Estudo mostra as tendências e as demandas de negócios em Goiás para até 2020

 As oportunidades são baseadas nas necessidades e nos anseios dos consumidores goianos 

Empresária Sibelle Okano: nicho em pet shop voltado especialmente para gatos gera 30% de lucro Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Empresária Sibelle Okano: nicho em pet shop voltado especialmente para gatos gera 30% de lucro Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Thiago Araújo

O empreendedor que de­se­ja aumentar suas chan­ces de sucesso deve conhecer as tendências do mercado e compreender como elas podem contribuir na tomada de decisão dos negócios e/ou na definição de diferenciais competitivos para os negócios já existentes. Foi pensando assim que há três anos a advogada ambientalista Sibelle Okano inaugurou em Goiânia um pet shop inovador, a Vila Felícia – uma loja que mais parece uma boutique do que pet shop tradicional, onde os felinos têm um dia dedicado exclusivamente a eles, com padrão de atendimento nunca visto antes no Brasil.

No entanto, antes de colocar em prática as ideias inovadoras para o mercado pet, Sibelle Okano procurou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Se­brae-GO), que a ajudou na formatação do projeto. “Sempre fui uma grande criadora de gatos e percebia que os pet shops eram dedicados massivamente aos cães. Por isso, decidi criar um lugar que propiciasse conforto aos animais e aos proprietários, com clínica médica 24 horas por dia, salão de beleza e um horário exclusivo para os gatos, com mimos especiais e pequenos macetes, como banho quente, paticure [tratamento especializado no cuidado das patas], sistema padronizado de música e aromas que conquistassem o olfato dos animais”, descreve.

Ao lado do Sebrae, a advogada e empreendedora descobriu que os fatores que impulsionavam essa tendência eram as seguintes: o maior número de pessoas nas grandes cidades, a melhoria da renda, o aumento de casais sem filhos e a evolução da medicina veterinária tornando possível controlar e erradicar doenças. “Através de uma pesquisa mercadológica, descobrimos que os bichinhos eram considerados parte da família e que seus proprietários o tratavam como filhos. Então criamos um ambiente onde o conforto é o sobrenome. O ‘dia do gato’, por exemplo, também se tornou uma referência, pois as empresas descobriram um canal de comunicação direto com o consumidor”, disse Sibelle Okano.

Manoel Xavier: “Estudo é uma referência de negócios que vai até 2020”

Manoel Xavier: “Estudo é uma referência de negócios que vai até 2020”

O diretor superintendente do Sebrae Goiás, Manoel Xavier Ferreira Filho, salienta que para abrir ou ampliar o próprio negócio, o empresário deve ter uma visão de futuro como Sibelle e deve considerar, sobretudo, o cenário econômico, social, empresarial e ter um bom plano: “Tais fatores vão contribuir para que ele chegue às decisões mais assertivas para o sucesso do seu empreendimento. O Sebrae no Estado oferece ao público serviços de atendimento presencial e virtual, consultoria, capacitação, missões técnicas empresariais, dentre outros, e complementa seu leque de serviços com publicações, estudos e pesquisas”.

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Em agosto deste ano, o Sebrae Goiás divulgou um vasto estudo identificando as tendências e as oportunidades de negócios para o Estado nos próximos seis anos. A pesquisa apontou 18 macrotendências que apresentam 78 atividades de negócios promissoras. “Mostra­mos no estudo as maiores oportunidades para quem quer empreender ou inovar seu empreendimento, de forma estratégica”, conta Manoel Xavier.

Inclusive, o mercado pet é umas das principais tendências realçadas na pesquisa. Os números deste mercado são impressionantes. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), em 2011 havia 101,1 milhões de bichos de estimação, sendo a maioria de cães, com cerca de 36,8 milhões, seguido por gatos, com 21,8 milhões. O mercado pet faturou mais de R$ 15 bilhões em 2013, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, que desenvolve três vezes mais do que o ritmo de crescimento da economia brasileira.

Os alimentos (pet food) respondem por 69% de participação financeira deste segmento, seguido por serviços com 16%, medicamento veterinários 8% e equipamentos e acessórios com 7%. Segundo a Abinpet, a especialidade mais buscada é a de tosador, com 51,28%, seguida pela de banhista, com 16,23%. Por fim, a procura é por veterinários, adestradores e recreacionistas, como tratador e auxiliar de veterinária.

O negócio de Sibelle Okano deu tão certo que a empresária viaja pelo País palestrando e concede entrevistas aos mais variados veículos da imprensa sobre a inovação e humanização no tratamento de animas de estimação. Além disso, a empreendedora afirma crescer 30% ao ano: “E isso devemos ao padrão de atendimento e ao ‘dia do gato’, que conquistou de maneira absoluta os consumidores, tanto que registramos essa criação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial [Inpi], como propriedade intelectual”.

