O que fazer para melhorar o turismo no coração do Brasil

Projeto Brasil Central de Turismo visa levar empresas do Centro-Oeste para o Rio de Janeiro, para divulgar e valorizar o setor

Pousada Mandala I

Com seus diversos atrativos, o Brasil Central tem preciosidades como Pirenópolis, Chapada dos Veadeiros e São João: ótimas opções para o turista

“Às vezes, eu só quero descansar
Ver o sol se pôr vermelho

Acho graça
Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô
De novo”
Marcelo Camelo

Yago Rodrigues Alvim

Pousada Mandala Abade

Vez e outra, não bate aquela vontade de cair na estrada, aproveitar o vento que vem da janela, o cair da tarde, simplesmente viajar? Bate ainda a curiosidade de virar a esquina, descobrir um novo lugar, seja aqui mesmo, cidade próxima, ou outra lá do outro lado do mundo, não bate? Os domingos preguiçosos, feriados prolongados ou ainda as preciosas férias estão aí para se organizar e desfrutar do que no mundo existe: as flores e frutos, o canto de um bem-te-vi, a queda de cachoeiras, o ir e vir de ondas.

Dá para listar inúmeras outras maravilhas dispostas pelos quatro cantos do mundo. Muitas vezes, até o concreto brilha os olhos — só se lembrar de museus e bibliotecas e outras selvas de pedra vistas do alto de um prédio, quem sabe até muito bem acompanhado. Goiânia, ainda, e seus muitos barzinhos. A noite de São Paulo, o Rio de Janeiro.

Estardalharam em manchetes títulos e mais títulos da abertura das Olimpíadas 2016 que ainda se seguem na Cidade Maravilhosa. Como tema a identidade do povo brasileiro, e inegável foi e é a maravilhosa cultura e arte brasileira, que se vive ao descobrir cada lugar com sua história. E o turismo está aí para isso: para aproveitar o melhor do que vai muito além do recanto natal, onde quer que seja este lar.

O Abade

Já foi a Pirenópolis? Cá perto, a poucos quilômetros da capital goiana, o município é um centro histórico, verdadeira beleza de cachoeiras e vistas. De nome Tibor, o filho de Carlos Rombauer conta os fei­tos do pai. Foi em 1985 que ele e seus irmãos viram o feito do ho­mem, ao fazer da cachoeira de Abade o primeiro atrativo turístico da cidade.

“Assisti tudo”, diz Tibor

Presidente da Associação dos Atrativos de Pirenópolis, Tibor Rombauer carregou a tocha das Olimpíadas 2016 e diz que o momento é de organizar melhor o setor

Presidente da Associação dos Atrativos de Pirenópolis, Tibor Rombauer carregou a tocha das Olimpíadas 2016 e diz que o momento é de organizar melhor o setor

Empreendedor José Ruiz: “O Sebrae tem trabalhado na união dos empresários e mostrado que há muito a se fazer pela visibilidade de Pirenópolis e de outros atrativos da região país afora”

Empreendedor José Ruiz: “O Sebrae tem trabalhado na união dos empresários e mostrado que há muito a se fazer pela visibilidade de Pirenópolis e de outros atrativos da região país afora”

Depois de grande, ele se viu já com a carreira também na área. Com uma agência de turismo de aventura e ecoturismo, na cidade em que cresceu mesmo, ele trabalhou até voltar para Abade, quando reiniciou o trabalho com a já então reserva. Muito foi feito, diz ele, que exemplifica a melhora na infraestrutura e na organização de trilhas.

Há dois anos, ele e outros empresários da área deram início a Associação dos Atrativos de Pirenópolis, que inclui, além do Abade, outros seis atrativos da cidade. “Ainda que fossem os atrativos a coluna do turismo de Pirenópolis — e do Brasil, pois o nosso turismo é a natureza —, a prefeitura e a Secretaria de Turismo não tomavam iniciativa de ajudar a fomentar este turismo”, lembra.

A Associação visa a melhorar de todo o quadro; não só dos atrativos, como também de agências e guias e, ainda, do transporte. Visa ainda que todos trabalhem juntos e falem uma mesma língua. Segundo ele, os resultados já têm florescido: “Come­ça­re­mos a trabalhar com o voucher digital na cidade, por exemplo; estamos em teste, mas já no próximo ano deve valer oficialmente. Outra coisa foi o envolvimento com a prefeitura, que hoje é maior. Isso é fundamental ao nosso trabalho, pois nós, empresários, junto ao poder público podemos gerar empregos, dentre muitos outros pontos positivos”.

Tibor diz ainda da seccional goiana do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Em­presas, o Sebrae-GO. Ele conta que foi fundamental em todo trabalho o apoio do Serviço. “Já há um ano conosco, que temos varias dificuldades, tivemos consultorias e demais ações que mostram melhorias, muitas que até ainda virão, logo mais”, acrescenta.

Ações assim são fundamentais ao turismo, onde quer esteja. Pro­blemas de infraestrutura são só alguns da lista. E todos podem fazer algo, desde o vereador ao prefeito e até, ainda, a população, que tem de se envolver para que se inove e, cada vez mais, os resultados se mostrem, sejam sociais ou ambientais. “Pirenópolis, já há um tempo, é um nicho de turismo com muitos visitantes, e este o momento de mudar, de melhor organizar o turismo e isso será ótimo para toda a cidade e seus moradores.”

Mandala

Como Tibor, José Carlos Ruiz tem feito mais pelo turismo de Pirenópolis. Sua história começa há dez anos, quando decidiu se aposentar. Construtor, foi para Pirenópolis para levar uma vida mais tranquila. O sucesso foi tanto que ele, já dono da Pousada Mandala, empreendeu um novo atrativo, a chamada Chácara Ecológica Refúgio Avalon, ou só Refúgio Avalon.

