O redimensionamento do peso político do legislativo

Em menos de um mês, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Vitti, conseguiu imprimir um novo estilo de relacionamento político com o Palácio das Esmeraldas

Troca de comando fez bem para a casa | Foto: Denise Xavier / Alego

Não é necessário ser um grande observador para perceber que há um novo dimensionamento do peso político do legislativo estadual em relação ao Poder Executivo. A troca de comando na Assembleia Legislativa, ocorrida dia 15 de fevereiro, portanto a menos de um mês, fez muito bem politicamente para a Casa. É claro que nos próximos dois anos haverá momentos de tensionamento, principalmente em 2018, quando acontecerá as eleições. De qualquer forma, o que se percebe é uma enorme pacificação interna, e o respeito aos espaços políticos dos deputados e deputadas. Os governistas encontram fácil interlocução com o Palácio das Esmeraldas, assim como os opositores mantém os posicionamentos naturais da função.

O que mais chama a atenção, porém, nem é exatamente a questão interna. Até porque isso interfere pouco ou quase nada em relação ao peso político do legislativo em sua eterna luta pelo equilíbrio com o Executivo. É nesse aspecto que a mudança no comando foi positiva. Não que o presidente anterior, deputado Hélio de Souza, tenha errado de alguma forma. O principal é a diferença de estilos e, principalmente, de disponibilidade política dentro da praticidade do diálogo.

Interlocutor ativo – A melhor constatação dessas diferenças se viu durante a viagem de negócios ao Oriente Médio. Se Hélio representava somente a cooperação política do legislativo na atração de novos empreendedores para o Estado, Vitti, que também é empresário, soube se portar também como homem ligado ao setor produtivo. Juntando assim as duas partes, estabilidade e apoio político em nível legislativo com o diálogo com quem entende por ser do ramo.

A atitude pró-ativa de Vitti durante os encontros com os investidores árabes impressionou toda a comitiva goiana – além do governador e do presidente da Assembleia, vários empresários estabelecidos em Goiás também abriram frentes de negociação por lá. Isso porque ele não se restringiu a atuar unicamente como representante do legislativo estadual, mas como interlocutor confiável e conhecedor das potencialidades econômicas do Estado.
Em termos de ocupação de espaço político dentro da base aliada estadual, Vitti também conseguiu inserção de forma privilegiada, inclusive junto ao principal líder desse grupamento, Marconi Perillo. Nas redes sociais, o governador chegou a divulgar um vídeo reconhecendo o papel desempenhado pelo parceiro como um interlocutor ativo. Certamente, isso deve gerar todo o efeito político de forma capilarizada dentro da base. A diferença criada é um quadro que inclusive altera substancialmente o critério das decisões da cúpula do grupamento como um todo. Agora, é inviável que essas decisões, atuais ou futuras, não inclua o legislativo estadual através do seu principal articulador e representante.

A base aliada bem que vai precisar, muito provavelmente, de uma liderança ativa e com espaço entre os deputados estaduais do grupamento. A disputa que se avizinha deve ser bastante intensa já que existem pretendentes de mais e vagas de menos. Em tese, a chapa governista deverá ser encabeçada por aquele que estará no comando do Palácio das Esmeraldas durante o processo eleitoral, leia-se vice-governador José Eliton, que tem inclusive trabalhado politicamente no interior da base para aumentar o seu cacife. O governador Marconi Perillo, se não emplacar candidatura nacional, à Presidência da República ou pelo menos uma vice, é candidato natural para o Senado. Resta, portanto, na chapa majoritária, somente a outra vaga de senador.

A lista até agora já é grande. A atual senadora Lúcia Vânia tem o domínio do PSB para bancar seu nome. Ela deve ser apoiada desde sempre pelo PPS, que está sob controle de seu sobrinho, o deputado federal Marcos Abrão. O mesmo ocorre com o senador Wilder Morais, presidente do PP regional. Outro presidente de partido, Vilmar Rocha, costura internamente para ser a unanimidade do PSD. Ele força a barra e pode perder pontos internamente quando fala que seu partido não tem compromisso com a base aliada para 2018. Por enquanto, é uma situação perfeitamente administrável. A deputada federal Magda Moffato, que controla o PR em Goiás, é mais um nome disposto a entrar nessa briga. Ou seja, a base tem hoje cinco fortes concorrentes lutando por um único espaço, a vaga de candidato ao Senado.

Isso significa que os aliados estaduais vão ter que se desdobrar na capacitação do diálogo político interno para evitar ou diminuir ao máximo possíveis divisões. Isso significa que interlocutores como Vitti vão ter essa tarefa pela frente já em meados do ano que vem. A unidade da base sempre foi a sua força. Uma ou outra dissidência é superável, mas a implosão total é outra história. Isso seria o maior sonho de consumo dos opositores para 2018.

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