Propostas de empresários para os candidatos a governador de Goiás

Classe empresária propõe mais incentivos e geração de emprego como prioridades nas ações da próxima liderança estadual

Entre as demandas da categoria, está a manutenção de diálogo com entidades da indústria e comércio | Foto: Reprodução

Em pouco mais de dois meses, a população irá às urnas para escolher novos representantes, entre deputados, senadores e chefes executivos. Nesta época, as demandas dos eleitores parecem ficar mais evidentes e os ouvidos mais atentos a suas reivindicações. Em Goiás, o empresariado configura um dos diversos grupos que delineia o debate, com propostas e sugestões para os próximos gestores políticos, versando sobre questões globais, como educação, até temas mais específicos para a categoria, como incentivos fiscais.

Segundo um levantamento da Junta Comercial do Estado (Juceg), o número de pessoas que gerem seu próprio empreendimento cresce vertiginosamente, representando uma parte importante do eleitorado. De janeiro a março, segundo os dados, foi registrada no Estado a abertura de 2.165 empresas do tipo individual limitada; 1.779 do tipo sociedade empresária limitada; 1.323 empresários individuais, ou seja, que exercem em nome próprio e integralizam seus bens à exploração do negócio; 9 sociedades anônimas fechadas e 10 cooperativas.

Enquanto classe e componentes da engrenagem econômica, os empresários sugerem medidas que desburocratizem os negócios. Como cidadãos, matérias mais recorrentes – saúde, educação e segurança, talvez assuntos basilares nas discussões políticas – também repercutem na boca do grupo. O Jornal Opção ouviu empreendedores, alguns com nomes mais consolidados no mercado e outros que iniciaram seus empreendimentos recentemente, para saber que tipo de projeto político eles desejam para Goiás.

Apoio ao empreendedorismo
Desde 2014, o Brasil passa por momentos econômicos e políticos conturbados. Fala-se, finalmente, em recuperação, mas os números apontam para um quadro controverso: milhões de pessoas estão desempregadas e o medo de ficar sem trabalho nunca foi tão alto como agora.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre encerrado em maio, 12,7% da população estavam desempregados, ou seja, 13,2 milhões de pessoas. Com esse alto índice, o sentimento de medo domina o trabalhador brasileiro. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), poucas vezes nas duas últimas décadas os cidadãos ficaram tão preocupados com a situação quanto agora. O Índice do Medo do Desemprego alcançou 67,9 pontos em junho, mais de 4 pontos acima do valor registrado em março.

O desemprego também recebe a atenção da classe empresária. E uma das soluções seria o estímulo ao empreendedorismo. “Somente esse incentivo irá tirar o Estado do ostracismo”, afirma Marcelo Baiocchi, dono da Baiocchi Imobiliária e presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO). “Nada melhor do que emprego para melhorar todas as outras áreas, já que no momento em que você consegue dar um emprego para quem está desempregado, diminui-se a taxa de desocupação e concede-se oportunidade a um pai de família de dar melhores condições de educação e saúde para seus filhos”, complementa.

Nada melhor do que emprego para melhorar todas as outras áreas” – Marcelo Baiocchi | Foto: Arquivo

Para o empresário Marduk Duarte, fundador da Ardrak, indústria de produtos alimentícios, e presidente da Comissão Indústria de Base Florestal da Federação das Indústrias do Estado (Fieg), especialmente em decorrência dos incentivos fiscais, Goiás já vem gerando bons resultados econômicos. No entanto, seria necessário rever alguns pontos para manter esse crescimento. “É preciso mão de obra qualificada, capacitação, condições de investimentos”, diz.
Marduk defende também uma flexibilização das regras para viabilizar ações empreendedoras. “Criação de fundos de garantia para empréstimo de empreendedores das iniciativas privada e pública, fortalecer o Sebrae, retorno da Secretaria de Indústria e Comércio”, enumera o empresário.

A desburocratização é uma das demandas do empresário Alexandre Costa. Proprietário de duas empresas do ramo da tecnologia, o empreendedor acredita que o Estado deve interferir menos nos negócios. “O governo tem que atrapalhar menos, diminuir as exigências, o resto as pessoas fazem”, explica. Segundo Alexandre, o mais importante e o que todos querem, no final das contas, é trabalhar e gerar empregos.

Marduk Duarte: “É preciso mão de obra qualificada, capacitação, condições de investimentos” | Foto: José Paulo Lacerda

Principais desafios
Saúde, segurança e educação continuam sendo os temas mais abordados tanto por eleitores quanto por políticos. Um estudo Serpes/O Popular, publicado em abril, aponta que saúde é a maior preocupação do eleitorado, com 53,1%. Em seguida, vem segurança, com 17%, e logo depois, educação, com 7,5%.

