É impossível ter segurança e privacidade na internet

Nada na rede mundial de computadores é inviolável ou está livre de rastros. O maior exemplo do ano é o caso da atriz vencedora do Oscar Jennifer Lawrence, que teve fotos íntimas publicadas na web por um hacker

Frederico Vitor

Os perigos da internet vão além de vazamento de dados pessoais, expostos a bilhões de pessoas ao redor do mundo

Os perigos da internet vão além de vazamento de dados pessoais, expostos a bilhões de pessoas ao redor do mundo

A Internet se tornou o maior meio de difusão e troca de dados conhecidos até hoje. Pessoas tem necessidade de compartilhar ideias, pensamentos e até mesmo ações diárias na rede, o que pode terminar mal se o usuário não tomar alguns cuidados. Isso porque simplesmente não existe segurança e privacidade na rede mundial de computadores. O simples ato de informar dados pessoais para efetuar uma compra em um site de vendas é tão vulnerável quanto deixar as portas ou janelas de casa abertas para qualquer um entrar.

O fato de bilhões de internautas conectados à rede estarem expostos a todo tipo de ameaça tem assustado especialistas em segurança, administradores de redes e provedores de internet. Recen­te­mente, a atriz americana ganhadora do Oscar pelo filme “O Lado Bom da Vida” e estrela da série de filmes “Jogos Vorazes”, Jennifer Lawrence, teve fotos íntimas publicadas na internet após um hacker roubar e postar as imagens na rede. Fotos de outras dezenas de atrizes, modelos e atletas também foram postadas na web, mesmo que a autenticidade de algumas delas não tenha sido confirmada.

Atriz Jennifer Lawrence teve fotos íntimas divulgadas por hackers

Atriz Jennifer Lawrence teve fotos íntimas divulgadas por hackers

As primeiras suspeitas são de que o material de Jennifer Lawrence tenha sido obtido por um ou mais hackers que exploraram uma falha do sistema de armazenamento de arquivos em nuvem da empresa Apple, chamado de iCloud. O serviço atua de maneira bastante simples: os usuários postam arquivos em um servidor online de grande capacidade, possibilitando seu acesso por meio de qualquer produto da Apple conectado à internet. O procedimento tornou-se bastante popular por dispensar o emprego de discos rígidos de aparelhos para guardar dados, possibilitando maior economia de espaço.

Porém, como qualquer outro serviço disponível na internet, a tecnologia não está imune a vulnerabilidades. Paradoxalmente às facilidades, o caso do vazamento de fotos íntimas de Jennifer Lawrence confirmou os riscos no qual milhares de internautas estão suscetíveis. Com o avanço dos smartphones, muitos deixaram de acessar a internet pelo computador de mesa e passaram a navegar pelo telefone celular. Entretanto, as ameaças que antes estavam nos PCs também migraram para os dispositivos móveis. Assim, falar de segurança total na internet hoje é impossível. É mais fácil dizer onde há menos insegurança.

Segurança inexistente

Mas, afinal, a legislação brasileira protege a privacidade dos cidadãos que utilizam a rede? Há um artigo (5º, inciso X) na Consti­tuição Federal que assegura a privacidade, visto que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas”. Outro artigo (60, parágrafo 4º, inciso IV), veda qualquer emenda constitucional que promova a abolição de direitos e garantias individuais.

Contudo, apesar do Bra­sil assegurar o direito à privacidade em sua Constituição, a maioria das empresas que operam os mais variados serviços na internet, cujos servidores estão localizados nos Estados Unidos, não respeitam a Carta Magna brasileira. Recentemente foi aprovado nos Estados Unidos o projeto de lei conhecido como Cispa — Cyber Intelli­gen­ce Sharing and Protect Act / Ato de Proteção e Compar­ti­lha­­mento de Inte­ligência Ci­ber­nética. O projeto visa compartilhar conhecimento sobre usuários da internet entre os órgãos que promovem a segurança cibernética no país norte-americano. Essa lei causou alvoroço entre os usuários da web por permitir que o governo americano e empresas coletem informações particulares de seus usuários.

Atualmente, a segurança da internet é paliativa

Carlos Willian Leite: “Jamais deixar dados confidenciais concetados à rede”. (esquerda) Hélio Torres: “Problemas na internet são devido à forma de utilização dela”

Carlos Willian Leite: “Jamais deixar dados confidenciais concetados à rede”. (esquerda) Hélio Torres: “Problemas na internet são devido à forma de utilização dela”

Da mesma forma que há a sofisticação dos sistemas de segurança na internet, na mesma medida existe o aperfeiçoamento de métodos danosos perpetrados por hackers na internet. É o que afirma o jornalista, especialista em redes sociais e proprietário de uma agência de comunicação na web, Carlos Willian Leite. Ele explica que a situação em relação à segurança na internet é muito parecida com o que ocorre com o vírus da gripe. Se ao conseguir desenvolver, atualmente, uma vacina para a gripe, daqui a alguns meses ela não valerá de nada, pois o vírus sofre mutação. Com a internet ocorre o mesmo. “No campo virtual, daqui a 30 minutos, o mundo já estará velho.”

Carlos Willian afirma que a segurança que se tem atualmente na internet é temporária, justamente pelo fato de que os hackers vêm aprimorando os métodos fraudulentos e danosos aos usuários. Ele pontua que grandes corporações e instituições governamentais, como a Microsoft e a Agência Espacial Americana (Nasa), que possuem os melhores aparatos de segurança do mundo, já tiveram seus sistemas invadidos por hackers. Assim, se os piratas de computadores conseguem derrubar mega corporações, violar um computador doméstico para eles é algo muito simples.

Para evitar dores de cabeça com a internet, Carlos Willian recomenda aos usuários jamais compartilharem ou deixarem em um computador conectado à rede, aquilo que for julgado como pessoal, confidencial e valioso. É desaconselhável manter arquivos sigilosos em máquinas ligadas à internet, sendo que a melhor alternativa é armazená-los em um HD externo. “Um computador ligado á rede também coloca seu conteúdo no mundo. Antivírus resolve apenas problemas pontuais, mas não os de segurança.”

Utilização segura

Para o profissional da Tecno­logia de Informação (TI), Hélio Torres, todo procedimento humano tem uma cartilha de regras e com a internet não é diferente. Para ele, os sistemas de nuvens de armazenamentos são confiáveis, e o que aconteceu com Jennifer Lawrence, foi possivelmente uma violação do e-mail da atriz, não uma falha do iCloud.

Hélio Torres argumenta que o processo de encaminhar e receber e-mail são extremamente inseguros, porque os hackers conseguem facilmente rastrear o caminho da mensagem, como se fosse uma carta normal saindo do seu ponto de origem ao seu destino, porém eletronicamente. “O serviço de nuvem não funciona por esta sistemática. Ele opera como se alguém trouxesse o caminhão de frete dos correios para dentro de casa”.

Hélio Torres afirma que os problemas de segurança na internet estão sempre na forma em que os usuários utilizam a rede. E-mails abertos, procedimentos de segurança no qual o administrador pede para atualizar, mas que o usuário acaba não executando, contribuem para que os internautas sofram prejuízos na web, como por exemplo, vazamento de informações sigilosas. Ele lembra que, por mais que se formate um computador, ainda é possível recuperar arquivos por mais remotos que forem.

Portanto, rastros são deixados na internet e, às vezes, o indesejado pode cair em mãos erradas. “Se até para dirigir seguimos uma cartilha de segurança, o mesmo também serve para a internet. Coisas simples podem evitar grandes problemas.”

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