Por que políticos contra OS na educação não põem seus filhos em escola pública?

Você prefere que seu filho receba um ensino igual ao das escolas privadas, em unidade administrada com a mesma eficiência da escola privada, ou acha melhor uma escola sem essa mesma eficiência, mas administrada pelo governo?

Na foto Mauro Rubem Crédito: Renan Accioly

Mauro Rubem: seus filhos estudam ou estudaram em escolas públicas?

Cezar Santos

A ocupação de escolas públicas da rede estadual de Goiás suscita questões interessantes. Primeiro, uma pergunta a quem tem um ou mais filhos na escola pública: você prefere que ele receba um ensino igual ao das escolas privadas, em unidade administrada com a mesma eficiência da escola privada, ou acha melhor uma escola sem esta mesma eficiência, mas administrada pelo governo?

E nos dois casos, que fique bem claro, a escola continua gratuita para seu(s) filho(s).

Então, qual é sua preferência, pai ou mãe?

É essa a questão que está colocada na discussão sobre a implantação de organizações sociais nas escolas da rede estadual de ensino em Goiás. Como se sabe, está havendo ocupação dessas escolas — 22, até o final da tarde de sexta-feira, 18. Os ocupantes dizem que são contra as organizações sociais nas escolas, projeto que está sendo implantado pelo governo estadual.

Entre outras argumentações, os ocupantes afirmam que com as OSs os professores serão demitidos. E que, depois, o governo vai cobrar as mensalidades dos alunos.

Esses argumentos só podem ser ditos por quem não tem o mínimo de informações básicas sobre o que é o projeto do governo com as OSs na Educação. Essas entidades, que não podem visar lucro, vão fazer apenas a gestão das unidades.

As OSs nas escolas vão dar resolução rápida aos problemas rotineiros nas escolas. Problemas simples, mas que demandam tempo por causa da burocracia estatal, poderão ser resolvidos rapidamente. Como é hoje, para consertar algum equipamento ou fazer uma pequena reforma na escola, o processo é demorado. Não só pelas licitações, mas porque muitas vezes as empresas que não são contempladas entram com recurso e isso se estende por meses. As OSs terão autonomia e a responsabilidade de cuidar da infraestrutura.

Já a parte de ensino continuará com quem sempre esteve: a Secretaria de Educação. Currículo escolar, grade de disciplina, calendário, tudo isso continua com o governo. Os professores concursados, por sua vez, continuarão com suas vantagens funcionais, porque são direitos adquiridos que não podem ser tirados.

Mas os professores temporários serão contratados pela OS, que terá muito mais agilidade e facilidade para fazê-lo mediante processo seletivo e análise de currículo. Esses professores, depois de aprovados, serão contratados pela OS e regidos pela Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT), com todos os direitos trabalhistas.

Atualmente, os professores de contrato temporário ganham R$ 9 por hora/aula. Com a CLT eles vão ganhar R$ 15, praticamente o mesmo que os concursados recebem. O ganho salarial e a garantia de direitos representa mais qualidade no ensino.

As vantagens com as OSs são reais e só não vê quem não quer. Vários Estados e até o governo federal adotam as organizações sociais como cogestoras.

E aqui mesmo em Goiás há termos de comparação, com os hospitais da rede estadual, cuja gestão foi passada às OSs. Os hospitais rendiam manchetes negativas nos jornais diariamente, o que não acontece mais. O índice de satisfação dos pacientes nas unidades geridas por OSs raramente é menor que 90%.

É assim no Hospital Geral de Goiânia (HGG), nos Hospitais de Urgências de Goiânia e de Anápolis (Hugo e Huana) e outros. E o que dizer do Crer, um dos melhores hospitais de reabilitação do Brasil, considerado modelo pelo Ministério da Saúde? O Crer é gerido por OS desde sua fundação, há 13 anos.

Por isso chama a atenção outro aspecto. Políticos com mandato e sem mandato estão apoiando o movimento de ocupação das escolas. O sindicalista e ex-deputado Mauro Rubem, do PT, é um deles.

Mauro sempre se elegeu com o discurso da má qualidade da saúde em Goiás. Foi vereador e deputado estadual. Quando o governo adotou a gestão dos hospitais com as OSs, Mauro perdeu o discurso e não conseguiu se eleger.

Isso prova que falar mal da educação pública dá votos. Como falar mal da saúde pública dava votos a Mauro Rubem. Por isso, há interesse em que a educação pública continue deficiente. Se as escolas melhorarem, tem gente que perde voto.

Podemos entender que os políticos que são contra as OSs consideram que não é preciso mudar nada, porque acham que o ensino público está bom. Então a pergunta: se o ensino público é bom e não precisa mudar, por que eles não colocam seus filhos na escola pública?

Termino esse texto repetindo a pergunta inicial: pai ou mãe, você prefere que seu filho receba um ensino igual ao das escolas privadas, em unidade administrada com a mesma eficiência da escola privada, ou acha melhor uma escola sem essa mesma eficiência, mas administrada pelo governo?

 

2 respostas para “Por que políticos contra OS na educação não põem seus filhos em escola pública?”

  1. Avatar Elaine Noleto Barbosa disse:

    As OS ‘s se levadas a sério e sem o câncer da corrupção é o que há de mais moderno em termos de gestão administrativa. Além do que o Contrato de Gestão permite que se faça fiscalização rigorosa dos recursos geridos. Para isso basta elaborar um bom concurso de projetos e abrir a seleção para entidades de renome nacional
    . O Governo de Goiás também precisa pensar nas Os’s na cultura. Espaços como Oscar Niemeyer, Gustav Ritter, Martim Cererê seriam muito melhores se geridos por Organizações Sociais. Discusso retrógrado caro Mauro Rúben.

  2. Avatar Valdirene reis disse:

    Eles não coloca por que os próprios políticos são de péssimas qualidades essas escolas .

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