Seguindo a tendência da pesquisa, André Lavor, diretor da Fortrigo Alimentos e presidente executivo do Sindicato dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste (Sindtrigo), aponta que um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo próximo governador é a segurança. “Tentar di­recionar uma parte do orçamento do Estado via lei para que seja investido esse mínimo na área, como acontece hoje com a educação”, propõe.

“Que elas [as entidades representativas] sejam a interlocução do setor produtivo com o governo” André Lavor (Sindtrigo) | Foto: Reprodução

O diretor recomenda ainda a ampliação do modelo de gestão por meio de Organizações Sociais (OS), já utilizado na saúde, para a educação. Segundo ele, esse sistema seria efetivo para trazer um currículo mais “avançado” para os estudantes da rede estadual.

Marduk Duarte também acredita que as OSs têm cumprido seu papel na saúde, mostrando-se eficientes. Apesar disso, existem formas de aprimorá-las, uma vez que a saúde é uma das questões mais urgentes para a população. “Ter uma fiscalização melhor, uma coerência e constância no pagamento dos prestadores de serviço, uma maior transparência para que esse modelo possa ser ampliado”, argumenta.

Redirecionando o centro da discussão, Alexandre Costa pontua que entre os maiores desafios da próxima gestão está a desmoralização da política. Em meio a inúmeros escândalos envolvendo o setor público, o empresário espera uma higienização nesses espaços: “Uma das coisas principais hoje é o combate à corrupção, medidas sérias a serem tomadas para eliminá-la e tornar o Estado mais limpo”.

Outras questões
Assuntos ambientais também fomentam a discussão. Marduk salienta para a questão energética, defendendo a ampliação das matrizes de abastecimento. Segundo o empresário, é fundamental explorar alternativas como energia solar, biomassa e outros sistemas sustentáveis. Segundo a Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo), o Estado soma aproximadamente 270 projetos de pequenas usinas de energia solar na área rural, demonstrando a potencialidade dessa matriz energética.

Os empresários colocam em pauta também os processos de privatização. Para Lavor, estatais devem seguir a mesma trilha da Companhia Celg, que foi leiloada e comprada pela empresa italiana Enel. “Tinha que privatizar a Saneago, a Iquego e todas essas estatais que são inoperantes”, alega. De acordo com ele, a privatização é uma saída para a “ineficiência” dos serviços.

Quem é o empreendedor brasileiro?

Os dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2017 revelaram que, no ano passado, a taxa total de empreendedorismo no Brasil, ou seja, índice da população adulta envolvida em alguma atividade empreendedora, foi de 36,4%. Em outras palavras, a cada 100 brasileiros, entre 18 e 64 anos, 36 deles estavam conduzindo alguma atividade empreendedora.

Desse número, 20,3% estavam iniciando seu negócio e 16,5% já eram estabelecidos no mercado. Aqueles que acabavam de abrir seu projeto o faziam por oportunidade, 59,4%, ou por necessidade, 39,9%. De acordo com o estudo, houve uma diminuição do percentual de empreendedores estreantes em relação ao ano anterior.

Quanto ao gênero, do total de empreendedores no Brasil, os números quase se equiparam: 37,9% identificaram-se como masculino e 35% feminino. Alem disso, notou-se que os jovens de 25 a 34 anos foram os mais ativos na criação de novos projetos. 30,5% de pessoas nessa idade são proprietários de algum empreendimento.

Fique por dentro

Total de empreendedores 36,4%
Iniciantes 20,3%
Estabelecidos 16,5%
Gênero
Masculino 37,9%
Feminino 35%
Idade
18 a 24 anos 23,6%
25 a 34 anos 42,2%
35 a 44 anos 39,6%
45 a 54 anos 40,7%
55 a 64 anos 32,3%

Categoria pede “pacto empresarial”

A cobrança pela manutenção de um diálogo com a categoria é evidente. Marduk atenta para a importância da Secretaria de Indústria e Comércio, que foi extinta em Goiás em 2014. Para ele, a classe empresária deve ser mais ouvida, especialmente no que diz respeito a nomeações em secretarias ligadas ao setor. “Indicações políticas nessas pastas são descabidas. Pode até acontecer, se tiver uma anuência de que realmente está produzindo”, afirma.

Um “pacto empresarial” é o que defende Marcelo Baiocchi. “O novo governante terá que chamar o fórum empresarial para poder somar, trazendo novas propostas, para que possamos fazer o Estado de Goiás crescer”, diz. Com os mesmo termos, André Lavor pede o fortalecimento das entidades representativas: “Que elas sejam a interlocução do setor produtivo com o governo, assim como foi no governo Marconi Perillo”.

O diretor da Fortrigo atenta para as políticas de incentivos fiscais firmadas na última gestão. “Marconi e José Eliton foram companheiros da indústria na briga pela manutenção dos incentivos”, declara. O empresário explica que, por Goiás ser longe dos grandes centros consumidores, como Minas Gerais e São Paulo, os incentivos fiscais são imprescindíveis para atrair indústrias para o Estado, gerando renda e emprego.

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