Ciclo de workshops sobre floresta plantada anima cadeia produtiva do setor

Eucalipto, seringueira e mogno africano são os temas em debate do evento programado para os meses de abril, maio e junho

Foto: Reprodução

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Em­pre­sas em Goiás (Se­brae-GO) realiza, no dia 19 de abril, o primeiro de três workshops sobre o negócio da cadeia produtiva de floresta plantada em Goiás. Eucalipto, seringueira e mogno africano serão os temas abordados em cada um dos eventos. Os segundo e terceiro workshops estão marcados para o dia 29 de maio e 21 de junho, respectivamente.

A iniciativa se dá em parceria com diversas entidades, como a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a Federação da A­gri­cultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a Secretaria de Estado de Desen­vol­vimento Econômico, Científico e Tec­nológico e de Agricultura, Pecu­á­ria e Irrigação (SED), a Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), a Con­federação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação dos Produtores de Borracha Natural dos Estados de Goiás e Tocantins (Abrop-GO/TO).

Na ocasião, será lançada a publicação “Cenário do setor de florestas plantada no Estado de Goiás”, editada pelo Sebrae-GO e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e ainda a promoção de debates quanto aos desafios e oportunidades para o setor, reforçando o princípio de empreender ações de forma cooperativa.

Ivan Tomaselli argumenta que o fomento ao setor de floresta plantada tem que ser uma política de Estado | Foto: Divulgação/STCP

Presidente da empresa paranaense STCP Engenharia de Pro­je­tos Ltda., Ivan Tomaselli estará presente no primeiro workshop e espera encontrar pessoas do setor privado e ligadas ao governo para discutir e tomar decisões acerca de uma política de desenvolvimento florestal.
Para ele, um clima favorável para o investimento privado, que corresponde a 90%, é essencial para o fortalecimento da área. O programa ideal de desenvolvimento estruturado, segundo Tomaselli, deve ser divido em três níveis: suprassetorial, intersetorial e intrassetorial.

“O primeiro é o mais difícil de atuar, mas o governo pode ter alguma influência com políticas cambial e de inflação, por exemplo”, explica. “O intersetorial é ligado ao desenvolvimento de políticas agrícolas, que não são propriamente do setor, mas podem gerar impacto, como infraestrutura e educação”, complementa.

Já o último, de acordo com Tomaselli, diz respeito especificamente ao setor florestal e é o mais importante dos três níveis. A STCP, empresa de gestão, gerenciamento de obras, de consultoria ambiental e florestal, costuma elencar em seus projetos alguns elementos que vêm a contribuir: tecnologia, treinamento e capacitação de pessoas para ofertar uma mão de obra adequada, facilitação do licenciamento de processos que possam gerar custos, identificação de terras adequadas para a produção.

O empresário afirma que é importante ter uma empresa âncora no Estado com capacidade de promover plantações em grande escala, criando um cluster paralelo. “Em Goiás, a ausência de uma empresa com tais características é um desafio. E o cluster florestal tem como objetivo fomentar a geração de empregos, uma vez que proporciona a instalação de madeira sólida com maior valor agregado”, ressalta Tomaselli, ao indicar um apoio governamental como ponto chave para as florestas plantadas. “Tem que ser uma política de Estado.”

A STCP, que completou 37 anos recentemente e trabalha com mais de 40 países, já realizou um estudo em Goiás para um investidor estrangeiro com interesse no mogno africano. “Foi identificado um potencial muito grande”, frisa.

Diretor da Vale Vivo Florestal, Marduk Duarte é outro empresário que vai participar dos workshops do Sebrae-GO. “Quero conhecer a realidade do produtor, ouvir as demandas do setor, entender os problemas e identificar as oportunidades para gerar bons negócios”, pontua.

Modelo

Em virtude das oportunidades abundantes, Marduk Duarte defende Goiás como um celeiro da área | Foto: José Paulo Lacerda

Marduk conta que, no Mato Grosso do Sul, o setor de florestas representava 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) 15 anos atrás. Hoje, o índice é de 28,5% — em Goiás, não passa de 1%. A justificativa para isto, segundo ele, é o aproveitamento de áreas degradadas e incentivo à instalação de indústrias. “Temos que trazer este modelo para Goiás.”

Proprietário da usina de tratamento de eucalipto chamada Matha Florestal, Marduk argumenta que o setor de floresta plantada deveria ser tratado como cultura, da mesma maneira que é feito com a soja, o milho e o gado. “O produtor tem que entender isso. Sendo bem aplicado, o retorno é enorme. Nada no agronegócio gera tanto emprego e movimenta tanto a economia como a silvicultura.”

Segundo ele, as oportunidades são enormes e podem transformar Goiás em um celeiro. Ele salienta que tudo deve sempre ser conduzido de forma respeitosa ao meio ambiente, “sem derrubar cerrado e usando apenas área degradada”.