Atualmente, ao lado de consultores do Sebrae Goiás, a empresária elabora a consolidação de uma franquia – que também é uma das 18 macrotendências apontadas pela entidade – voltada para gatos. “Estamos em Goiás lançando um serviço inovador para o mercado de felino nacional. E devemos acentuar que, cada vez mais, os proprietários de animais de estimação, de todas as classes sociais, estão dispostos a comprar brinquedos, roupas, produtos e comida. Contudo, os pet shops devem ser mais que pet shops”, acredita Sibelle Okano.

O futuro e as tendências

Foi pensando no futuro e nas tendências que há dez meses, os irmãos Leonardo Santana, de 28 anos, e Leopoldo Santana, de 32, investiram em um setor que cresce acima do Produto Interno Bruto (PIB) do País: a construção civil. A empresa dos irmãos, que é uma franquia com sede em São Paulo, tem a especialidade na manutenção rápida de imóveis. “Já alcançamos resultados bem positivos. Temos um escritório no Setor Oeste, contamos com cinco técnicos e fazemos trabalhos de hidráulica, acabamento, condomínios, tudo com horário agendado”, explica Leopoldo.

Um dos diferenciais da Dr. Faz Tudo é a segurança para o cliente. Ao assinar o contrato, Leopoldo explica que a franquia é obrigada a cumprir com o que está escrito. Emitem, inclusive, nota fiscal dos serviços prestados. Por ser legalizada, a unidade não consegue competir com autônomos na questão de preço ao consumidor. No entanto, é possível pagar pelos trabalhos com cartão de crédito, de forma prática e confiante.

Um dos diferenciais da Dr. Faz Tudo é a segurança dos clientes; empresa emite nota fiscal dos serviços prestados Foto: Edmar Wellington

Um dos diferenciais da Dr. Faz Tudo é a segurança dos clientes; empresa emite nota fiscal dos serviços prestados Foto: Edmar Wellington

Na última década, as franquias apresentaram um crescimento médio de 12,3%. A inclusão do setor nos estudos de tendências se deve a sua abrangência, incluindo diversos setores considerados promissores. São negócios para os mais variados públicos, necessidades e capacidade de investimento.

“Não são modismos”

Gerente de estratégias Camilla Carvalho: tecnologia influencia todas as áreas  Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Gerente de estratégias Camilla Carvalho: tecnologia influencia todas as áreas Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Em entrevista ao Jornal Opção, a gerente de gestão de estratégias do Sebrae Goiás, Camilla Carvalho, ressalta que as tendências não são modismos, mas fatos baseados na realidade mercadológica do Estado. “O estudo visou entender os clientes goianos e, desta forma, descobrimos mercados que não tendem a diminuir. Uma das maiores disposições são os supermercados de bairro, porque hoje em dia as pessoas vivem apressadas e optam por fazer suas compras próximo as suas residências, com mais conforto e comodidade.”

Ainda de acordo com Camilla Carvalho, outro mercado em expansão é o de busca espiritual. O Brasil está passando por uma transição de uma sociedade essencialmente católica para uma mais diversificada. É mais do que a migração da religião católica para a evangélica, apontada por um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2011, é a busca das pessoas por uma forma de crença que mais se adapte aos seus valores. “O crescente interesse por esse mercado traz consigo um público fiel que consome variados produtos, como livros, discos e bíblias”, enfatiza.

Segundo o “Novo mapa das religiões” realizado pela FGV, houve uma queda dos números de féis da Igreja Católica. Em 1970, por exemplo, havia 91,8% de católicos e 5,2% de evangélicos. Em 2009, os números passaram para 68,4% e 20,2%, respectivamente. O número de pessoas que se declaram sem religião também cresceu, passando de 0,8% a 6,7% neste mesmo período de tempo.

As oportunidades de negócio apontadas pelo Sebrae Goiás para setor são: retiros espirituais, bares gospel, comercialização de CDs, DVDs, livros de conteúdo espiritual e confecção, além das camisetas com estampas personalizadas e mensagens que professam a fé, os empreendedores podem investir no vestuário da mulher cristã, que segue um estilo de “vida com bom senso, discrição e decência”, contudo, sem afastar das tendências da moda. “Afinal, toda mulher gosta de se sentir bonita”, afirma Camilla.

