Goiânia, Anápolis e Aparecida se tornaram indispensáveis

Após sofrerem mais uma derrota para o governo do Estado, a quinta consecutiva,
e elegerem menos deputados, opositores dependem das três principais Prefeituras de Goiás

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Goiânia, Aparecida e Anápolis: os três maiores colégios eleitorais goianos são dominados pela oposição. Continuará assim após 2016? / Fernando Leite/Jornal Opção/Prefeitura de Anápolis/Divulgação

 

Afonso Lopes

Murphy reina absoluto nas hostes oposicionistas em Goiás. Ano após ano, eleição após eleição, e tudo o que poderia acontecer de ruim tem se confirmado. Em 2010, muitos imaginavam que a oposição havia batido no fundo do poço. Agora, em 2014, descobriu-se que o buraco era ainda maior. Além de mais uma derrota na disputa pelo governo do Estado, os opositores também perderam terreno nas bancadas de deputados federais e estaduais. E o ciclo negativo ainda não parece estar devidamente fechado. Um dos 12 deputados estaduais oposicionistas sobreviventes, num grupo que chegou a sonhar com 14 votos nas principais disputas em plenário, anunciou que vai se tornar independente, o que o foi entendido como o primeiro passo para a completa transposição dele da bancada oposicionista para a governista.

Será que ainda falta mais alguma coisa para piorar ainda mais o triste quadro oposicionista?
Aparentemente, pelo menos agora a coisa deve ficar mais ou menos como está. Isso, claro, entre aqueles que detém mandato. Há fortes ondas de boatos nos meios políticos que indicam nas direções de Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi. Principalmente em relação ao primeiro, que não teria mais tantas restrições em conversar amistosamente com o governador Marconi Perillo, conforme revelou gente de sua confiança. Em jogo, a eleição de Goiânia, em 2016.

Sobrevivência

As situações do PMDB e do PT, que capitaneiam as oposições em Goiás, são complicadas. Em Aparecida de Goiânia, o prefeito Maguito Vilela já foi reeleito em 2012 e não poderá ser candidato novamente em 2016. Será um baque legal. Se pudesse disputar o cargo, é quase certo que venceria de novo. Mas não pode, e por isso terá que indicar e apoiar alguém que nem de longe tem a sua popularidade. Em Goiânia, Paulo Garcia também foi reeleito em 2010 e, assim, mesmo que consiga recuperar prestígio popular, não será candidato.

A situação oposicionista mais tranquila, neste momento, é em A­nápolis. Por lá, o prefeito João Go­mes, do PT, não é a quase unanimidade como o ex-titular, An­tô­nio Go­mide, mas tem navegado com relativa tranquilidade. Ele é can­di­da­to à reeleição. Isso, de cara, o torna favorito. A oposição a ele, re­presentada pela base aliada estadual, não tem grandes nomes po­ten­cialmente competitivos, mas de­ve apostar no recém-eleito deputado federal Alexandre Baldy, do PSDB. Ao estrear nas urnas, ele foi o segundo mais votado na cidade, com quase 30 mil votos. Rubens O­toni, veteraníssimo nas urnas, somou pouco mais de 55 mil votos. Para um estreante, o desempenho de Baldy foi o suficiente para credenciá-lo.

Se a coisa não está boa para os opositores, se perder em Goiânia, Aparecida e Anápolis ficará muito pior. Em 2014, apesar do desastre praticamente total das oposições nas urnas do Estado, o governador Marconi Perillo não conseguiu vencer nessas três cidades, que somam juntas mais de 30% de todo o eleitorado goiano. Então, para manter alguma chama minimamente acesa para 2018, quando Marconi não poderá se candidatar à reeleição, os opositores não podem nem pensar em perder em qualquer uma das três.

Base desunida

A esperança oposicionista é que a base aliada estadual tem setores que andam ultimamente francamente mau humorados. Não chega a ser um ensaio geral de grande dissidência, mas também não se pode fechar os olhos como se nada tivesse acontecendo. Parte dos descontentes está em plena ressaca por terem sido derrotados nas urnas no ano passado.

Outra parte amarrou a cara porque a reforma administrativa promovida pelo governador Marconi Perillo para dinamizar a administração estadual podou inúmeros espaços. Como o governo ficou menor, é óbvio que não cabe todo mundo no patamar mais alto.

Nada indica, porém, que esses desencontros na base aliada sejam estruturais. Parece ser coisa conjuntural, que deve se acomodar com o andar da carruagem administrativa. Um ou outro pode até se bandear para fora do ninho tucano, mas seria muito complicado um desembarque na oposição, que também não tem se entendido plenamente. Seria escapar do espeto para cair na brasa. O máximo que deve acontecer, se acontecer, é uma troca de partido dentro da própria base aliada.

Diante de tudo isso, já se pode prever que as disputas em Goiânia, Aparecida e Anápolis vão ser épicas como talvez nunca foram. Para os opositores, é questão de sobrevivência. Para a base aliada, vencer nesses redutos oposicionistas é multiplicar as chances de mais uma vitória em 2018. E, desta vez, sem Marconi na cabeça da chapa.

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