Em meio à crise, recursos para obras nos municípios dá alívio a prefeitos

Lançado no final de março, programa que prevê investimentos de R$ 9 bilhões no Estado é avaliado como iniciativa de quem soube fazer o dever de casa na hora certa e tem condições de ajudar cidades goianas em momento de crise

Parte dos investimentos de R$ 9 bilhões do Goiás na Frente será aplicada na recuperação de rodovias estaduais | Mantovani Fernandes

Augusto Diniz

“Em meio à maior crise vivida pelo nosso País, quando o Brasil ficou 10% mais pobre, o Estado de Goiás demonstrou ao Brasil como administrar com criatividade.” A declaração feita pelo governador Marconi Perillo (PSDB) no dia 9 de maio em evento de lançamento do programa Goiás na Frente em Ipameri, na Região Sudoeste do Estado, mostra que, ao menos no discurso, a gestão tucana mostra confiança no pacote de investimentos anunciado no final de março.

Dos R$ 9 bilhões incluídos nos recursos que serão utilizados pelo Goiás na Frente, cerca de R$ 6 bilhões virão dos cofres estaduais e outros R$ 3 bilhões da iniciativa privada. Há espaço também para recursos da Caixa Econômica Federal (CEF) em áreas como habitação junto à Agência Goiana de Habitação (Agehab), com contrapartida dos municípios.

Paulo do Vale (PMDB), prefeito de Rio Verde, diz que todo recurso é bem-vindo para atender demandas municipais | Foto: Divulgação

Mas talvez a iniciativa mais interessante do programa seja o anuncio de destinação de R$ 500 milhões que serão repassados aos 246 prefeitos de municípios goianos para atender necessidades de cada cidade. O valor mínimo do dinheiro enviado será de R$ 1 milhão por município. Mas como isso possível em um momento de crise econômica?

Além dos investimentos em infraestrutura, com a reestruturação de rodovias, saúde, educação, habitação, ciência, tecnologia, inovação e conclusão de obras consideradas importantes pelo governo, houve a opção por dar liberdade aos prefeitos em escolher onde aplicar recursos do Goiás na Frente em suas cidades. Isso somado a aplicação de, por exemplo, mais de R$ 240 milhões para a saúde em 13 obras que atenderão principalmente o interior do Estado. Entre elas estão os Centros de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeqs).

“Esse programa tem dois papéis fundamentais. Um deles é o investimento maciço nas obras mais estruturantes como as rodovias e outras como o Centro de Convenções de Anápolis”, avalia o deputado federal Thiago Peixoto (PSD). O outro fator de importância descrito pelo parlamentar é a iniciativa de descentralizar os recursos de forma suprapartidária pelo governo estadual. “O prefeito, ao receber o dinheiro, tem condição de dar maior movimentação para a economia local. E ele pode também escolher de fato qual é a demanda mais aguardada a ser atendida pela população do município.”

Na visão de Peixoto, o momento não poderia ser melhor para anunciar e começar a repassar esses recursos. “O que o governo faz não tem outro Estado fazendo. O ajuste nos dois primeiros anos feito por Goiás mostra agora que foi uma medida necessária. O próprio nome do programa mostra a situação do Estado”, destaca o pessedista.

Como governador, Marconi não poderia ter outra atitude a não ser a de tratar os prefeitos com equilíbrio. Essa visão do deputado é reforçada por ele ao afirmar que o tucano entende que ele é governador de todos independente de partidos.

Deputado federal Thiago Peixoto (PSD) diz que programa é importante na descentralização dos recursos | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Atender demandas

Entendimento compartilhado com o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (PMDB), que afirma ser esse o momento de não olhar com diferença recursos vindos de qualquer esfera pública, seja do governo federal ou estadual repassado aos municípios. “Uma gestão não tem lado político. As demandas dos municípios são muito grandes. E o recurso destinado a Rio Verde resolve parte das nossas demandas.”

Em Rio Verde, a opção foi por investir os recursos que serão repassados diretamente à prefeitura na infraestrutura, com recapeamento e pavimentação de ruas e avenidas. Com dez parcelas de R$ 600 mil, a cidade receberá do Goiás na Frente R$ 6 milhões. “Que outros programas como esse aconteçam”, diz Paulo do Vale.

Prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho (PSDB) destaca perfil municipalista do governador | Foto: Divulgação

Hermano de Carvalho (PSDB), prefeito Aruanã, explica que a região do Vale do Araguaia inclui 17 cidades no programa foi anunciada em uma reunião “concorrida e bem aceita”, com a participação de todos os gestores municipais. “É um recurso importantíssimo. Os municípios atravessam situação de penúria”, declara. Será destinado a Aruanã cerca de R$ 1 milhão para a mesma aplicação escolhida por Rio Verde.

“Marconi é um sujeito municipalista, sempre atento às dificuldades dos prefeitos.” Hermano destaca que cidades da regional de Aruanã no programa como Faina, Britânia e Nova Crixas, administradas por prefeitos do DEM, e Araguapaz, de gestão peemedebista, foram atendidas e incluídas no Goiás na Frente. “Só lamento que não aconteça uma ação dessa a cada mês”, brinca o prefeito peessedebista.

Para o deputado federal Giu­sep­pe Vecci (PSDB), a aplicação dos recursos do Goiás na Frente será a conclusão de um ciclo antecipado pelo governador de evitar um impacto maior da crise econômica e ter feito sacrifícios que valeram a pena. “Marconi tomou medidas drásticas. Agora abriu-se o momento da colheita desses recursos poupados.”

Sobre o que Vecci define como republicanismo de Marconi, o deputado tucano afirma que o Brasil está cada vez mais voltado às demandas da população. “Mes­mo a Dilma, de forma pífia, atendeu às demandas de Goiás, que tem um governador do PSDB.”

Os prefeitos serão acompanhados na aplicação dos recursos. “A liberação dos recursos é gradativa, dividida em parcelas. É preciso prestar contas dos serviços realizados para receber o restante do dinheiro”, explica Vecci. O deputado lembra que Goiás vive hoje uma realidade diferente de outros oito Estados brasileiros.

“Eles não fizeram o dever de casa na hora certa. Durante a Marcha dos Prefeitos na semana passada muitos prefeitos de outros Estados comentavam ‘não temos um programa como o Goiás na Frente’. Mais uma prova de que era preciso ter coragem para fazer o ajuste quando ele deveria se feito”, observa. A explicação de Vecci é bem parecida com as de Marconi no início do mês em Ipameri: “Tudo isso foi possível porque nós conseguimos fazer um plano de ajuste e de austeridade, economizando e maximizando os recursos do Governo do Estado”.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.