Na 1ª batalha, Delegado Waldir defende protagonismo no partido e desarma ataque dos Bolsonaro

Presidente começa a articular tomada de poder do homem de frente da sigla, Luciano Bivar, tenta destituir deputado por Goiás e vê tática dar errado

Em queda de braço inicial com Bolsonaro, Delegado Waldir sai na frente. Presidente tentou colocar filho na liderança da bancada, mas sem sucesso | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção e Antonio Cruz/Agência Brasil

Em entrevista concedida ao Jornal Opção no início de março, o presidente estadual do PSL e deputado federal Delegado Waldir Soares já deixava evidente que o partido não esconde seus problemas internos dos eleitores. Toda a roupa suja seria lavada publicamente. E os primeiros áudios vazados do grupo de WhatsApp de integrantes da legenda no governo federal apontavam para um futuro incerto na consolidação da unidade na bancada da legenda na Câmara.

Só que a briga antecipada entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PE), obrigou os parlamentares a assumir um lado na disputa por poder em andamento no PSL. O Delegado Waldir optou por ser fiel ao homem de frente da sigla.

E é bom destacar que ao parlamentar goiano interessa demonstrar apoio irrestrito a Bivar pela posição que ocupa de presidente estadual na legenda. A construção e consolidação das pré-candidaturas de prefeito, vice-prefeito e as chapas de vereador valem mais para Waldir, no momento, do que arriscar tudo ao lado de Bolsonaro.

Ao perceber a movimentação do deputado por Goiás, o presidente da República tentou dar uma cartada importante. Mas a articulação para conseguir 27 assinaturas de parlamentares do PSL na Câmara e passar a liderança da bancada para as mãos do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), se mostrou um grande de um blefe. Ou uma tentativa sem analisar as cartas disponíveis no campo bivarista da disputa de poder na Casa.

Quando, na noite de quarta-feira, 16, o Delegado Waldir reagiu ao apresentar uma lista com 32 assinaturas, o apelo dos bolsonaristas foi para um discurso de traição ao presidente da República. Só que Waldir tem muito mais a perder do que o apoio do chefe do Executivo se ficar contra Bivar. E cobriu a cartada dos Bolsonaro. Ao menos naquela rodada. O presidente goiano do PSL mostrou que sabe jogar e tem apoio.

A força do bivarismo no partido voltou a ficar evidente na sexta-feira, 18, quando cinco deputados bolsonaristas foram suspensos pelo Diretório Nacional. Na prática, os parlamentares não podem assinar listas ou discursar como representantes do partido no Congresso, o que reduz a força do grupo de Bolsonaro momentaneamente na guerra pela tomada do poder no PSL.

Moderação
Como teve um áudio vazado de conversa com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, Felipe Francischini (PSL-PR), na qual chama o presidente da República de “vagabundo” e diz que iria “implodir” Jair Bolsonaro, o presidente estadual do partido é obrigado a recuar um pouco. Alegou momento de emoção. Deu até uma declaração infeliz: “Isso já passou. Nós somos Bolsonaro. Somos que nem mulher traída: apanha, mas mesmo assim volta ao aconchego”.

Fora a metáfora destrambelhada, que deveria ter preocupação em evitar comparações com crimes como a violência doméstica, Delegado Waldir saiu arranhado, chamado de traidor nas redes sociais pelos eleitores bolsonaristas, mas conseguiu manter a liderança do partido na Câmara e contou com o apoio de mais da metade da bancada do PSL na Casa. Na única declaração sobre o assunto que se permitiu dar ao Jornal Opção, presidente goiano da sigla disse: “O PSL continua firme e sob minha presidência no Estado de Goiás”.

Poderia causar preocupação a fala de Francischini no áudio vazado sobre uma possível articulação para realizar a fusão do PSL com o DEM chefiada pelo presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA). Mas, na mesma resposta, o Delegado Waldir tratou de negar o assunto. “Não. Não tem esse papo da fusão do PSL com o DEM”, declarou.

Na manhã de sexta-feira, Caiado foi para o Twitter dizer que o caso não existe. “A história de que participo de tratativas sobre fusão do DEM-PSL é mentira. Jamais tratei disso e não admito que usem meu nome. Não interfiro em questões internas de outros partidos e jamais tratei com quem quer que seja. Lembrem-se: sou aliado fiel de Jair Bolsonaro.”

As notícias que surgiram na manhã de quinta-feira, 17, davam conta de uma articulação de Rodrigo Maia com líderes das bancadas do DEM, PP e PL – o chamado Centrão – para tentar unir DEM e PSL assim que Bolsonaro – se isso ocorrer – deixar o partido de Bivar. Já a gravação na qual a voz de Francischini surge trata de uma fusão ligada a uma tentativa de fortalecimento do bolsonarismo com os deputados democratas.

Delegado Waldir, que não tem um histórico de fidelidade partidária com PSDB e PR, por onde passou antes do PSL, se mostrou um defensor do partido liderado por Bivar na batalha com Eduardo e Jair Bolsonaro. E o desentendimento nos bastidores, que parecem mais públicos do que internos, com o líder do governo na Câmara, o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO), voltou a ficar evidente.

O outro lado
Ao comentar a declaração de “vagabundo”, dita por Waldir contra o presidente Bolsonaro, o Major Vitor Hugo disse que houve muita infelicidade do líder da bancada da legenda na Câmara. “É uma manifestação extremamente infeliz. Mais um motivo que reforça a necessidade da mudança da liderança. Imagine o líder do PSL, que é o partido do presidente, fazendo uma manifestação expressa como essa contra o presidente. E ainda agindo de uma maneira expressamente desrespeitosa.”

Por enquanto, o líder do governo na Casa defendeu que estratégia é tentar novamente colher mais assinaturas do que as 32 da lista que manteve o Delegado Waldir à frente da bancada do partido na Câmara. “Não podemos ter uma liderança no PSL que desestabilize o jogo orientando, no plenário da Câmara, obstrução em uma pauta importantíssima como uma medida provisória que tinha possibilidade de caducar. Ou com a possibilidade fazer uma orientação contrária na comissão especial que trata da reforma dos militares.” Vitor Hugo insiste que a busca é por “estabilidade” no grupo de parlamentares pesselistas.

Por enquanto, o Delegado Waldir se aliou à ala bivarista, que mostrou ter mais poder do que o clã Bolsonaro no PSL. Mas é preciso aguardar os próximos capítulos da disputa, que não parece estar perto do fim.

Uma resposta para “Na 1ª batalha, Delegado Waldir defende protagonismo no partido e desarma ataque dos Bolsonaro”

  1. Dalmy Pedro disse:

    Delegado Waldir enterrou a carreira política com esse lance de ir contra o Bolsonaro !! Não ganha nem pra vereador mais…

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