Eleição de 2022 passa pela estratégia dos grandes cabos eleitorais

O sofisticado mecanismo de conexão entre pré-candidatos, prefeitos e vereadores, se tornou mais relevante para as eleições

As articulações e costuras feitas durante a campanha eleitoral de 2020 já tinham como pano de fundo a disputa de 2022. Os partidos organizam a vida política antes e depois das eleições e exercem um papel-chave na relação dos municípios com os estados e a União. Assim, parlamentares e gestores de todas as esferas do poder público, acabam por possui correlação e influência eleitoral em projetos de seus aliados.

O sofisticado mecanismo de conexão entre os diferentes níveis de poder é relevante para qualquer projeto eleitoral. Desde a redemocratização e com mais força desde a Constituição de 1988, os prefeitos são responsáveis pela implementação de importantes políticas públicas, como as de saúde e educação. Essas demandas municipais resultam em uma articulação interpartidária entre governadores, deputados estaduais, federais e os prefeitos. Assim, a busca por obras e recursos para os governos locais, refletem em dividendos eleitorais.

Nas eleições municipais se manteve as relações já costumeiras entre deputados e candidatos a prefeito. À medida que os parlamentares apoiam os seus candidatos para os municípios, posteriormente, os prefeitos endossam os seus deputados. Mas em 2020 houve uma forte conexão entre os que postulavam cargos nos executivos municipais e o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) –  este se fez presente nas articulações e construções de palanques municipais.

A ligação entre governador e candidatos estava na construção de alianças e na definição dos melhores nomes naquele momento para estar nas urnas. Passo fundamental para arregimentar apoio que lhe será retribuído em 2022.

A lista é das cidades-chaves para a estratégia eleitoral deste ano. Mas não se finda aí. As 226 cidades que somam os 40% dos votos também são valorizadas. Lideranças presentes nestas cidades detêm neste período pre-eleitoral uma agenda intensa junto a candidatos a deputados e, claro, governadores. Em uma campanha para o governo do Estado, ter prefeitos e vereadores ao lado é a garantia de que os eleitores daquela cidade estarão mais dispostos e receptivos em relação às propostas do candidato — é sinônimo de palanque amplo. Outro ponto importante é que, ao consolidar a base de apoio em uma determinada região, o reflexo instantâneo é minar as forças do candidato concorrente entre aquele eleitorado, ou seja, reduzir o palanque do oponente.

“Na estratégia eleitoral é preciso levar em conta a política que é feita no dia a dia. Essa é implementada pelos prefeitos e levada pelos vereadores. São eles grandes cabos eleitorais porque são eles que influenciam diretamente os eleitores. Estamos falando de um trabalho de formiguinha que influencia no resultado final de uma eleição”, avalia o cientista político Guilherme Carvalho. 

Na opinião do analista, todo e qualquer candidato precisa costurar redes de apoio que extrapola as alianças entre as legendas partidárias. É baseado nas relações e apoios firmados em momentos anteriores as eleições ou perspectivas para após os resultados das urnas, que se estabelece interlocutores que ampliam a capilaridade eleitoral dos candidatos nas chapas majoritárias. 

Articulações com lideranças municipais garante vantagens eleitorais

A busca pela reeleição coloca Ronaldo Caiado em vantagem em relação aos demais pré-candidatos. As relações administrativas e as costuras feitas com a participação pessoal ou de emissários do governador, lhe renderam boas alianças.

No principal colégio eleitoral, a capital Goiânia, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) manifestou apoio a reeleição de Ronaldo Caiado. Ao dizer que estará ao lado do governador na campanha, o chefe do Executivo municipal soma peso a campanha da chapa caiadista, inclusive, favorecendo a aliança de seu partido com a base de apoio de Caiado. Em suma, todo candidato a governador quer contar com apoio do gestor capital do Estado.

Em Aparecida de Goiânia o cenário é mais complexo, já que o pré-candidato Gustavo Mendanha (Patriota) cumpria o segundo mandato como prefeito na cidade. Ele deixou a Cidade Administrativa, mas ainda exerce forte influência na gestão. Ainda assim, parte da Câmara Municipal tem se aproximado de Ronaldo Caiado, deixando as lideranças na cidade divididas. 

Já em Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral do Estado, o prefeito Roberto Naves (pP) manifesta apoio a reeleição de Caiado desde 2021. Para exemplificar o poderio dos prefeitos em uma campanha eleitoral, coube ao prefeito de Anápolis a costurar a reaproximação do Progressista com a base caiadista. Outro ponto que pesará, é que há fortes nomes anapolinos que se lançarão para deputados estaduais e federais, estes, com tendência a se alinharem a Caiado.

Em Rio Verde, importante polo eleitoral da região sudoeste, a história também favorece o governador. Paulo do Vale (UB), prefeito de Rio Verde, deixou o palanque da oposição, em 2018, para apoiar a eleição de Ronaldo Caiado ao governo de Goiás. Em 2020, foi reeleito com o governador em seu palanque.

Outra demonstração de influência entre prefeitos e candidatos ao governo é Diego Sorgatto, prefeito de Luziânia. Ele trocou o PSDB para ingressar no DEM, hoje União Brasil, com apoio do governador Ronaldo Caiado, foi eleito com votação expressiva, em 2020. Ter o Diego como aliado é estratégico para uma região como o Entorno.

O avanço da base governista no entorno do Distrito Federal tem um significado muito forte para 2022 — a região era reduto de Marconi Perillo (PSDB), que tinha como estratégia usar o que restava de prestígio do PSDB no Entorno para liderar a oposição. “O governador cumpriu os compromissos das principais áreas que se comprometeu, como o combate à criminalidade, avanço e interiorização da saúde, combate sistemática à corrupção, programas sociais de amplo alcance e obras de infraestrutura que estão começando a remodelar, reformular e reestruturar as rodovias do estado. Claramente não há um sentimento de mudança do estado, pelo contrário, um desejo, de que o governador possa continuar e aí nos próximos quatro anos”, expõe Diego Sorgatto. 

O apoio de Trindade também é simbólico. O prefeito Marden Junior, embora esteja no Patriota, mesmo partido que o pré-candidato Gustavo Mendanha, já acertou apoio com Ronaldo Caiado. Ele e o ex-prefeito de Trindade, Jânio Darrot, lideram um grupo de dissidentes dentro da sigla, que não vão caminhar com o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia. Estrategicamente, o apoio de Marden Junior a Caiado, reduz os espaços do principal adversário. 

Fernando Pellozo, do PSD, é prefeito de Senador Canedo, e recebeu apoio do governador em sua campanha em 2020. Em suas declarações, ressalta realizado parcerias administrativas com o estado. Mais um forte cabo eleitoral.

O prefeito de Campos Verdes e presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Haroldo Naves, concorda que a parceria com prefeitos e líderes municipais é uma costura política que vai além das alianças partidárias. Ele aponta que ao ter uma relação positiva entre as gestões, os prefeitos acabam trabalhando pela continuidade. 

“Os prefeitos conseguiram executar projetos e avançar em seus planos de governo com apoio do governador. Com isso, adquiriram credibilidade com o eleitor. Isso agora retornar em um trabalho junto aos eleitores. Os prefeitos são cabos eleitorais fantásticos”, diz Haroldo Naves.

Uma resposta para “Eleição de 2022 passa pela estratégia dos grandes cabos eleitorais”

  1. parabens perfeito ronaldo caiado orgulho de goias e meu amigo de infancia janio darrot e nossa trindade

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