Por vaga para candidatura ao Senado, Wilder Morais se alinha com Daniel Vilela

Apesar de todas as tentativas para manter o senador Wilder Morais na base aliada estadual, o ex-mandachuva do PP goiano se ajeita na chapa de Daniel Vilela, do MDB

Senador Wilder Morais e deputado federal Daniel Vilela | Fotos: Arquivo Jornal Opção

A saída do senador Wilder Morais da base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo, apesar de todos os esforços para mantê-lo, não altera nenhum plano eleitoral do Palácio das Esmeraldas. A saída dele, e principalmente a sua cada vez maior sintonia fina com o deputado federal Daniel Vilela, do MDB, foi devidamente precificada com antecedência.

Essa aproximação, porém, mexe um pouco mais o imenso tabuleiro eleitoral deste ano. Para o senador Ronaldo Caiado, do DEM, Wilder Morais representa um novo tijolo para alicerçar a candidatura do rival de oposição. Caiado, obviamente, faz o que é possível para atrair o MDB para sua candidatura, e para esse objetivo ser atingido mais rapidamente e sem maiores problemas, o isolamento de Daniel era um trunfo fundamental. Wilder, nesse caso, quebra essa redoma em torno do medebista.

Espaço – Ao contrário do que normalmente acontece, é pouco provável que o senador Wilder Morais, que perdeu o controle total do PP com a chegada do deputado federal e ministro Alexandre Baldy ao partido, saia da base aliada com o dedo cravado no gatilho. Primeiramente porque a agressividade política não é o modelo dele de comportamento político. Por fim, é sempre complicado romper com o pé no prato, principalmente após fazer o que poderia fazer para ser candidato pela base aliada. Para sair atirando, o caldo de galinha recomenda um planejamento a longo prazo para não cair em descrédito, não apenas internamente, mas também diante do eleitorado.

Wilder deixa a base para se candidatar ao Senado na chapa de Daniel Vilela por uma razão simples e direta: falta de espaço dentro da chapa majoritária da base aliada estadual. José Eliton, que assumirá o comando do Palácio das Esmeraldas na primeira semana do mês que vem, será candidato à reeleição. Ao seu lado restará a vaga para vice-governador. Para o Senado, pela ordem de preferência natural, experiência política e vivência partidária, as duas vagas para a disputa pelo Senado vão ficar com o governador Marconi Perillo e com a senadora Lúcia Vânia, presidente regional do PSB. Cada um deles terá duas suplências. A mais cobiçada é a primeira vaga de Marconi. Em dois mandatos consecutivos, os suplentes de Lúcia Vânia não sentiram o gostinho de saracotear sobre o imponente salão azul do Congresso Nacional. A não ser que se conte com uma hoje absolutamente improvável vitória dela para outro cargo, como a do governo do Estado, em 2022, os seus suplentes ganham os títulos, mas não levam o mandato. Isso, claro, se ela confirmar certo favoritismo que tem para as eleições deste ano.

Foi nesse jogo de meio-campo peso-pesado que o estreante Wilder Morais se meteu. E faltou a ele a tal experiência política e vivência partidária para se aproveitar dos momentos de instabilidade vividos pela candidatura de Lúcia Vânia dentro da base. O Palácio, entenda-se Marconi Perillo, fez a sua parte para que ele pudesse trabalhar a candidatura. Wilder não conseguiu se viabilizar internamente, permitindo assim uma recomposição de forças de Lúcia Vânia.

A pergunta que se faz sobre a aproximação de Wilder à candidatura de Daniel Vilela é sobre o que ele levará além do desejo de se candidatar ao Senado. Politicamente, as mãos dele estarão vazias. O PP, apesar de pressões que estariam ocorrendo a partir do círculo próximo do presidente Michel Temer, deve continuar na base aliada estadual. Wilder só vai carregar o que é dele: uma formidável capacidade financeira. Nesses termos, provavelmente não faltará dinheiro para bancar a candidatura ao Senado. Sozinho, Wilder pode bancar não apenas ele próprio como também outros nomes. Apesar disso, há limitações impostas pela nova legislação. E apesar disso, não se vislumbra nenhuma dificuldade de caixa na campanha de Wilder, o que tende a beneficiar também o próprio Daniel Vilela.

Lucro certo para o medebista, que finalmente cravou uma boa jogada na sua disputa pessoal com Ronaldo Caiado. Ele, que inicialmente não tinha nenhum candidato ao Senado, poderá ficar com dois nomes. Além de Wilder, também Vilmar Rocha. Seria uma chapa dos dissidentes da base. Sem os seus partidos, PP e PSD.

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Luciano Almeida

Dissidentes isolados dos seus partidos, desconhecidos de grande parte do eleitorado, motivados por projetos pessoais, personalíssimos – e disputando contra oponentes fortíssimos – Wilder e Vilmar são candidatos ao maior vexame eleitoral nas eleições ao senado por Goiás. Talvez aprendam que mandatos políticos são de “representação” – para além de si mesmo.