Iris Rezende mantém Fátima Mrué e aumenta crise na Saúde

Vereadores goianienses insistem na substituição da secretária da Saúde, mas prefeito avisa que não vai atender. No meio do impasse, população é prejudicada

Vereadores da CEI da Saúde e prefeito Iris Rezende: os problemas são detectados, mas as soluções não aparecem | Foto: Reprodução

Demorou, mas a Pre­fei­tura de Goiânia, ainda que por via indireta, admite que a rede de atendimento de saúde municipal não está correspondendo. Isso é o que se pode deduzir quando as autoridades municipais afirmam que os problemas em Goiânia são causados por omissão da Secretaria Estadual de Saúde. Ou seja, a Prefeitura finalmente admite que há problemas, embora se isente da responsabilidade por eles.

Na outra ponta, os vereadores, especialmente a bancada oposicionista, que sempre discutiram abertamente a grave crise no atendimento, entendem que o maior problema está na incapacidade gerencial do sistema municipal. E dentro desse entendimento, a secretária Fátima Mrué é a peça errada fundamental.

Responsabilidades
Qual dos dois lados tem razão nessas alegações? É muito fácil perceber que a maior responsabilidade sobre o mau atendimento na rede municipal é mesmo de gerenciamento. Há denúncias de falhas por todos os lados, a começar pela troca de um software, que gerou muito mais problemas do que soluções. Pode ser uma questão pontual, de dificuldade inicial, mas não há como escapar desse fato.

Também existem reclamações sobre a regulação, especialmente no que se refere à falta de destinação em tempo hábil de leitos de UTI, que ficam vagos enquanto pacientes graves e com recomendação médica se acumulam sobre macas e leitos nos postos de atendimento da rede municipal. Uma maior agilidade nesse caso não é somente recomendável, mas absolutamente indispensável e urgente. Isso sem levar em conta denúncias que nada têm diretamente a ver com médicos, enfermeiras e suturas, como a espantosa cifra torrada para manter uma sucateada frota da Secretaria de Saúde. A mera troca de secretário poderia resolver essas questões? Automati­camente, é óbvio que não.

Secretária Fátima Mrué: falta capacidade política para o cargo| Foto : Wictória Jhefany / Câmara Municipal

O nível chegou a um ponto tão crítico que será necessário mexer na própria estrutura funcional da pasta. Não é possível apontar qualquer solução que não passe, por exemplo, pelo aumento do efetivo profissional de ponta, como médicos, enfermeiros e auxiliares. Em muitos Cais, o trabalho importantíssimo de triagem acaba sendo realizado por esforçados, mas não mais do que isso, funcionários recepcionistas.

Em relação à responsabilidade do Estado, há questões apontadas pela Prefeitura que fazem algum sentido e outras sem pé nem cabeça. Autoridades municipais de Goiânia reclamam que grande parte da população busca tratamento de saúde na capital, sobrecarregando a rede. Isso é verdade, mas esse atendimento que não é feito no interior e recebe atenção em Goiânia tem dois aspectos. Em primeiro lugar, a Prefeitura recebe verbas federais para acolher essa demanda extra. Por fim, se há falhas nas cidades do interior, a acusação deve ser dirigida aos prefeitos, e não ao Estado, responsável pelo atendimento de pacientes que demandam alta complexidade — e custos de tratamento idem. Até pela razão mais óbvia de todas: pacientes com diagnóstico de emergência médica — que necessitam de pronto atendimento sob risco de morrer em algumas horas ou talvez menos — não passam pelos Cais. Eles vão diretamente para o Hugo e Hugol, em Goiânia, ou para os demais hospitais da rede localizados em municípios estratégicos.

Na Secretaria de Saúde de Goiânia há quem entenda que os grandes hospitais estaduais devem ser abertos para o atendimento universal. É uma insanidade que não encontra respaldo em nenhum profissional da área. Era dessa forma que o sistema trabalhava antes do atendimento especializado nas emergências ser implantado no Estado, e era um caos absoluto. O Hugo, por exemplo, recebia uma multidão que mofava até a morte em cima de macas nos corredores sem possibilidade de atendimento. Em um Cais bem equipado e resolutividade compatível, eles seriam muito melhor atendidos.

Há um autêntico cabo de guerra entre a Prefeitura e os vereadores em relação ao comando da Secretaria de Saúde. Não se questiona o currículo da secretária Fátima Mrué. O pano de fundo da crise provavelmente tem outra motivação, derivada de dois pontos. Primeiro, a falta de capacidade política para o exercício de tal função pública. Por último, e muito mais importante, a falta de dinheiro. Enquanto a crise de caixa da Prefeitura não for solucionada, nenhum setor estará imune. Independentemente de ser este ou aquele o comandante setorista.l

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ziro

O problema não é da subordinada é do prefeito, a solução é simples, demissão sumária, é só isso. Há, mas tem alguns que fala que o judiciário é comprado, também demite, privatiza, reduza os impostos, é assim que funciona um Estado Moderno, chega de choradeira, de imprestáveis, de preguiça, agem……………..