Nela, mais de cem plantas medicinais serão resgatadas. Conta ainda com jardim sensorial, cachoeira, trilha pelo Cerrado, praça de reflexão e até uma capelinha, dentre outras atrações, conta Ruiz. Ele destaca ainda a pousada, que se localiza no centro antigo da cidade, parte já tombada. São 28 suítes, que têm uma excelente taxa de ocupação, mesmo na atual crise. Sucesso este que começou por iniciativa própria e empreendedora, uma vez que nunca tinha atuado no segmento turístico. “Satisfeito” é o balanço.

No entanto, tem “mas”, por aí. Segundo ele, infelizmente, o trading do segmento na cidade não é fortemente unido. “Existe esta falta, por parte dos empresários, para que Pirenópolis deslumbre os centros emissores. Hoje, trabalhamos com 80% de turistas de Brasília, estes que ficam poucos dias, um ou dois no meio de semana; já aos finais, as pousadas lotam, a cidade fica cheia. Preci­samos melhorar a ocupação fora sábados e domingo”, pontua.

Ele ainda diz da falta da Secretaria de Turismo, que poderia ser mais atuante e que ajudasse também a levar cidade a centros como o Nordeste e Centro-Sul, por exemplo; cidades como o Rio de Janeiro ou São Paulo, e ainda cidades interioranas de Goiás, com um setor primário que ainda sente menos a crise que os demais, e podem movimentar o turismo.

Ruiz também diz do Sebrae, que muito o ajudou. “Um parceiro que tem colaborado e trabalhado nessa união dos empresários; tem mostrado que, através de ativismos e instituições, melhora-se, e muito, a visibilidade da cidade por aí afora. Temos, inclusive, o projeto Brasil Central de Turismo, que nos leva para o Rio de Janeiro e outras capitais. E ainda na parte técnica, pois são diversos os cursos de aperfeiçoamento a garçons, camareiras, recepcionistas e demais profissionais. O Sebrae é um parceirão”, termina.

Brasil Central

Diretor técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal Le­mos explica um pouco do projeto que visa valorizar o turismo central pelo Brasil afora. Intitulado projeto Brasil Central de Turismo, pode também ser chamado de Negócios nas Olimpíadas 2016:

— O tema de abertura das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, destacou um tema que é afeto a todas as nações: a preservação e a sustentabilidade do globo. E a proposta alerta que a responsabilidade é de todos. Ter negócios sustentáveis, utilizando e preservando os recursos naturais, compõem a missão do Sebrae. E um dos nossos projetos voltado para o turismo tem, em sua essência, a atuação integrada da região Centro-Oeste garantindo benefícios à sociedade e aumentando o valor da marca das empresas participantes com sustentabilidade do turismo e do meio-ambiente.

As empresas participantes do projeto, que tem a participação de empreendimentos do Distrito Federal, de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estão no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas para mostrar o interior do Brasil e potenciais do setor. O turismo sustentável não leva em conta somente questões ecológicas, mas também aspectos culturais, econômicos e sociais.

O projeto Brasil Central Turis­mo tem como objetivo promover ações de sustentabilidade voltada para o desenvolvimento turístico re­gional e nacional. Dentre as ações, destacam a valorização de empresas que se preocupam em fomentar o turismo sustentável e o programa que atende o empreendedor individual, as empresas de pequeno porte e microempresas que atuam dos setores de serviços de turismo. Em Goiás, por exemplo, todos os interessados em conhecer e participar e ser beneficiados pelos projetos do Sebrae podem procurar um dos 12 Escritórios Regionais, acessar o site do Serviço ou ainda agendar um atendimento.

Nas Olimpíadas, o projeto segue até 28 de agosto. Entre 19 e 28 deste mês será realizado, no Barra Shopping do Rio, o “Negócios e Turismo”, um evento que conta com a participação dos Estados do Centro-Oeste mais DF, a fim de destacar os empreendimentos turísticos. No período de 24 a 26, também de agosto, acontecerá o encontro de negócios das empresas, que participam do projeto, com operadoras de turismo do Rio. E, no dia 24, será realizada ainda a visita de diretores do Sebrae Nacional junto ao diretores dos Estados para falar do assunto.

Analista do Sebrae-GO, An­dréa Santos Carneiro destaca que o projeto valoriza a sustentabilidade, a inovação e integração entre as empresas. “Queremos fortalecer o que temos nos destinos turísticos, que é o nosso patrimônio natural e cultural, o Cerrado, e procuramos passar isso junto às ações de sustentabilidade enquanto um diferencial no mercado. O turismo não para”, destaca.

Quanto à programação no Rio, a analista diz que é uma forma de promoção, divulgação e, ainda, de gerar negócios. E todos podem participar; já se tem uma média de 40 empresários que participarão do evento. São eles empreendedores individuais, empresas de pequeno porte e microempresas que atuam nos setores de serviços de turismo (hotéis/pousadas; agências e operadoras de turismo receptivo e emissivo; bares e restaurantes; atrativos turísticos; agentes da produção associada ao turismo; guias de turismo; empresas do setor de eventos; e transportadoras turísticas e empreendimentos de turismo rural).

Por fim, Andréa diz que o valor maior da proposta do projeto, além de resultados, é gerar praticas sustentáveis e ambientais — um olhar para dentro. “A valorização e preservação do Cerrado vem da existência de uma consciência, que é se ver enquanto empresa, enquanto alguém que atua, que vive no mundo, e fazer, portanto, algo maior por ele”, conclui.

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