Em 2016, as florestas plantadas em Goiás ocuparam pouco mais de 186 mil hectares, equivalente a cerca de 0,55% de todo o território goiano. Trata-se, portanto, de uma área considerada pequena e, por isso, o potencial para crescimento é grande.

Cidades em destaque
Eucalipto (hectares)
Niquelândia (12.239,54)
Rio Verde (1.1937,03)
Campo Alegre (8.937,11)
Cristalina (8.156,93)
Ipameri (5.763,31)

Serigueira (hectares)
Vila Propício (4.076,00)
Barro Alto (2.748,51)
Goianésia (1.693,06)
Santa Rita do N. Destino (1.523,99)
Niquelândia (919,72)

Sobre a ausência do mogno africano (Khaya ivorensis e K. senegalensis) no quadro, a publicação da Embrapa Florestas e do Sebrae-Go esclarece: “Há também, em menor escala, plantios de mogno africano. Entretanto, as informações prospectadas, via sensoriamento remoto, foram desconsideradas em razão da dificuldade de se separar as imagens espectrais desses plantios de outras culturas frutíferas, como plantios de citrus e de banana. Além disso, para que haja eficiência no levantamento via sensoriamento remoto é necessário que os plantios florestais tenham dossel fechado, o que não ocorre ainda em plantios de mogno africano em idades iniciais. Estudos posteriores deverão melhor elucidar essa questão”.

Sebrae ajuda produtores a melhorar a gestão do empreendimento

Wanderson Portugal Lemos destaca trabalho em parceria com entidades objetivando apoiar o produtor rural | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

“Com o propósito de apoiar o produtor rural que cultiva florestas em suas propriedades, nós do Sebrae-GO estamos atuando de forma conjunta com nossos parceiros para realizar ações que atendam os produtores de eucalipto, seringueira e mogno africano”, declara o diretor técnico da entidade, Wanderson Portugal Lemos.

De forma estratégica e ao lado dos produtores rurais é que o Sebrae-GO realiza este ciclo de seminários para tratar do negócio da cadeia produtiva de floresta plantada em Goiás. “Oferecemos consultorias tecnológicas, capacitações, acesso à mercado, entre outras ações, para que o produtor rural possa melhorar a gestão do seu empreendimento, potencializar a competitividade dos elementos das cadeias produtivas das florestas e cuidar do meio ambiente e da biodiversidade em Goiás”, diz Wanderson.

Joel Rodrigues Rocha diz que o Sebrae-GO visa fortalecer o segmento | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Gerente de Atendimento Coletivo, Joel Rodrigues Rocha destaca, além das atividades mencionadas pelo diretor técnico, a participação em visitas e missões técnicas com a finalidade de criar um ambiente propício para ações de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva.

O Sebrae-GO, diz Joel, espera contribuir para o fortalecimento cada vez maior deste segmento por meio destes modelos de workshops com a presença de entidades representativas, parceiros reunidos e empresários. “Os workshops são momentos de construção, onde cada parceiro, além de poder obter conhecimentos repassados em palestras e atendimentos, tem total oportunidade de apresentar os trabalhos de cada entidade em prol de apoiar estes pequenos negócios de toda a cadeia.”

Vera Lúcia de Oliveira conta que a expectitva é de 150 participantes | Foto: Divulgação

Analista do Sebrae-GO, Vera Lúcia Elias de Oliveira relata que a expectativa é de 150 participantes representando de diferentes regiões do Estado. “Teremos oportunidade de apresentar o cenário de florestas plantadas do estado, e sobre a competitividade deste segmento diante do cenário econômico brasileiro.”

 

 

Programação

1º workshop
Tema: Eucalipto
Data: 19 de abril
Local: Auditório do Sebrae-GO

14h — Abertura Sebrae-GO/ Embrapa
14h30 — Apresentação da publicação: Cenário do Setor de Florestas Plantadas no Estado de Goiás (Palestrante: Cristiane Reis)
15h — Panorama mercadológico da Cadeia Produtiva do Eucalipto no Brasil (Palestrante: Ivan Tomaselli)
15h40 — Dinâmica para identificação de Oportunidades e Desafios do Setor de Florestas Plantadas em Goiás a fim de elaborar respostas para os seguintes tópicos:*
1. O que fazer para que o negócio do Eucalipto seja sustentável?
2. Identificar as oportunidades de mercado.
3. O que fazer para que os empreendedores atuem de forma cooperativa?
4. Quais as políticas públicas que precisam ser implementadas para potencializar o setor?
18h40 — Consolidação das propostas
18h50 — Encerramento

*As respostas desta dinâmica têm o objetivo de contemplar toda a cadeia

2º workshop
Tema: Seringueira
Data: 29 de maio
Local: Auditório da Faeg
Horários a definir

3º workshop
Tema: Mogno africano
Data: 21 de junho
Local: Auditório da Fieg
Horários a definir

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