes inibiram os chamados “investidores”. Hoje, não há um só diretório partidário no Brasil que não esteja refazendo as contas para saber o que será possível fazer com dinheiro muito mais curto.

É nesse ponto que surgiu a proposta do diretório do PSDB de Goiânia para este ano. O presidente do partido, Rafael Louza, disse ao Jornal Opção na última sexta-feira, 29, que a diminuição ainda mais da campanha, para apenas 30 dias, vai exigir esforço intenso dos candidatos. O objetivo dos dirigentes tucanos em Goiânia é formatar as ações de maneira conjunta, maximizando assim a intensidade da mensagem a ser levada até o eleitor também pelos candidatos a vereador. “É uma soma de valores de trabalho, com a chapa proporcional levando a mensagem do candidato a prefeito e recebendo em troca a influência que o crescimento dessa candidatura majoritária vai gerar para os candidatos a vereador”, afirmou ele.

Parece um plano complicado, mas é muito mais simples e objetivo do que aparenta. Com o tempo mais curto, a mensagem do partido vai ser multiplicada pela uniformização. É como se estivesse somando os 30 dias de cada campanha para um só objetivo. Para isso, o diretório do PSDB vai trabalhar com pesquisas de opinião global, com abrangência em toda a cidade, e localizada, pormenorizando as demandas específicas de cada zonal. Com essas informações, o diretório formatará o discurso e lançará candidatos a vereador que possam servir aos eleitores não somente na campanha como também depois, no exercício do mandato.

Rafael Louza não vai coordenar a montagem da chapa proporcional do PSDB sozinho. Ele contará também com o trabalho de Jayme Rincón, que atuou diretamente nas duas últimas campanhas do governador Marconi Perillo. “Nosso foco será o vereador”, disse. É uma mudança. Até agora, em todas as campanhas eleitorais brasileiras, as chapas proporcionais eram muito mais ajuntadas do que escolhidas. “O que nós queremos é montar uma chapa com 52 candidatos de modo a atender especificamente cada região da cidade”, explicou. Em tese, o PSDB pretende lançar chapa completa, mas vai destinar as demais vagas que são abertas em caso de coligações proporcionais para os partidos coligados. “Ao todo, com coligação, teremos 70 vagas, e isso é suficiente para abrigar todas as candidaturas com bom potencial de eleição”, acredita Rafael.

É óbvio que o planejamento da campanha dos vereadores a partir do diretório do partido é algo novo. Até hoje, os candidatos a vereador, deputados estaduais e federais só tinham esse respaldo na convenção e na distribuição de material de campanha. Na prática, o candidato recebia a aprovação partidária para se candidatar e ia para a disputa sozinho.

“O diretório do PSDB de Goiânia vai estar o tempo todo ao lado do nosso candidato, repassando as informações necessárias para que ele possa trabalhar profissionalmente a própria campanha. O tempo de campanha vai ser muito curto e todos vão enfrentar restrições de gastos. Com isso, acreditamos que as informações disponibilizadas pelas pesquisas qualitativas vão ser um bem bastante precioso na eleição”, entende Rafael. O objetivo, ressalta, é provocar uma reverberação de campanha muito mais intensa tanto para os candidatos a vereador como também para o candidato a prefeito.

Prévias do PSDB: “Não arrisco nenhum palpite”, diz presidente

Giuseppe Vecci, Waldir Soares e Anselmo Pereira: pré-candidatos do PSDB vão disputar prévias em 21 de fevereiro | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Giuseppe Vecci, Waldir Soares e Anselmo Pereira: pré-candidatos do PSDB vão disputar prévias em 21 de fevereiro | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O PSDB vai resolver o seu maior impasse em Goiânia, o processo de escolha do candidato a prefeito, através de eleições prévias, marcadas para 21 de fevereiro. Os três principais candidatos são os deputados federais Waldir Soares e Giuseppe Vecci e o vereador Anselmo Pereira, presidente da Câmara Municipal. Todos os filiados do partido vão poder votar.

Análises que estão sendo publicadas em todos os veículos de comunicação da capital mostram claramente que são candidatos de nichos especiais dentro do PSDB. O deputado Waldir, por exemplo, teria hoje um bom apoio entre os filiados do partido que defendem o lançamento do nome com maior densidade eleitoral. Giuseppe é integrante do chamado grupo histórico do PSDB, que soma alguns dos principais nomes do establishment político do partido. Já o vereador Anselmo, com oito mandatos de vereador em Goiânia, perambulava em todas as zonais de Goiânia com total desenvoltura.

Perguntado, mesmo em off (record, jargão jornalístico que indica a preservação da fonte pelo jornalista), sobre as chances de vitória de cada um, o presidente do diretório metropolitano Rafael Louza bateu prontamente: “Sem off, sem nada: não arrisco nenhum palpite”. Para ele, o trabalho do diretório é oferecer para a população o candidato com maior apoio interno. Frequentemente, porém, existem setores que afirmam que o processo de prévias tendem a provocar divisões. Louza acredita que é exatamente o oposto. “A possibilidade de divisão interna seria muito maior se a cúpula escolhesse um candidato com apoio minoritário internamente. A maioria poderia não aceitar muito bem essa escolha. Com a prévia, não. O PSDB vai saber quem é o nome com maior apoio, e será esse o nosso candidato”, acredita. l

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.