Cinco startups goianas com capacidade de atingir todo o mercado brasileiro

Algumas já estão consolidadas, enquanto outras ainda buscam espaço. Em comum, ideias inovadoras

O mercado de startups no Brasil está em crescimento e, em 2017, bateu recorde de investimentos | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O mercado de startups está em constante evolução no Brasil. Em 2012, a As­sociação Brasileira de Startups (ABStartups) contava com pouco mais de 2,5 mil startups associadas. Em julho de 2017, este número já ultrapassava a marca de 4,2 mil, das quais 80 são de Goiás. No ano passado, o investimento em startups brasileiras bateu recorde: US$ 860 milhões — cerca de R$ 3 bilhões na cotação atual —, correspondente a um crescimento de 207%.

Mas não basta criar uma empresa na área de tecnologia e sair dizendo por aí que se trata de uma startup. Segundo o presidente do Instituto de Inovação Gyntec, Reilly Rangel, a melhor definição de uma startup é a seguinte: uma empresa que tem soluções para o cotidiano, com estrutura enxuta, baixo custo de manutenção e alto poder de escalabilidade.

Reilly Rangel, da Gyntech: soluções para o cotidiano com custos baixos | Foto: Divulgação

De acordo com o site Bizstart, especializado em empreendedorismo digital de impacto, um modelo de negócios escalável é aquele que possui capacidade de aumentar o faturamento sem precisar elevar proporcionalmente os custos. “Muitos perguntam se startups são empresas de tecnologia presentes na internet. Não que seja isso, mas empresas baseadas em tecnologia e presentes na internet terão facilidade em atingir esta escalabilidade”, pontua Reilly.

O Gyntec é o maior ecossistema de startups e inovação do Centro-Oeste e abrange uma regional da ACE, considerada a melhor aceleradora de startups da América Latina e responsável por acelerar mais de 170 empresas. Neste sentido, o Jornal Opção selecionou cinco negócios inovadores idealizados por goianos com capacidade de atingir todo o mercado brasileiro — alguns já o fizeram, enquanto outras ainda estão buscando espaço.

Auvo
Quatro colegas que trabalhavam em uma indústria de tecnologia vinham notando muitos problemas com técnicos que iam prestar serviços externos. Foi daí que surgiu a ideia de criar a Auvo, uma startup com o objetivo de melhorar o controle e gestão de equipes de campo.

Gabriel Rodrigues, da Auvo: controle de equipes de campo | Foto: Divulgação

Um dos sócios, Gabriel Rodri­gues explica que, por meio de um aplicativo instalado no celular, a plataforma permite ao gerente tomar conhecimento, em tempo real, de tudo que está acontecendo na operação. “É possível saber onde está o técnico, fazer agendamentos, organizar pedidos, lançar vendas, coletar assinatura digital, responder questionários e receber informações de produtividade.”

Lançada em abril de 2015, a Auvo conta hoje com aproximadamente 6 mil usuários em todo o Brasil, incluindo empresas de grane porte, como a Danone. A startup, que tem 30 funcionários, teve rendimento de R$ 1,2 milhão só no ano passado e é a primeira deste segmento em Goiânia, além de ser a maior do País em número de clientes.

Gabriel avalia que o negócio é “viável e lucrativo” e que a expectativa é de um crescimento acelerado nos próximos anos. “Nós quatro tínhamos empregos confortáveis, mas sempre fomos muito otimistas com a Auvo e acreditamos, desde o início, que fosse dar certo”, enfatiza.

Buzzlead
Leandro Martins começou a amadurecer a ideia de nova startup no final de 2014 até que, dois anos depois, nasceu a Buzzlead, uma plataforma que potencializa vendas a partir de indicações boca a boca, reduzindo custos e transformando os clientes em vendedores.

“Nenhum meio publicitário é capaz de causar o mesmo impacto que a indicação de um amigo consegue exercer devido ao fator confiança”, argumenta. O empresário conta que sua inspiração surgiu do Dropbox — um serviço de armazenamento e partilha de arquivos online —, onde é possível ganhar mais espaço — geralmente 250 megabytes (mb) — à medida em que se faz indicações.

Leandro Martins, da Buzzlead: incentivar indicações boca a boca | Foto: Divulgação

Os serviços prestados são personalizados, ou seja, para cada cliente é criada, na internet, uma página específica de indicações. Para gerir as indicações, foi desenvolvida pela Buzzlead uma metodologia própria. “Em três reuniões de uma hora via Skype já conseguimos ajudar a empresa a configurar a plataforma conforme a estratégia”, garante Leandro. “Como vai funcionar a recompensa do cliente pela indicação é uma das coisas de debatemos nessas reuniões.”

De acordo com ele, a cultura de indicações não é algo tão forte no Brasil na comparação com outros países, como os Estados Unidos. Por isso, pensou que o negócio poderia ser arriscado. Mas, hoje, a startup já atende 153 empresas País afora com uma equipe de 11 funcionários, além dele e de outro sócio.

