Da atividade agrícola e pecuária ao fortalecimento da indústria, empresas goianas abrem capital na Bolsa de Valores

Para economista, a abertura de capital das empresas goianas na bolsa de valores representa a valorização da indústria goiana bem administrada

O estado de Goiás, localizado na região Centro-Oeste, no “coração do Brasil”, vive a grande mudança na economia. Tradicionalmente, a atividade agrícola e pecuária sempre tiveram destaque. Goiás apresenta extensas áreas de pastagens e lavouras. Quase metade do território goiano é formada por latifúndios rurais, ou seja, propriedades com mais de mil hectares. A agropecuária goiana tem grande importância no cenário econômico nacional, uma vez que sua produção de carnes e grãos impulsiona a exportação estadual.

Diante da alto crescimento das empresas regionais e do fortalecimento da indústria, a abertura de capital na bolsa de valores é realidade. A Jalles Machado saiu na frente. A produtora de açúcar e etanol, se tornou a primeira empresa goiana a entrar no mercado de capitais. Construída em Goianésia, pela família de Otavinho Lage e Jalles Fontoura, filhos do ex-governador Otávio Lage, a Jalles Machado (JALL3) decidiu abrir seu capital no dia 08 de fevereiro. Com o lançamento, a Jalles Machado passou a ser a 172ª empresa listada no Novo Mercado, segmento com os mais elevados padrões de governança corporativa.

Em seguida, veio a São Salvador/SuperFrango, mais conhecida pela marca SuperFranco, com sede em Itaberaí (onde abate 360 mil frangos por dia) e outra unidade em Nova Veneza (onde pretende abater 160 mil aves por dia), também prepara seu IPO. A São Salvador Alimentos fatura quase 2 bilhões de reais anualmente e surpreendeu o mercado brasileiro por sua alta lucratividade.

Para o economista Aurélio Troncoso, a abertura de capital das empresas goianas na bolsa de valores representa a valorização da indústria goiana bem administrada. “São empresários que administraram muito bem os seus negócio  para que pudessem chegar no patamar de concorrer com as empresas transnacionais”, pontuou.

De acordo com Aurélio, nas áreas de açúcar e álcool quase 80% das  industrias são de sociedade com empresas multinacionais. E a Jalles Machado era a única que ainda  não tinha nenhum tipo de investimento de empresas internacionais. “Abrindo o capital da empresa é possível expandir a margem para uma alavancagem financeira no grupo para novos negócios. Nesse primeiro momento, a Jalles Machado levantou quase R$ 700 milhões e, naturalmente, começa a concorrer com empresas multinacionais”, afirmou.

A intenção da empresa era levantar R$ 641,5 milhões de capital no IPO, maior parte do dinheiro será destinado a oferta primária, que vai para o caixa da produtora de açúcar e etanol. Essa oferta representa 80% do valor e será destinado para os projetos de crescimento da companhia, que preveem a aquisição de uma usina com capacidade de processamento de 2 milhões de toneladas por safra. A oferta secundária, que representa 20% das emissões, vai aos acionistas.

No dia 08, quando a JALL3 abriu capital na bolsa, a precificação da ação estava em R$ 8,28 em IPO. O pico ocorreu na quinta-feira, 11, com R$ 8,33. Já na sexta-feira, às 18 horas, momento do fechamento da Bolsa, a Jalles Machado estava com o valor da ação R$ 7,70. Uma queda de 2,9%.

A empresa tem capacidade de processar até 53 milhões de toneladas de cana por safra em suas duas usinas, mas é a maior exportadora de açúcar orgânico do mundo e tem foco em outros produtos de valor agregado, como álcool saneante. Na safra passada (2019/20), encerrada em 31 de março, a empresa teve receita líquida de R$ 891,3 milhões e lucro líquido de R$ 76,5 milhões. A Jalles Machado também é dona de toda a cana que processa, sem fornecedores, o que, segundo a companhia, reduz seu risco de suprimento e garante produtividade acima da média.

Nessa perspectiva, o economista explica que a vantagem das empresas abrirem o seu capital é a visibilidade no mercado internacional, possibilitando negócios com investidores de outros grupos. “Isso para Goiás é ótimo. A tendência das empresas é crescer e ir para outros países. Ter empresas fortes dentro do estado, principalmente, regionalizadas garante uma repercussão muito positiva. Mostra que o estado tem capacidade e possibilidade de ajudar essas empresas com  o crédito outorgado e  incentivos fiscais”, esclareceu.

Outras duas empresas podem abrir, em breve, capital na bolsa. A tendência é de que o Laticínios Bela Vista (Piracanjuba), possivelmente, em até três anos deve começar  a estudar mais efetivamente essa possibilidade.  Arrecadaria milhões e poderia ampliar os negócios. A Caramuru Alimentos, em Itumbiara, com investimentos e sócios internacionais, é outra empresa que se abrir o capital deve atrair investidores brasileiros e globais, e tem condições de fazer um IPO bem-sucedido, principalmente, por ser uma empresa forte de exportação.  

“Quando a empresa começa a crescer demais é bom o empresário abrir o capital na bolsa. Chega em um ponto ele começa a perder mercado e é preciso uma alavancagem financeira maior. E o estado de Goiás, principalmente antes da pandemia, é bem visto no mercado de ações e garante toda a estrutura jurídica para essas empresas, atraindo novos negócios”, explicou o economista.

Aurélio Troncoso avalia que o estado tem muito a ganhar com a abertura de capital das empresas, visto que o processo começa a industrializar, agregando valor aos produtos e pagando impostos. “Quando você exporta o produto in natura (commodities) você não paga imposto ao estado. A empresa é isenta. Quando abre o capital e com a lançar novos produtos, principalmente, industrializados o estado passa ganhar com a cobrança do ICMS desses produtos”, destacou.

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