Cenário que se desenha para o 2º turno é de “quase todos contra Iris”

Vanderlan Cardoso deve seguir as previsões e aglomerar a maioria dos apoios partidários, formando uma forte frente política que pode fazer a diferença na votação definitiva do dia 30 de outubro

Vanderlan Cardoso, envolvido pela expectativa de poder, o empresário deve aglomerar grande parte do apoio dos partidos no segundo turno e esvaziar as chances de uma possível vitória de Iris Rezende

Vanderlan Cardoso, envolvido pela expectativa de poder, o empresário deve aglomerar grande parte do apoio dos partidos no segundo turno e esvaziar as chances de uma possível vitória de Iris Rezende

Marcos Nunes Carreiro

Domingo, 2 de outubro. Dia do primeiro turno das eleições municipais e, embora em muitas cidades a população já entre na segunda, 3, conhecendo seu prefeito, em outras, o resultado ficará para o dia 30, quando acontece o segundo turno. É o possível caso de Goiânia, em que os indicadores mostram que o pleito deverá ser estendido para o fim do mês.

O (e)leitor que está lendo esta matéria no domingo pela manhã, talvez antes mesmo de sair de casa rumo à sua zona eleitoral, pode pensar: “Como este repórter é capaz de prever, antes do dia da eleição chegar, que haverá segundo turno em Goiânia?”. Não é presunção, posso assegurar, mas apenas um risco — aqui, o pecado maior não é a publicação, como diria o jovem Carlos Maria, aquele que fazia ciúmes a Rubião, herdeiro do machadiano Quincas Borba. Pecado maior seria não publicar as impressões e especulações tão necessárias à política.

Então, sem mais delongas, a resposta à pergunta acima não é muito complicada, afinal, o que todas as pesquisas mostraram foi Iris Rezende (PMDB) estacionado, enquanto Vanderlan Cardoso (PSB) crescia. Assim, todos os indicativos eram de segundo turno entre o empresário e o peemedebista. Dessa forma, como a política é dinâmica, se faz necessário já prever quem apoiará quem nesta próxima etapa.

Neste ano, o número de partidos não influenciará no tempo de rádio e TV no segundo turno, visto que a minirreforma eleitoral estabelece que o tempo seja dividido igualitariamente entre os candidatos. Serão dois blocos diários de 20 minutos — 10 minutos para cada candidato — e 70 minutos em inserções a serem divididos de igual modo.

Se não é pelo tempo de rádio e TV, qual a influência dos apoiadores de Iris e Vanderlan? A reposta pode ser dividida em duas partes principais: dinheiro é a primeira — com as restrições de financiamento, quanto maior o apoio, melhor; e estrutura eleitoral é a segunda — mais partidos, em tese, mais pessoas trabalhando em prol do candidato apoiado.

A reportagem procurou conversar com os presidentes dos principais partidos para saber deles se havia alguma posição em relação ao segundo turno. Não havia, afinal, o primeiro turno ainda estava “vivo”. Todas as definições de apoio partidário ficarão, inevitavelmente, para a segunda e a terça, 3 e 4.

Contudo, alguns pontos podem ser levantados. Comecemos pelo PR de Delegado Waldir, candidato que começou liderando as pesquisas, mas que acabou perdendo o apelo popular durante a campanha. A deputada federal Magda Mofatto, principal nome do PR, revela que o partido teve diferenças de pensamento com Waldir, sobretudo em relação ao rumo da campanha.

“O Delegado é uma pessoa diferente e é difícil entendê-lo. Ele tentou fazer uma campanha igual à que fez para deputado federal, mas vejo que algumas coisas não foram bem como ele queria. Uma campanha majoritária é muito diferente da proporcional. Infelizmente, o resultado não foi conforme a previsão dele, mas foi mais ou menos dentro da nossa”, relata a deputada.

