Empreendedores recorrem ao Sebrae para driblar crise na pandemia

Após a flexibilização das restrições em Goiás, o órgão tem servido de propulsor para os pequenos empreendedores que amargaram no prejuízo

Élita Ferreira contou com o suporte do Sebrae para lançar sua própria marca de cosméticos | Foto: Arquivo pessoal

Desde que foi decretada, a pandemia do novo coronavírus parou o mundo, literalmente. Do início do ano para cá, ações de restrição e fechamento do comércio foram aplicadas na maioria esmagadora dos países afetados pela covid-19 com o objetivo de conter a propagação do Sars-CoV-2.  No Brasil, as medidas restritivas foram adotadas pelos governadores e prefeitos desde o mês de março, sendo o Estado de Goiás pioneiro.

Nos 5 meses em que Goiás teve os estabelecimentos de atividades consideradas não essenciais de portas fechadas, empresários dos mais variados setores amargaram numa crise histórica. Mesmo com a flexibilização das restrições, determinada no mês de julho, muitos tiveram que recorrer às linhas de crédito liberadas pelos governos federal e estadual, nem sempre conseguindo, devido à apontada dificuldade de acesso. Outros tentam se reinventar e se adaptar para continuar de portas abertas.

Foi nesse cenário de receio do “recomeço pós-restrições” que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Goiás, o Sebrae Goiás, decidiu lançar a campanha Sebrae Novo Ritmo. Como já sugere o título, a iniciativa do órgão tem como foco os empreendedores afetados pela pandemia e que, agora, precisam conferir aos seus negócios um “novo ritmo” para recuperar o tempo e dinheiro perdidos.

De acordo com o órgão, a campanha, que teve início na última segunda-feira, 14, oferece até 70% de desconto para pequenas empresas em consultorias pagas e tem o objetivo de viabilizar ao empreendedor “acesso à informação e capacitação e, consequentemente, torná-lo mais competitivo no mercado na retomada das atividades pós-pandemia”.

Derly Fialho, diretor-superintendente do Sebrae Goiás | Foto: Divulgação/Sebrae

Para o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Derly Fialho, a campanha Sebrae Novo Ritmo chega em um momento em que o empreendedor reabre suas portas e recoloca o uniforme. “Com a ampliação da flexibilização, a gente quer ajudar o empresário que está recomeçando”, explica. Fialho relata que o Sebrae, que implementou e ampliou os atendimentos online durante a pandemia, mantém essas opções que, agora, ficam inteiramente à disposição do empreendedor.

“Ele vai ter a opção no Sebrae de fazer treinamento online, de buscar conhecimento 24 horas por dia e vai ter uma coisa muito importante que a gente lançou nessa campanha, para as chamadas pequenas empresas: elas vão ter um bônus de 70% naquelas consultorias que têm custos, para que fique acessível e elas possam ter a melhor orientação para reposicionar o negócio”, destaca o diretor, em referência ao Sebrae Novo Ritmo.

Os temas abordados na campanha são: Negócios Digitais, Controles Financeiros, Redução de Custo, Fluxo de Caixa, Vendas, Formação de Preço, Cuidados Pós-Covid, Melhorias de Processos, Websites e Planejamento.

Para usufruir dos benefícios da campanha, basta que o empresário ou empreendedor acesse o portal do Sebrae ou entre em contato pelo 0800 570 0800 e detalhe sua demanda.

Adesão ao atendimento online

Devido aos protocolos de segurança sanitária contra o coronavírus, durante meses o Sebrae Goiás teve que suspender seu atendimento presencial e contar somente com o online. O presencial já retornou, mas o online parece ter caído no gosto dos empresários que procuram o órgão.

“O Sebrae foi muito rápido na atuação porque já tínhamos um bom domínio da tecnologia. A gente já praticava muitas coisas como cursos EaD, já estava experimentando consultoria à distância. O que aconteceu: acelerou”, detalha o diretor.

Fialho revela que o atendimento à distância, digital, teve um crescimento de 70% ao longo do período da pandemia. De acordo com o diretor, a adesão por parte dos empresários foi totalmente ampla. “Andamos investigando de forma não oficial de que anda perto de 50% as pessoas que gostariam que continuar sendo atendidas à distância. É bem expressivo o número de empresários e empreendedores que viram nesse modelo um modelo fácil de acessar, custo zero, praticamente, e que trouxe resultado pra eles”, ressalta.

O efeito Sebrae

A campanha Sebrae Novo Ritmo existe há apenas uma semana, mas o sistema de colaboração e auxílio à pequena empresa prestado pelo órgão, através de palestras, cursos, orientações, parcerias e consultorias, existe há décadas.

