Profissionais da segurança pública apontam relação estremecida com governo

Em dia de balanço positivo do Estado em ação de carnaval, agentes da Polícia Militar e Bombeiros fizeram assembleia geral contra administração Caiado

Foto: Isabella Negrini – Assessoria Assego

É sintomático que, no mesmo dia em o governador Ronaldo Caiado (DEM) celebre o balanço dos números da segurança pública no carnaval, agentes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar realizem assembleia em protesto ao governo que, não só dividiu os salários de fevereiro entre ativos e inativos, como ainda não quitou a folha de dezembro. A “lua de mel”, descrita por profissionais do segmento durante a campanha do democrata, teria chegado ao fim?

O deputado estadual Major Araújo (PRP), hoje, afirma ser governo, mas também não está satisfeito com o atual tratamento da gestão com os militares. “Praticamente 100% dos militares apoiaram a campanha do governador Ronaldo Caiado – com exceção, talvez, daqueles que atuavam na gestão passada. O grosso da tropa estava com ele, inclusive os inativos”, garante o parlamentar, que afirma, ainda, serem injustas, descabidas e desproporcionais as decisões tomadas por Caiado em relação aos profissionais da segurança pública, sobretudo a divisão da folha de pagamento.

“Vou reivindicar junto com os militares. Eu também sou inativo e ainda não recebi”, pontua, para em seguida trazer à tona outra queixa. “Eu já estou sendo retaliado”, diz. Segundo o deputado, isso tem ocorrido por suas críticas em relação à gestão. “Não tive atendimento de nada, coisa que os demais parlamentares estão tendo [junto ao governo].”

Major Araújo confirma que, de fato, irá para o PSL na próxima janela partidária, que também é um partido aliado ao governo. “Mas o presidente da sigla, deputado federal delegado Waldir, já se manifestou sobre o tratamento do governador ao partido.” Inclusive, foi noticiado pelo Jornal Opção, recentemente, sobre isso: o congressista não tem gostado de ver o PSL, que tem o presidente da República, ser tratado como nanopartido no Estado.

Insatisfação
A visão do representante da classe na Assembleia Legislativa é compartilhada, também, por membros da categoria. O sargento Wesley Davi, militar ativo do Corpo de Bombeiros, é mais um dos decepcionados com esse início de gestão.

Ele também reforça o forte apoio da categoria de segurança pública ao governador Caiado durante a campanha. “Mais de 90% do efetivo ativo e inativo o apoiaram. Já de imediato, em janeiro, ouvimos a notícia de que ele não iria pagar dezembro, por ser obrigação de outra gestão e que ele não tinha responsabilidade com isso.”

Ainda conforme o bombeiro, de lá para cá tem havido transtornos. “As equipes do governo não têm nos dado o respaldo que demos a ele durante a campanha, mas no momento certo agiremos e seremos enérgicos.”

Segundo Wesley, em um curto período de tempo será possível escolher novos representantes. “E a resposta será nas urnas. Ele teve uma confiança muito grande e esperamos que nos trate apenas com dignidade.”

Conhecido pelas redes sociais por conta de um vídeo divulgado com críticas e “alertas” a Ronaldo Caiado (“senhor governador, não mexa com os aposentados, principalmente da polícia”), o sargento aposentado João Roberto se diz decepcionado. “Eu plotei todo o meu carro. Nós, inativos, viemos em reunião declarar apoio integralmente, durante a campanha. Agora, por que isso contra nós? O que ele tem contra a Polícia Militar e os aposentados? Houve uma quebra de confiança, mas ele ainda tempo de recuperar.”

Expectativa
O coronel Anésio Júnior, presidente da Associação dos Oficiais de Goiás (Assof), afirma que “com certeza houve uma frustração em relação às expectativas criadas para esse início de governo”.

Apesar disso, ele espera que o governo possa reverter essa rota e recuperar a confiança da tropa e dar segmento ao esperado. “E mostrar que Goiás não é uma terra arrasada, mas produtiva.”

Sobre os números comemorados pelo governador em relação à segurança pública, no carnaval, Anésio deixou claro que o compromisso da classe é com a sociedade. “Somos uma classe diferenciada que coloca a vida em risco, independente de quem seja o governante. Por isso mantemos a produtividade e, havendo condições, vamos melhorar ainda mais. Mas exigimos a nossa contrapartida, o respeito por parte do ente estatal e o cumprimento de suas obrigações.”

Governo do Estado
Em nota, o Governo de Goiás afirmou que reitera seu compromisso e respeito com todas as categorias que formam as forças de Segurança Pública do Estado de Goiás. “Prova disto é que uma das primeiras ações do governador Ronaldo Caiado no início de seu governo foi o envio do projeto de lei que extinguia a terceira classe dos policiais em Goiás, acabando com o vergonhoso salário de R$ 1,5 mil para soldados inseridos nesta realidade [em fevereiro, conforme o portal da transparência, este soldo foi R$ 2126,07, sem os benefícios].” Inclusive, segundo a nota, esta lei foi sancionada recentemente pelo próprio governador.

Ainda conforme o Estado, apesar da divisão, não houve atraso no pagamento dos servidores inativos, uma vez que o prazo legal é o dia 10 do mês seguinte. “O que houve foi um adiantamento no pagamento da folha dos ativos, que receberam dentro do mês de fevereiro. Em relação aos inativos, os salários foram quitados nesta sexta-feira, 8, dentro do limite determinado pela Constituição Estadual.” Já sobre a folha de dezembro, “haverá um escalonamento no pagamento da folha dos servidores públicos estaduais. O início do pagamento está previsto para este mês de março”.

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