Problemas na gestão geram crise na base

Iris Rezende enfrenta rebelião de sua base legislativa na Câmara Municipal, e alerta vermelho deve ter sido acionado na Prefeitura

Prefeito Iris Rezende: problemas em dimensão muito maior do que o imaginado inicialmente | Foto: Marcos Souza

Jamais, desde a sua eleição para o governo estadual na década de 1980, Iris Rezende enfrentou uma rebelião em sua base como ocorreu na semana passada na Câmara de Vereadores de Goiânia. Para ele, portanto, é uma situação inédita ver ve­readores, inclusive do próprio PMDB, reclamarem publicamente da relação com a Prefeitura. Pior do que a reclamação foi a derrota na votação de vetos. O recado foi explícito. A base não está coesa ao seu lado. Ao contrário, ensaia complicar este já complicadíssimo início de mandato.

Também na Assembleia Legisla­ti­va não há apoio algum ao prefeito. Os deputados peemedebistas parecem muito mais preocupados com a eleição de 2018 do que com a situação de Iris.

A Prefeitura tem feito das tripas o coração para gerar um pouco de otimismo na cidade, e com isso atravessar a tempestade inicial com um pouco mais de tranquilidade. Mas não está nada fácil. É verdade que o serviço de recolhimento de lixo está sendo feito, mas igualmente não há como esconder o fato de que o ritmo está muito longe do mínimo desejável. A crise do lixo, que implodiu a popularidade do então prefeito Paulo Garcia, se transformou na mais séria ameaça imediata de Iris Rezende. A promessa da Comurg é resolver o problema rapidamente, mas talvez tenha avançado muito ao garantir que tudo estará normalizado em 15 dias. Dificilmente essa promessa será cumprida. O risco é os sacos de lixo se amontoarem ainda mais dentro desse prazo, igualando então a crise de Paulo Garcia.

Os vereadores da base do prefeito sen­tem a barra pesada diante de certa frus­tração dos cidadãos. O que se aguardava era pouco menos que um milagre da multiplicação de soluções. O que multiplicaram mesmo foram os velhos e incômodos problemas de sempre. Os diabéticos, por exemplo, estão desesperados com a falta de insulina nos postos de saúde. É uma situação recorrente desde a administração anterior. Recentemente, uma comissão de pacientes esteve na galeria da Câmara Municipal pedindo a interferência dos vereadores. É claro que isso mexe com todos eles, inclusive com os integrantes da base.

Há vários aspectos que formam um conjunto prejudicial à imagem do prefeito. E de certa forma é até inusitado que isso aconteça agora, no início do mandato. Normalmente, há uma trégua natural que vai dos três aos seis meses. Para Iris, foi menos de 30 dias, e com os tais reflexos dentro da base de sustentação na Câmara Municipal.

O problema maior pode estar sendo gerado na política. Se o PMDB goiano fosse um edifício, ele seria interditado pela Defesa Civil por risco de desabamento diante de tantas rachaduras. Logo após a vitória de Iris, em outubro do ano passado, alguns iristas começaram a sacudir as pitangas para a candidatura do aliado Ronaldo Caiado, senador democrata. No final da semana passada, o deputado estadual José Nelto, que está disposto a brigar por uma candidatura a deputado federal em 2018, disse que o partido, em nível estadual, fechou questão em torno da candidatura do deputado federal Daniel Vilela, considerado por essa ala como fator de renovação.

Tudo isso pode estar ocultando uma guerra de bastidores por posicionamentos político-eleitorais. O prefeito tem apoiado a primeira-dama Iris de Araújo em todas as suas ações. Ela garante que está apenas ajudando o marido, mas é óbvio que isso lhe rende projeção. Sua candidatura a deputada federal é considerada desde já como líquida e certa. Ou seja, ela vai brigar com certa vantagem por uma das poucas vagas que o PMDB deve conquistar em 2018 diante de um quadro multipartidário como o atual. Essa ação de dona Iris gera uma montanha imensa de ciúmes políticos dentro do PMDB.

É óbvio que todas as di­fi­culdades iniciais po­dem ser superadas pe­lo prefeito Iris Re­zende. Ele tem ex­periência su­ficiente para conseguir di­na­mizar a Pre­feitura. O pro­blema crucial é a falta de di­nheiro. A esperança é que a abertura da temporada ITU/IPTU dê algum fô­lego, mas o paciente vai continuar respirando por aparelhos. A crise econômica nacional ainda não está superada, e é evidente que isso causa reflexos na recuperação da saúde financeira da Prefeitura. Até porque Iris, para montar maioria na Câmara Municipal, decidiu manter uma estrutura imensa, caríssima e fora da realidade econômico-política atual. Isso também tem prejudicado a imagem do governo de Goiânia. Em resumo, que não seria fácil todo mundo, inclusive Iris, sabia, mas não se imaginava que as dificuldades eram muito maiores. l

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