Educação se reestruturou para novas demandas do ensino

Investimento em tecnologia para possibilitar ensino híbrido e ajudas de custo para professores comprarem dispositivos tecnológicos são algumas das ações tomadas durante pandemia

Após aprovação de reajustes salariais para professores e servidores da Rede Estadual de Educação, o investimento do atual mandato na área chegou a R$ 1,7 bilhão. O levantamento é do Palácio das Esmeraldas e inclui reformas, construções de unidades, compra de equipamentos, uniformes e alimentação. Além do funcionamento regular dos programas de governo, a aplicação de recursos na área foi intensificada pela necessidade da retomada das aulas presenciais. 

Atualmente, as escolas da Rede Estadual de Educação que têm mais de cem alunos funcionam com 50% da capacidade. Na última reunião do Centro de Operações de Emergências (Coe) em Saúde Pública de Goiás para Enfrentamento ao Coronavírus, se verificou que os indicadores pactuados para retorno às aulas presenciais foram alcançados. O Coe concluiu que, com a proporção atual de vacinados, as escolas são um ambiente seguro para receber os estudantes – contanto que os protocolos de biossegurança sejam seguidos (uso de máscara e distanciamento físico de um metro).

A secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, afirma que a partir do próximo mês, o pagamento aos servidores e professores que não se vacinaram será suspenso (com exceção daqueles que justificaram formalmente a não-vacinação por razões médicas ou religiosas). São cerca de 600 trabalhadores da educação sem imunização e sem justificativas.

A expectativa é receber de 70% a 80% dos alunos presencialmente em sala de aula nos próximos meses. Algumas atividades continuarão sendo cumpridas no formato remoto ou híbrido, mas avaliações serão realizadas apenas presencialmente. “Agora, esperamos responsabilidade das famílias dos alunos, que devem colaborar com a presença dos estudantes em sala de aula”.

A secretária de Estado de Educação comenta que os jovens encontrarão escolas muito diferentes daquelas que deixaram em 2020. “A secretaria não parou: aproveitamos o período de atividades reduzidas para executar o projeto junto à Enel de instalar R$ 11 milhões em painéis solares de forma que devemos chegar a mais de duzentas escolas sustentáveis em 2022. Além, é claro, da reformulação do sistema de ensino. O Ensino Médio nunca mais será o mesmo. Não abriremos mão do modelo híbrido entre ensino à distância e presencial. É realmente uma nova escola.”

Com o objetivo de auxiliar funcionários a adquirir equipamentos de tecnologia, a Secretaria Estadual de Educação foi autorizada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) a pagar ajuda de custo ao pessoal do Magistério e administrativo, em parcela única.  Para bancar o benefício, serão disponibilizados R$ 120 milhões. Serão contemplados professores e servidores lotados na Pasta, efetivos e titulares de contratos temporários. Pelo decreto, a ajuda de custo, neste ano, será paga até o último dia útil do mês de dezembro e, em 2022, até o último dia útil do mês de junho. 

“Esse tipo de ação já aconteceu no passado”, comenta Fátima Gavioli. “Queremos que servidores e professores possam investir em smartphones, notebooks, câmeras e microfones para ajudar em suas aulas on-line”. Funcionários receberão o benefício de acordo com suas cargas-horárias. Além do auxílio para equipamentos, há o repasse de R$ 100 desde o começo da pandemia para professores contratarem planos de internet, além de disponibilização do sinal de wi-fi para funcionários e alunos.  

“Queremos que servidores e professores possam investir em smartphones, notebooks, câmeras e microfones para ajudar em suas aulas on-line”, diz secretária da Educação | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ainda neste mês, foram empenhados R$ 144 milhões para a compra de computadores Chromebooks que beneficiarão 60 mil estudantes. Em setembro, houve a entrega de dispositivos portáteis de visão artificial OrCam MyEye a estudantes da rede estadual. Ao todo, foram adquiridos pelo estado 68 equipamentos, que irão atender a todos os estudantes cegos da rede estadual, com um investimento de cerca de R$ 500 mil.

