Caminho até se atingir a unção partidária como candidato da sigla ao governo do Estado ainda está longe do fim, mas nome do deputado federal começa a despontar com mais densidade internamente

Algumas lideranças de peso no PMDB goiano iniciaram timidamente uma reacomodação política que leva em conta a candidatura do deputado federal Daniel Vilela ao governo do Estado. Até então, o nome do senador democrata Ronaldo Caiado era o preferido. Qual foi a razão da mudança, ou pelo menos da possibilidade de que ela aconteça? Primeiro por um trabalho que tem sido realizado por Daniel, presidente regional do partido, que já demonstrou a força que o cargo possui. Depois, porque pegaria muito mal apoiar alguém de fora sem que o candidato da casa tivesse chance de pelo menos mostrar seus planos e objetivos eleitorais. Contou ainda o fator Maguito Vilela, uma liderança expressiva e respeitada, e que não titubeou quando precisou defender publicamente Daniel.

Influência

Daniel e Maguito jamais ficaram realmente incomodados com a candidatura de Ronaldo Caiado e a possibilidade de o PMDB fechar totalmente em torno dele. Por uma razão bastante consistente: os partidos brasileiros são regidos nacionalmente, com certa liberdade para as seções estaduais, que por sua vez fazem a mesma coisa com os diretórios municipais. E o comando do PMDB nacional está nas mãos do presidente Michel Temer e de seu grupo. Isso é encrenca para Ro­nal­do Caiado, que foi um dos primeiros integrantes da base do presidente a se declarar na oposição a ele.

É bastante fácil entender toda a situação em Goiás a partir da ótica de Temer e demais dirigentes nacionais do PMDB. O primeiro ponto seria o apoio da filial estadual a um declarado opositor ao seu governo. Além disso, outros fatos se acumulam, e todos eles beneficiam a candidatura de Daniel ou, em último caso, do próprio Maguito Vilela. Daniel votou as duas denúncias apresentadas pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, favoravelmente a Temer. Caiado, senador, evidentemente não votou nem contra e nem a favor do presidente da República. Maguito também nunca teve arestas com Temer. Ao contrário, ele foi um dos principais avalistas da decisão do comando nacional do PMDB de entregar o partido em Goiás para Daniel Vilela, minando assim a maioria que Iris Rezende ainda mantinha.

A questão chega a extrapolar o PMDB. Os dirigentes nacionais do partido enxergariam com bons olhos até eventual vitória do grupo liderado por Marconi Perillo nas eleições de 2018. É possível que o PSDB deixe o governo federal no final deste ou início do próximo ano, mas os tucanos com mandato em Brasília vão permanecer votando nas reformas. É tudo o que Temer quer.

Divisão

Diante desse complexo quadro é possível que a tão sonhada união das candidaturas de Caiado e Daniel seja um fato bem mais complicado do que parecia ser. Se depender de Brasília, o presidente regional do DEM não terá o PMDB para a eleição. E como ele está abertamente trabalhando em período integral para viabilizar a sua candidatura, surge a dúvida se ele topará entrar na disputa pelo governo mesmo sem o decisivo apoio oficial do PMDB.
Nesse caso, talvez Caiado esteja trabalhando com a possibilidade de sua candidatura, que tende a começar a campanha em condições muito melhores do que Daniel em termos de pesquisa eleitoral, termine por criar um movimento dissidente no PMDB. Mas nem isso é tão tranquilo assim. Se o comando nacional pode intervir na direção estadual, o mesmo se do Estado para o município. Ou seja, dirigente partidário peemedebista em nível municipal que pular fora do barco de Daniel para embarcar na nau de Caiado pode ter seu poder interno dizimado numa canetada só.

Para que não aconteça de mais uma vez a oposição lançar dois candidatos — que afinal devem disputar entre eles uma das vagas de um provável segundo turno, o que os colocará em posição de antagonismo eleitoral — restaria aos Vilela convencer o senador Ronaldo Caiado a desistir da candidatura e apoiar Daniel ou Maguito. Mas quem poderia levar uma proposta como essa para o líder do De­mocratas? Iris Rezende? Sim, Iris talvez seja o peemedebista com melhor trânsito para uma empreitada como essa, mas ele próprio, pelo menos até hoje, jamais demonstrou qualquer forma de apreço por candidatura de algum Vilela. Portanto, essa é uma conta interna que não fechou, e pode ser que nem feche. l