Por que Ciro Gomes pode terminar a corrida eleitoral à frente de Marina Silva

Um dos dois tende a disputar o segundo turno com Jair Bolsonaro

Ciro Gomes é um dos menos rejeitados e, ao mesmo tempo, com grande potencial de crescimento, segundo CNT | Foto: Edmar Teixeira/Divulgação

A mais recente pesquisa de intenção de voto para presidente, divulgada pela Confederação Na­cional dos Transportes (CNT), mostra Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) empatados tecnicamente em segundo lugar em um cenário sem o ex-presidente Lula da Silva (PT), com 9% e 11,2%, respectivamente.

Além disso, a pesquisa indica que o ex-governador do Ceará e a ex-senadora pelo Acre possuem o maior potencial de crescimento. Segundo o levantamento, 33,1% dos entrevistados disseram que podem vir a votar na presidenciável da Rede. O pré-candidato do PDT aparece com 31,7%. Mas Ciro Gomes leva vantagem em um outro quesito. Ele tem um dos menores índices de rejeição — 46,4% —, enquanto 56,6% declararam que não votariam em Marina Silva de jeito nenhum.

Ao que parece, os dois tendem a disputar uma vaga no segundo turno com Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas. Eles são os que mais herdam votos de Lula da Silva (PT), que está preso desde o dia 7 de abril em Curitiba e, por mais que há quem se recuse a aceitar, não será candidato a presidente do Brasil.

Em protesto, muitos petistas devem votar nulo ou branco, mesmo se o ex-presidente vier a apoiar algum candidato, independentemente de ser do PT ou não. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner — os mais cotados dentro do partido na ausência de Lula da Silva — não empolgam e registram baixíssimas intenções de voto nas pesquisas.

Outros, um pouco mais racionais, vão apoiar Ciro Gomes ou Marina Silva. Note-se que pré-candidatos do PT para o Legislativo insistem em bater na tecla da candidatura do ex-presidente. Enquanto isso, governadores petistas que querem se reeleger — como Fernando Pimentel, de Minas Gerais, e Rui Costa, da Bahia, além do cearense Camilo Santana — já sinalizaram apoio a Ciro Gomes, pois, neste caso, eles sabem que a aliança com um presidenciável consistente, ou que pelo menos não corra risco de ser impugnado durante a corrida eleitoral, é importante para as suas respectivas reeleições.

Em um partido nanico — a Rede — , Marina Silva dificilmente terá o apoio de uma legenda média ou grande e a estrutura partidária deve pesar durante a campanha | Foto: Antônio Cruz/ABR

Alianças
Assim, Ciro Gomes tem tudo para herdar uma fatia ainda maior do eleitorado órfão de Lula da Silva. Mas não é só o provável apoio de alguns governadores que deixa a candidatura do pedetista mais consistente que a de Marina Silva. A eventual aliança do PDT com o PSB também o fortalece e dobra o seu tempo de televisão — tem sido comentada a possibilidade de o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) ser o vice na chapa.

A saída de Joaquim Barbosa (PSB) da disputa eleitoral é outro fator que pode jogar a favor de Ciro Gomes. O ministro aposentado e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) vinha apresentando números importantes nas pesquisas e, caso as duas siglas realmente se unam, boa parte dos votos devem migrar para o pré-candidato do PDT, especialmente se Joaquim Barbosa subir no palanque de Ciro Gomes.

Ademais, vale ressaltar que o pedetista sai à frente de Marina Silva em razão do próprio partido ao qual são filiados. O PDT tem 20 deputados federais, três senadores, dois governadores e elegeu 335 prefeitos em 2016. A Rede, dois deputados federais, um senador, nenhum governador e cinco prefeitos eleitos dois anos atrás. Em uma campanha eleitoral, a estrutura partidária tem um peso muito grande. Somado a isso, frisa-se que Marina Silva dificilmente terá como vice alguém de um partido médio ou grande — por ora, as articulações não sugerem o contrário.

Geraldo Alckmin
Portanto, dos três primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto para presidente, é Ciro Gomes quem tem o maior partido, por mais que o PDT não seja um gigante da política brasileira atualmente. Isso porque Jair Bolsonaro é filiado ao PSL, que tem oito deputados federais, mas nenhum senador ou governador.

Em quarto lugar nas pesquisas, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) é de um dos maiores partidos do Brasil — 49 deputados federais, 12 senadores, quatro governadores e 803 prefeituras conquistadas em 2016. Mas não empolga. A pesquisa da CNT registrou uma queda do tucano de 3,3% — de 8,6% para 5,3%.

Parece surreal um ex-governador por quatro mandatos de um Estado como São Paulo ter pouco mais 5% das intenções de voto para presidente. Cabe lembrar que Geraldo Alckmin foi o único político da história brasileira a ter menos votos no segundo turno de uma eleição presidencial que no primeiro — no caso, em 2006, quando perdeu para Lula da Silva.

É claro que pesquisa, neste momento, não reflete o cenário de outubro. Até lá, muita coisa pode — e vai — mudar e a tendência é que Geraldo Alckmin cresça — resta saber se será suficiente para chegar ao segundo.

Muito se compara o pleito deste ano com o de 1989, principalmente em virtude da quantidade de candidatos. Naquele ano, Fernando Collor (PRN) venceu o primeiro turno com 30,47%. O segundo colocado foi Lula da Silva, com 17,18%, seguido de Leonel Brizola (PDT), com 16,51%.

Se a comparação valer também para a quantidade de votos, pode-se afirmar que, em 2018, talvez seja necessário ter entre 15% e 20% para ir ao segundo turno, índice considerado baixo para o histórico recente de eleições brasileiras.

Neste sentido, não há como descartar Geraldo Alckmin. A questão é que o tucano não tende a disputar o mesmo eleitorado de Ciro Gomes e Marina Silva. Tudo indica que a tarefa do ex-governador de São Paulo será a de tirar votos de Jair Bolsonaro.

Mais experiência

Na hora agá, o currículo dos candidatos pode valer para um eleitor ou outro decidir o seu voto. E Ciro Gomes tem mais experiência que Marina Silva, tendo sido chefe de Executivo por duas vezes. Veja como foi a trajetória pública de cada um deles:

Ciro Gomes
• Deputado estadual pelo Ceará (1983-1988)
• Prefeito de Fortaleza (1989-1990)
• Governador do Ceará (1991-1994)
• Ministro da Fazenda (1994)
• Ministro da Integração Nacional (2003-2006)
• Deputado federal pelo Ceará (2007-2011)
• Candidato a presidente do Brasil em 1998 e 2002

Marina Silva
• Vereadora de Rio Branco (1989-1991)
• Deputada estadual pelo Acre (1991-1995)
• Senadora pelo Acre (1995-2011)
• Ministra do Meio Ambiente (2003-2008, tendo se licenciado do cargo de senadora durante este período)
• Candidata a presidente do Brasil em 2010 e 2014

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Moacir Romeiro

Decidi-me ontem, após assistir a uma entrevista de Ciro Gomes: votarei neste candidato e levarei muitas outras pessoas comigo.

Caio vieira de macedo

Eu tanbem ja vi uma entrevista dele no “agora é com datena” e fiquei surpreso com tanta inteligência; ciro já deveria ser presidente faz tempo. mais agora o povo acordou. eu minha familia e amigos já decidimos CIRO GOMES PRESIDENTE.

uilma

ciro gomes é uma necessidade brasileira eleger este cidadão que fez da política algo bonito e mostrou que politica não é roubo e sim serviço ao paiís