Também foi criado o programa Internet Patrocinada, para garantir acesso de alunos carentes à rede, com investimento de R$ 4,3 milhões. “O programa Internet Patrocinada consiste em um sistema de cobrança reversa, no qual o Governo de Goiás irá custear o consumo de dados móveis dos estudantes no aplicativo NetEscola. Dessa forma, os estudantes poderão acessar gratuitamente conteúdos didáticos, videoaulas e listas de atividades no aplicativo, avaliações, entre outros”, diz Fátima Gavioli.

Valorização dos professores 

A partir de outubro, o governo realizará o reajuste do salário de professores. Em 11 de setembro de 2021, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou um projeto de lei do governo estadual que reajusta o salário dos professores P1, P2, do quadro transitório e com contratos temporários em 4,52% de seus vencimentos. Já para professores P3, P4 e servidores administrativos, efetivos ou com contratos, o índice acrescido nos salários será de 7,20%. 

Neste mês de setembro, 325 processos que tramitavam na Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) referentes a diversos anos foram finalmente liquidados. Com recursos no valor de R$ 548,6 mil, o Governo de Goiás quitou mais um lote de diferenças que vêm sendo pagas desde o início de 2019.

De lá pra cá, os pagamentos já somam R$ 56,1 milhões, saldando 29.646 processos requeridos por trabalhadores da Educação. O pagamento de novos lotes deve continuar ainda nos próximos meses até que todos os processos, devidamente constituídos e regularizados, sejam saldados. Alguns dos processos já pagos se arrastavam desde 1996, há 25 anos.

Resultados

O último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mensurado é o de 2019. De acordo com o indicador, a rede pública estadual goiana ocupa o primeiro lugar no ensino médio, com a nota de 4,7 (a média nacional é de 4,2). Fátima Gavioli acredita que a pandemia modificará radicalmente os dados, mas tem confiança que Goiás permanecerá entre os estados que lideram a relação. “Pesquisadores afirmam que voltamos pelo menos quatro anos na qualidade de ensino. Mesmo assim, em Goiás, vimos professores muito aguerridos durante a pandemia. Talvez o esforço dos profissionais mantenha a qualidade da educação”, diz Fátima Gavioli.

No Colégio Estadual Alvino Pereira Rocha, na cidade de Rio Verde, o Ideb observado para o Ensino Médio em 2017 foi de 3,8 (um pouco abaixo da meta estipulada para a escola de 4,0). Em 2019, entretanto, o colégio ultrapassou a meta chegando a 4,6. De acordo com o gestor da unidade, João Bosco, o indicador não deve cair em função da pandemia. ELe conta que o colégio foi inteiramente reformado, inclusive com cozinha totalmente reequipada.

Entrada do Colégio Estadual Alvino Pereira Rocha, de Rio Verde | Foto: Reprodução

Alvino Pereira Rocha foi um dos colégios contemplados com R$ 5,9 milhões em reformas dos programas Reformar Goiás, Equipar e Programa Estadual Dinheiro Direto na Escola (Pró-Escola). Ao todo, foram restauradas 715 escolas estaduais de 220 municípios goianos. As escolas selecionadas foram indicadas pelas coordenações regionais de Educação (CREs), conforme a necessidade das unidades.

Segundo João Bosco, o colégio recebeu R$ 330 mil do Pró-Escola para a reforma total do prédio, incluindo as salas de aula, banheiros, pátio, estacionamento, calçadas (com instalação do piso tátil) e muro. Já em recursos do Programa Reformar, estão sendo investidos R$ 32 mil em obras na cozinha e na secretaria do colégio. Ao mesmo tempo, novos equipamentos devem ser adquiridos com os recursos do Programa Equipar, que destinou R$ 122.500 (capital) e mais R$ 35 mil (custeio). 

“A cozinha vai receber aparelhagem nova, com fogão, freezer, espremedor industrial, liquidificador, panela de pressão e armários”, revelou o gestor da unidade. João Bosco afirmou ainda que as obras em andamento contemplam as necessidades de adequação da escola, que atende 1.560 alunos e 71 servidores em três turnos diários. “Em 37 anos de concurso na Educação é a primeira vez que vejo tanta verba chegar para esta escola, em um só ano”, destacou. Além dos investimentos atuais, o Colégio Estadual Alvino Pereira Rocha recebeu 8 novos computadores para o laboratório de informática, 2 projetores, 3 impressoras e 2 equipamentos de ar-condicionado no ano passado.

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