A internet

Outro setor que é uma fonte inesgotável de opções e possibilidades é do internet e da conectividade, que para Camilla Carvalho influencia todas as áreas do mercado. Desde o desenvolvimento da internet no Brasil, nos anos 90, e a sua posterior popularização, motivada inicialmente pelos e-mails e sites de bate-papo, a forma como o mundo se relaciona mudou completamente. Agora, é possível se comunicar a um custo mínimo com qualquer pessoa, comprar quase todo tipo de produto, desde uma pizza até um apartamento – ou pelo menos iniciar o seu processo de compra.

Segundo o estudo do Sebrae, alguns fatores observados intensificam o poder desta tendência: número cada vez maior de idosos conectados; acesso de pessoas cada vez mais jovens; são 24 horas por dia, 7 dias por semana de oportunidades de fazer negócio ou levar informações ao consumidor; aumento da conexão das pessoas em redes digitais/sociais; empoderamento do consumidor.

Criada em 2012, a Entregaweb é uma empresa online que facilita as compras do dia a dia e, além do site, disponibiliza aplicativos para smartphones que utilizam os sistemas Android e iOS. A empresa é uma das primeiras em Goiás a oferecer a entrega de produtos alimentícios e de conveniência em casa, o chamado delivery. O site possibilita que muitas empresas, algumas ainda fora da internet, possam oferecer seus produtos, por meio de uma plataforma única e sem investimento extra. Além disso, permite que uma gama maior de clientes seja atingida, e sistematiza os pedidos de forma rápida e eficiente, pois a entrega dos produtos é feita pelo próprio estabelecimento.

Outros mercados

O mercado single é composto por pessoas que moram sozinhas. Para o IBGE elas são as chamadas unidades domésticas unipessoais. De acordo com o Instituto, a composição deste grupo é diversificada, sendo formada por jovens que deixaram a casa dos pais para mais tarde poder formar uma família com um cônjuge, ou por pessoas que se divorciaram, que podem se casar novamente, viúvas e viúvos, e, finalmente, também por pessoas que viveram a maior parte de suas vidas sozinhas. Segundo o Sebrae, em Goiânia o número de residências com apenas um morador cresceu 84% nas duas últimas décadas.

O mercado de alimentação especial tem tido grande desempenho nos últimos anos

O mercado de alimentação especial tem tido grande desempenho nos últimos anos

De acordo com dados da Macroplan, empresa brasileira de consultoria em cenários prospectivos, o consumo das pessoas que moram sozinhas vem crescendo em média 6% ao ano. Elas são responsáveis por 40% do aumento das vendas de produtos práticos e em porções individuais. O setor alimentício, por exemplo, já vem experimentando essa tendência. No primeiro quadrimestre de 2007, os supermercados já apresentaram uma elevação de 8% nas vendas de alimentos semi-prontos e congelados em relação ao mesmo período do ano passado.

O estudo do Sebrae também afirma que existe um aumento da procura por serviços e produtos direcionados a mercados (públicos) específicos e que estes têm trazido resultados significativamente consolidados e crescentes. Existem inúmeros nichos de mercado, mas os que foram escolhidos para aprofundamento têm tido grande desempenho nos últimos anos e boas perspectivas para os pequenos negócios. São eles: o mercado para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, mercado plus size, alimentação especial e o mercado para portadores de necessidades especiais.

O mercado LGBT, por exemplo, é um segmento que apresenta elevado dinamismo. Segundo a Macroplan, dentre aqueles que se declaram homossexuais, 36% estão na classe A, enquanto 47% estão na B e 16% na C. Trata-se, portanto, de um público dotado de elevado poder aquisitivo, gastando mais do que 30% em relação aos heterossexuais.
Algumas características deste público: consumidores exigentes, bem informados e que pagam bem por um bom produto ou serviço. Como a maioria é solteira e não tem filhos, o seu comprometimento financeiro fixo é mais baixo. Para atendê-los não é necessário se colocar como empresa com atendimento exclusivo, e sim como uma empresa que aceita a diversidade. Mas se preferir, o empreendedor pode abraçar realmente este público e direcionar seu negócio principalmente para ele, como restaurantes, bares, casas noturnas e pousadas.

As oportunidades identificadas no estudo do Sebrae Goiás são baseadas nas necessidades e nos anseios que os consumidores goianos demonstram. Segundo o diretor superintendente do Sebrae Goiás, Manoel Xavier, a envergadura dos números das pequenas empresas e mercados específicos é representativa e transforma os cenários econômico e social do País, pois juntas somam 99% do total de empresas formalizadas e empregam mais de 16 milhões de profissionais. “Os empreendedores individuais já somam 172 mil somente em Goiás. Neste contexto, o Sebrae atua com a perspectiva de fomentar a criação de um ambiente mais favorável para geração de oportunidades de negócios e estimular o surgimento, a ampliação e a diversificação, além de difundir o empreendedorismo como um estilo de vida.”

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