“Conheço campanha majoritária”, diz ela, “não só minha, mas também do governador Marconi Perillo. São campanhas mais envolventes e participativas. Tem que ter gente presente e apoio. E nós tivemos dificuldade em ajudá-lo”. O pensamento de Waldir, segundo Magda, foi na direção de que seu eleitor é virtual e está mais na internet. Por isso, sua campanha é classificada como “diferente” pela líder do PR.

Nos bastidores, já é praticamente certo que Waldir deixará o PR e deve se filiar ao DEM do senador Ronaldo Caiado, principal aliado de Iris. Até por isso, no segundo turno, o deputado deverá declarar apoio ao peemedebista, enquanto o PR deve caminhar com Vanderlan.

Magda, porém, afirma que o partido deve se reunir na segunda-feira, 3, para tomar uma decisão. Questionada sobre o possível apoio de Waldir a Iris, a deputada diz: “Ele pode falar por ele e não pelo partido. O partido é base do governador Marconi Perillo, mas ainda não tomou uma decisão sobre isso”.

Na sexta-feira, 30 de setembro, o presidente Diretório Municipal do PT, deputado estadual Luis Cesar Bueno, estava confiante e acreditando que o partido conseguiria levar sua candidata, a deputada Adriana Accorsi, ao segundo turno. Nas pesquisas, o desempenho da petista, que é uma candidata preparada, não dava uma base concreta para a confiança. Mesmo assim, o número de indecisos, que de fato era alto antes do primeiro turno, o animava. Dessa forma, nenhuma posição clara de apoio a Iris ou Vanderlan passou pela conversa.

Consta nos bastidores, porém, que em um provável segundo turno entre o peemedebista e o empresário, o PT deve se dividir. Parte do partido, que já não acredita nas promessas de Iris, prefere apoiar Vanderlan, caso Adriana de fato fique de fora do segundo turno; outra parte, devido à resistência existente ao governo estadual, ficaria com Iris.

Agora, é preciso lembrar que Adriana é, em grande parte, apoiada pelo prefeito Paulo Garcia, que tem uma forte dissidência com Iris. Basta lembrar que, no último debate entre os candidatos, a deputada atacou fortemente o peemedebista, acusando-o de praticar a “velha política” e relatando que ele deixou uma “herança maldita” na Pre­feitura, e que foi herdada por Paulo Garcia. Dessa forma, mesmo que oficialmente o partido decida participar da campanha de Iris, é quase certo que membros da sigla, mesmo que nos bastidores, devem seguir suas próprias decisões e acabar endossando o coro de apoio a Vanderlan.

PSD e PTB

É certo: o PSD não apoia Iris Rezende. Francisco Júnior fez uma boa campanha, mas não conseguiu se viabilizar. Assim, não indo para o segundo turno, é correto afirmar que ele e seu partido devem fechar com Vanderlan Cardoso. O deputado federal Thiago Peixoto, nome forte da sigla, diz com todas as letras: “Não apoiaremos de maneira alguma Iris Rezende no segundo turno”.

O mesmo já não se pode dizer do parceiro de chapa do PSD no primeiro turno. Consta que o PTB do deputado federal Jovair Arantes estaria “liberado”, embora não oficialmente, para engrossar as fileiras de Iris. Contudo, com nada confirmado, as chances de a legenda seguir o PSD também existem. Tudo depende da negociação.

E os demais partidos? Rede, de Djalma Araújo, e PSOL, de Flávio Sofiati, caminham de maneira independente e sem declarações de apoio. Já os demais partidos, sobretudo os menores, devem avaliar quem tem mais chances de ganhar e, assim, definir seu apoio. Caso o final do primeiro turno mostre uma diferença pe­quena de votos de Iris para Van­derlan, é provável que a maioria dos partidos queira ir com Vanderlan. Trata-se da expectativa de poder.

Dessa forma, Vanderlan deve conseguir o apoio da maioria dos partidos para sua chapa, exercendo um desequilíbrio no segundo turno e com chances de vitória. É esperar para ver.

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