Segzoom
Com o avanço da tecnologia, uma das profissões que tendem a desparecer é a de porteiro de condomínios. Hoje, muitos prédios já utilizam ferramentas tecnológicas, mas sem comunicação e inteligência. Alexandre Rangel enxergou, nesta lacuna, a oportunidade de criar uma startup.

“Percebi que, em muitos casos, o roubo só era visto depois do crime ter sido cometido. Com os nossos equipamentos, que são os mesmos utilizados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, é possível notá-los rapidamente e até mesmo evitá-los”, sublinha Alexandre, Chefe Executivo de Ofício (CEO) da Segzoom.

Central da Segzoom: garantindo segurança para os condomínios com tecnologia atrelada à inteligência e comunicação | Foto: Divulgação

A empresa foi lançada em 2017 em Goiânia e, recentemente, inaugurou filiais em Caldas Novas e em João Pessoa, na Paraíba. Atualmente, possui 28 funcionários. Entre os aparelhos oferecidos pela startup estão controle de acesso por biometria e câmaras analíticas de alta resolução, capazes de detectar mudanças de padrão.

“Quando alguém chega ao prédio e aperta o botão para falar com o porteiro, cai na nossa central e a pessoa acha que tem alguém ali”, revela o empresário. Assim, além de au­mentar a segurança, o custo é reduzido, haja vista que, segundo Ale­xandre, quatro porteiros custam em torno de R$ 15 mil por mês, enquanto os equipamentos da Segzoom ficam na faixa dos R$ 4,5 mil.

Resultys
Em 2016, dois colegas de trabalho tiveram uma ideia. Eles resolveram, a partir da experiência na área de análise de bases de dados públicos, criar uma startup com a finalidade de potencializar as vendas das empresas por meio de diagnóstico de mercado e geração de leads qualificados — termo do marketing digital referente a um potencial consumidor de uma marca que demonstrou interesse em um produto ou serviço.

Ivan Luís, da Resultys: anaálise de mercado e geração de leads qualificados | Foto: Divulgação

“Quanto mais trabalhávamos, mais percebíamos a enorme quantidade de dados que estão disponíveis na internet e que, do outro lado, existem empresas perdendo tempo procurando essas informações”, afirma Ivan Luís, um dos sócios da Resultys, que permite a empresas buscarem dados de seus potenciais clientes utilizando filtros de qualificação. Desse modo, economiza-se tempo para gastá-lo com a venda, que é o essencial.

Para o empresário, o ambiente de startups é rodeado de incertezas. A todo momento, ressalta, surge um novo desafio, mas é justamente isso que faz a Resultys, que já expandiu para a Colômbia e o México, evoluir mais rapidamente e atingir soluções cada vez melhores. Ao todo, são nove colaboradores — além dos dois sócios — e 42 usuários. Neste mercado, há 22 concorrentes. No ano passado, o faturamento foi de R$ 84 mil. Em 2018, a meta é triplicar este valor.

4 Park
Ao trafegar pelas ruas de Goiânia, Marco Aurélio Mansur sentiu a necessidade de facilitar a vida do motorista, especialmente na hora de encontrar uma vaga para estacionar o carro. Assim nasceu a 4 Park, um aplicativo que promove soluções inteligentes tanto para vias públicas, com automação da zona azul, quanto para estacionamentos privados. “A mobilidade urbana está em situação crítica”, observa.

Marco Aurélio, da 4 Park: soluções inteligentes para estacionamentos | Foto: Divulgação

A 4 Park desenvolveu sensores que avisam imediatamente os computadores da empresa quando um veículo ocupa uma vaga. O aplicativo é capaz de mostrar quantas vagas estão disponíveis, levar o motorista até lá e, posteriormente, avisar quando tempo falta para expirar o registro. Para renová-lo, não há necessidade de ir até o local onde o carro está estacionado — basta fazê-lo por meio do app.

Desde a sua criação, o investimento foi de R$ 2 milhões. A concepção do negócio é participar de licitações a fim de ganhar concessões. Até o momento, a 4 Park ainda não explora nenhuma área pública da capital. Enquanto isso, a startup atua em pequenos estacionamentos da cidade e já engloba cerca de 300 vagas.

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abel gonçalves

a característica do melhor profissional é realizar um bom trabalho, assim igual a este. com simplicidade e sabedoria. do jeito simples que todos entendem. tudo o que faz se torna uma arte. muito obrigado por me proporcionar este aprendizado . e meus parabéns pelos seus artigos e pelos seus ensinamentos.

abel gonçalves

a característica do melhor profissional é realizar um bom trabalho, assim igual a este. com simplicidade e sabedoria. do jeito simples que todos entendem. tudo o que faz se torna uma arte. muito obrigado por me proporcionar este aprendizado . e meus parabéns pelos seus artigos e pelos seus ensinamentos.
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Leonardo Jaber

Boa tarde tenho uma ideia muito boa, mas preciso profissionaliza la. E queria saber como faço.
Obrigado!
Leonardo Jaber
Arquiteto e Designer
62 98241-4792