Parque Mutirama: 50 anos de história e um reencontro sem data marcada

Crea acompanha todas as etapas da reforma e diz que foco é a segurança dos brinquedos. Prefeitura não quis se pronunciar

Foto: Fábio Costa | jornal Opção

A história do Parque Mutirama, localizado no centro da capital do Estado, mais precisamente entre as entre as Avenidas Independência, Araguaia e Contorno, mistura-se à própria história de Goiânia. O parque, que completa 50 anos em 2019, marcou a infância de muitos goianos e turistas, de todas as idades, que lotavam o local, principalmente aos finais de semana e feriados

Curiosamente, a obra foi inaugurada pelo atual prefeito Iris Rezende, em 1969, um pouco antes de o jovem gestor ser cassado pelo regime militar. Iris é novamente o prefeito da capital, mas, infelizmente, o parque que é apontado por muitos como a “menina dos olhos” do prefeito não tem o mesmo prestígio e importância de outrora. Na verdade, o Mutirama está fechado desde julho de 2017, após o brinquedo Twistter quebrar e deixar 13 feridos.

Reabertura

De lá pra cá, algumas datas de reabertura foram marcadas, descumpridas e remarcadas, mas a verdade é que o poder público segue com a atração fechada para o público e sem previsão de retorno. A Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul) contratou a Bellé Engenharia, empresa especializada para realizar um diagnóstico completo a fim de garantir a segurança dos brinquedos e evitar novos acidentes.

Na ocasião dos inícios dos trabalhos, em janeiro deste ano, foi dito que somente após a conclusão do laudo, a administração municipal seria capaz de definir uma nova data de abertura para o parque de diversões. No entanto, existe a expectativa – não confirmada pela Prefeitura de Goiânia – de conclusão e entrega ainda que parcial da obra no aniversário de 86 anos da capital, comemorado no mês de outubro. Procurada pelo Jornal opção, a a Prefeitura de Goiânia não informou o estágio atual das obras, mas confirmou que o laudo encomendado ainda não foi concluído.

No dia 21 de janeiro de 2019, o presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), Ronaldo Vieira, explicou que das 27 atrações, 16 já estavam prontas.  Apesar disso, o técnico responsável pelos serviços de diagnóstico e reparos dos brinquedos, Alisson Galvan Bellé, afirmou que a reforma completa demandaria um tempo considerável.  Essa informação é confirmada pelo Conselho Regional Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), que acompanha todas as etapas da reforma.

Em janeiro, a Prefeitura divulgou ainda que as obras já tinham recebido investimentos da ordem de R$ 2,3 milhões, já os valores atualizados não foram disponibilizados. Segundo a Agetul, independente do custo das obras o público não será impactado e não haverá alteração no valor dos ingressos, que continuará custando R$ 8 a meia entrada e R$ 16 a inteira.

Reforma

Um dos problemas enfrentados durante os trabalhos é a dificuldade em encontrar peças específicas para os brinquedos e mão-de-obra qualificada para o trabalho. Por isso, uma reabertura gradativa não está descartada. “Muitos brinquedos são da década de 70 e 80, não sendo possível encontrar o material necessário para fazer a substituição. Algumas peças estão sendo fabricadas e encomendadas no exterior”, explicou o presidente da Agetul.

As dificuldades em garantir a segurança, apesar das manutenções, fizeram com que brinquedos considerados “perigosos” não fossem reativados, como é o caso do Twistter. As catracas do parque também foram alvo de modificações para evitar fraudes, como as identificadas pelo Ministério Público de Goiás na Operação Multigrana, em que um grupo de pessoas foi indiciado pela falsificação de bilhetes e desvios de recursos do parque.

Foto: Fábio Costa | Jornal Opção

Crea

O presidente do Conselho Regional de Engenharia de Goiás (Crea), Francisco Almeida informou que engenheiros realizam um acompanhamento minucioso da reforma do Parque Mutirama, “para garantir a segurança em primeiro lugar”. Para o Conselho, a segurança é o foco e não o prazo de reabertura.

“Estamos acompanhando todos os passos desde o fechamento do parque, com a implantação dos novos aparelhos e reforma dos antigos. Todos os brinquedos terão um laudo atestando a segurança deles antes de abertura do local ao público. Não existe demora na reabertura, não adianta ter pressa para reabrir o Mutirama sem garantir a segurança da sociedade. O Crea não está interessado com essa questão de tempo, ou qualquer questão política. Testamos toda a parte mecânica e elétrica, parte estrutural e acessibilidade”, argumentou.

Segundo Francisco Almeida, o Crea só irá atestar a reforma quando todas as sugestões dos seus engenheiros forem acatadas e implementadas. “O Conselho está fazendo um diagnóstico total e muito responsável. Não só dos aparelhos, mas de toda a estrutura”.  Sobre prazos, ele também explica ainda que órgãos públicos dependem de dinheiro e burocracia. “Tudo será feito com muita tranquilidade. Não adianta fazer rápido e depois ter outro acidente. Tudo será testado várias vezes. Toda semana os engenheiros do Crea vão ao parque para fazer averiguações”.

Para o Crea, é possível que o Parque fique pronto até meados de julho, se não faltarem recursos e desde que não ocorra alguma intercorrência. “Está tudo normal, mas a responsabilidade é grande e estamos focados em garantir a segurança de todos que forem ao Mutirama”, disse Almeida.

Permissionários

Enquanto a reforma é realizada, a Prefeitura de Goiânia solicitou a saída dos comerciantes que atuam há anos no local e prepara uma licitação para 28 pontos comerciais no parque. Essa medida desagradou antigos permissionários, que reivindicam a permanência no local. O grupo foi à Câmara pedir que os vereadores ajudem a sensibilizar o prefeito Iris Rezende a priorizá-los neste processo.

Para o presidente da Casa, Romário Policarpo, a atitude da Prefeitura demonstra “descaso com as pessoas que estão ali há 40 anos a troco de um lote, isso nos causa estranheza”. Por isso, a Câmara Municipal de Goiânia irá acompanhar a situação. O vereador Lucas Kitão (PSL) também comentou o impasse com a Prefeitura. “A prefeitura unilateralmente definiu que faria uma nova licitação sem dar preferência para quem trabalhava lá”, disse o parlamentar.

Sobre a obra, Kitão diz que cobrou recentemente um posicionamento sobre o andamento da reforma. “Existe essa licitação de manutenção em andamento, a empresa tem trabalhado, mas o parque segue inacabado. Fizemos uma vistoria no final do ano passado e o próximo passo é um grande ato para questionar a demora na entrega do parque à sociedade”.

“O Parque Mutirama é a prova da incompetência dessa gestão, por se tratar da menina dos olhos da cidade e não estar sendo zelado pelo poder público. Essa é uma amostra da falta de gerenciamento do Paço, pois no final do ano passado já tínhamos mais da metade dos brinquedos funcionando e até agora não temos notícia da reabertura. Está tendo uma reforma mas o ritmo é extremamente lento. Até sugerimos a privatização para tentar dar celeridade e o cuidado que o parque merece”, finalizou Kitão.

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