Igrejas e seu potencial eleitoral se tornaram campo fértil para candidaturas e alianças políticas

Entre os 210 milhões de brasileiros, o segmento evangélico representa aproximadamente 30% da população, segundo um levantamento do Datafolha. Essa representatividade é determinante para a eleição em qualquer nível. E quem ganha a simpatia desse eleitorado tem maiores chances de ser vencedor. Essa é uma das razões para que cada vez mais nomes ligados a igrejas estejam disputando eleições. 

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Há uma significativa presença na Câmara dos Deputados e no Senado Federal de representantes do segmento evangélico, mas o setor busca reforçar sua posição de ator político na atual conjuntura política. Essa força se materializa na chamada  Bancada Evangélica na Câmara dos Deputados, organizada como a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional durante a 55º Legislatura (2015-2019), com 199 Deputados Federais e 4 Senadores em sua composição. Esse grupo de parlamentares conquistou muito poder nos últimos anos, em especial após o pleito de 2014, com um grande capacidade de pressão para aprovação de projetos de sua pauta, fazendo o uso da política como uma via de afirmação da moral cristã sobre costumes privados.

A eleição de 2018 criou um terreno fértil para candidaturas representantes do setor evangélico, dada a onda conservadora que ganhou destaque junto a campanha do então candidato a presidente, Jair Bolsonaro .As candidaturas com nomes religiosos cresceram 11% nas eleições de quatro anos atrás, quando comparada a de 2014. Esse aumento é superior ao crescimento do volume de candidatos no período, que foi de 7,4% – o levantamento tem como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e analisou as candidaturas cujo “nome de urna” continha termos associados a religiões de diversas matrizes.

O levantamento constatou que, entre 2014 e 2018, o número de candidatos com nomes religiosos saiu de 511 para 568, um aumento de 11,15%. Nesse grupo, as candidaturas evangélicas são a maioria. Das 568 registradas neste ano, 524 são de evangélicos, o equivalente a 92,2% do total. Neste ano há uma perspectiva de que mais nomes ligados a igrejas estejam presentes nas urnas, como forma de dar ainda mais força para a bancada que tem alcançado poderio no Congresso. 

Dos 17 deputados federais goianos, seis compõem a Frente Parlamentar Evangélica (FPE). Todos eles estarão concorrendo nas eleições deste ano novamente. Dos três senadores que representam Goiás, dois estão na Frente.

Os deputados Glaustin da Fokus (PSC), João Campos (Republicanos), Alcides Rodrigues (Patriota), Célio Silveira (PSDB), Lucas Vergílio (SD) e Francisco Jr são os nomes de goianos que figuram na lista da FPE. Destes, apenas Francisco Jr. não tem suas bases junto às lideranças evangélicas –  ele é ligado à igreja Católica. No Senado,  Luiz do Carmo (PSC) e Vanderlan Cardoso (PSD) são os goianos a compor a Frente – tirando o senador pessedista, todos são pré-candidatos este ano. 

João Campos é um dos nomes mais ligados ao segmento evangélico. Além de presidir o Republicanos, partido que tem uma relação quase simbiótica com a Igreja Universal do Reino de Deus, ele também é pastor da Assembleia de Deus. Sua representatividade lhe deu subsídios para que neste ano se lançasse neste ano a senador. 

A chapa de pré-candidatos dos Republicanos é a demonstração de que as eleições deste ano podem resultar na ampliação da representação religiosa goiana, além de ser o maior exemplo de empenho em eleger nomes ligados às igrejas evangélicas. Entre os principais nomes estão o pastor Jeferson Rodrigues, Rafael Gouvêa, Pastora Geovana e a Pastora Flaviana. 

No PSC Luiz do Carmo é o nome para disputa ao Senado. Ele tem ligação com a Assembleia de Deus. As bases eleitorais dos principais nomes que compõem a chapa de deputado federal montada pelo partido são evangélicas. Entre eles estão,  Glaustin da Focus, o vice-prefeito de Anápolis, Márcio Cândido, o cantor gospel Samuel Santos e Valeriano Abreu. 

A Igreja Fonte da Vida, comandada pelo apóstolo César Augusto, também atua forte nas eleições. O pastor Fábio Sousa, filho de César Augusto, já foi vereador, deputado estadual e deputado federal. Este ano, é candidato novamente à Câmara Federal. 

Fortes aliados

Na esfera estadual, também há uma busca pelas lideranças evangélicas. O governador Ronaldo Caiado (UB) tem participado dos eventos religiosos, demonstrado maior afinidade e inclusive já firmou o apoio do prefeito Rogério Cruz (Republicanos), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. O governador tem demonstrado estar atento não só às demandas do eleitorado da fé, mas também à capilaridade que existe dentro deste segmento.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota) também tem buscado se aliar aos evangélicos, ele que é membro da Igreja Assembleia de Deus. Tem participado de encontros com líderes religiosos tanto na sua cidade, como no interior.

O deputado federal Major Vitor Hugo, que também se coloca como pré-candidato ao governo do Estado tem forte ligações com os evangélicos. Além dos militares, sua base eleitoral está nas igrejas e cada vez mais ele busca aproximação, principalmente na cidade de Anápolis, onde muitas lideranças o apoiam devido sua proximidade com o presidente Jair Bolsonaro.