A artesã Alda Assis, de 59 anos, é um exemplo disso. Alda atua em Goiânia há 9 anos na confecção de acessórios femininos com material orgânico. A profissional  conta que conheceu os serviços do Sebrae e usufrui deles desde 2012. De acordo com ela, foi graças às orientações e informações obtidas junto ao órgão que conseguiu construir seu próprio negócio.

Alda Assis, artesã | Foto: Arquivo pessoal

“Eu comecei do zero. Se não tiver um suporte de algum órgão, de algum lado, não vai pra frente, não tem como, e o Sebrae sempre foi parceiro meu. Eu acho que eu devo hoje o meu trabalho a ele, não vejo de outro jeito, porque todas as informações que a gente precisa pra alavancar o negócio, todo o suporte, eles têm”, afirma.

Como costuma vender seus produtos em feiras, Alda foi largamente prejudicada este ano pelos efeitos da pandemia, uma vez que, durante meses, a realização de feiras foi suspensa no estado. “Imagina o tamanho da rasteira que eu levei”, comenta. Entretanto, o suporte do Sebrae mais uma vez entrou em cena e Alda conseguiu, inclusive, usar a pandemia para expandir seus horizontes.

“Como o Sebrae ensina a trabalhar a parte do financeiro, alavancar as redes sociais, isso pra mim foi o melhor, porque nesse desespero meu de pandemia, consegui agilizar um site, que eu já tinha sonho. Foi seguindo as orientações da Sebrae e foi fantástico. Até hoje eu estou colhendo o investimento”, comemora.

Conhecimento e alicerce

Há 30 anos no ramo da Estática, Élita Ferreira, de 51 anos, mostra orgulho das conquistas que obteve na profissão. Élita, que tem um salão de beleza, conseguiu, há três anos, lançar sua marca própria de cosméticos, a Élita Brazil. Todavia, nada disso teria sido possível, segundo a profissional, sem o suporte do Sebrae.

Élita, que reside em Aparecida de Goiânia, conta que recorre às orientações do Sebrae há anos e desenvolveu uma parceria mais sólida com o órgão desde o lançamento da sua marca. A profissional da beleza relata que o ramo no qual atua “não é muito ligado à gestão”, mas foi graças às orientações e consultorias que ela descobria a importância desse fator para o negócio. “A gestão é de suma importância e eu dou muita atenção a isso, a essa parte, depois que o Sebrae me orientou”, diz.

Élita Ferreira posa com produtos de sua marca própria | Foto: Arquivo pessoal

O negócio de Élita também foi outro severamente atingido pela pandemia e seus efeitos. A profissional conta que conseguiu o auxílio do governo federal que paga parte do salário do funcionário, mas foi o conhecimento adquirido nos cursos do Sebrae que a manteve com as portas abertas.

“O Sebrae fez uma parceria com o Mulheres do Brasil e, há dois anos, teve um curso de gestão 6 meses para 50 empresárias em todas as áreas: financeira, marketing, comercial. Quando eu fiz esse curso, eu ganhei uma base, um alicerce pra esse momento de agora”, conclui.

Próprio negócio

A profissional em Tecnologia da Informação (TI) Nara Rúbia, de 49 anos, atua na área há cerca de 20 anos. Mesmo sendo um ramo altamente requisitado, a crise veio e Nara acabou ficando desempregada. A vontade de ter seu próprio negócio cresceu e acabou acontecendo.

Há 4 meses, Nara trabalha para si mesma em casa, em modo home office. A profissional oferece suporte a software, consultoria e treinamento e, indo contra a maré, Nara revela que tem sido imensamente beneficiada na pandemia.“Essa área de TI foi muito beneficiada, porque com a pandemia os funcionários passaram a trabalhar de casa e esse ramo cresceu muito”, relata.

Nara Rúbia tem seu próprio negócio há 4 meses | Foto: Arquivo pessoal

O sucesso, assim como o próprio negócio, começou quando, sem nenhuma informação sobre como abrir e manter um MEI (registro de microempreendedor individual para trabalhadores informais), Nara recorreu ao Sebrae. Foi junto ao órgão que a profissional de TI descobriu os benefícios do registro e pôde colocar no mercado a sua atuação.

“O baixo imposto do MEI ajuda quem está começando porque é muito baixo, e o Sebrae tem muita informação para quem está querendo abrir um MEI. Foi lá que eu busquei conhecimento para abrir o meu”, arremata.

 

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