Candidatos a deputado federal de esquerda buscam fortalecer bancada em Brasília

A pouco mais de 20 dias do pleito, esquerdistas goianos trabalham para dar musculatura às lideranças do Congresso Nacional

Foto: Divulgação

Ao todo, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) registrou um total de 228 concorrentes goianos na disputa pelas cadeiras da Câmara dos Deputados. Tendo em vista a distribuição proporcional do número de representantes, Goiás tem uma fatia de 17 cadeiras dentre as 513 disponíveis. Isso transfere uma considerável responsabilidade aos 246 municípios do estado para elegerem aqueles que melhor poderão representar seus interesses em Brasília.

Cabe aos eleitos elaborar e aprovar as leis a nível federal. E, para isso, não faltam candidatos. Em comparação aos dados do último pleito, em 2014, houve um aumento significativo na quantidade de candidaturas na disputa para o cargo de deputado federal. A estatística aponta uma elevação de aproximadamente 15%.

Apesar de haver muitas mudanças implícitas nas eleições deste ano, as movimentações mostram que as intenções continuam voltadas a angariar forças para aumentar e fortalecer as bancadas do parlamento.

O Jornal Opção listou e ouviu os principais nomes da esquerda em Goiás para saber como estão conduzindo os trabalhos em campanha e quais são os preparativos para a reta final que se aproxima. Para isso, presidentes de partidos e líderes esquerdistas foram ouvidos para que apontassem os nomes com maior potencial de votos. Cabe lembrar que PSTU e PPL não possuem candidatos para deputado federal.

Candidaturas

Professor Silvério: “Tenho mostrado a população do município a importância de se eleger alguém da nossa região” | Foto: Divulgação

Para o vereador de Águas Lindas de Goiás professor Silvério (PV), durante as próximas semanas a campanha será pautada pelo trabalho com as lideranças do município e com as reuniões com os grupos familiares.

“Temos uma agenda com praticamente todos os dias lotados, principalmente agora na reta final da campanha. Faremos também um trabalho intenso nas redes sociais a fim de reportar todo trabalho que vem sendo feito”, afirma.

Ele, que ainda cumpre seu primeiro mandato como vereador, já foi secretário de Educação do município. Por seu trabalho, acredita que a população irá reconhecê-lo como representante ideal para a Câmara dos Deputados em Brasília. “Estou trabalhando para garantir aproximadamente 35 mil votos.  Para isso, tenho mostrado a população do município a importância de se eleger alguém da nossa região.”

Já o candidato à reeleição Rubens Otoni (PT) diz que sua campanha será pautada pelo contato direto com o eleitor. “Essa é a nossa estratégia, sempre foi e sempre deu certo.” O parlamentar sublinha que continuará participando dos debates, reuniões e visitas por todo o estado na intenção de reforçar o seu nome na disputa. “O tempo agora é mais curto, mas temos buscado compensar esse empecilho por meio das redes sociais.”

Rubens Otoni: “Já possuímos uma identidade política consolidada e isso irá facilitar na reta final da campanha” I Foto: Divulgação

Para ele, a sua grande vantagem é possuir um grande tempo de serviço prestado. Quanto ao tempo reduzido de campanha, disse não se preocupar. “As pessoas já conhecem os lados que defendo. Então já possuo uma identidade política consolidada e isso irá facilitar nessa reta final da campanha.”

Outro nome conhecido da disputa é o do professor Pantaleão (PSOL). A sua campanha tem sido feita de maneira “quase artesanal” com o objetivo de atuar permanentemente em contato com a população para levar o seu nome e reforçar suas propostas. “Estou batendo papo nas feiras, dentro dos ônibus, em universidades. Enfim, conversando para mostrar aos eleitores as minhas ideias.”

Pantaleão: “Continuarei lutando pela emancipação do povo, sendo eleito ou não” I Foto: Divulgação

Caso eleito, Pantaleão garante que buscará atrair a polução por meio de plebiscitos e consultas populares. “Já existem projetos nesse sentido. O que precisamos é retirá-los para dar a sociedade a oportunidade de participar de forma efetiva.”

Sobre o tempo restante para se trabalhar o seu nome, avalia a situação como preocupante. “Pensando nisso iremos continuar debatendo as nossas ideias da forma mais efetiva possível. O nosso tempo é curto, mas continuarei lutando pela emancipação do povo, sendo eleito ou não.”

Andrielle Qualhato: “Continuaremos ocupando os espaços de debate pois somos uma candidatura de movimento coletivo” | Foto: Divulgação

Por sua vez, a candidata do PCB, Andrielle Qualhato, fez questão de pontuar que o partido não funciona somente em época de eleição como as demais legendas dominantes. “Estamos sempre nas ruas, nas lutas da classe trabalhadora, da juventude, dos povos negros, indígenas e LGBTI+. É importante entender que estamos constantemente nos movimentando, sempre colocando o nosso coletivo para funcionar.”

“Nessa reta final de campanha, continuaremos ocupando os espaços de debate, pois somos uma candidatura de movimento coletivo. Vencendo ou não as eleições continuaremos fazendo os enfrentamentos sociais necessários”, ressalta a candidata.

Para ela, no estado existem grandes grupos que detêm o Poder. Um exemplo dessa prática seria a concentração política nas mãos dos grandes partidos. “Sem contar que temos pouco tempo de TV, mas seguiremos focados em trabalhar efetivamente nas ruas e divulgar minha candidatura boca a boca.”

O vereador de Goiânia Elias Vaz (PSB) afirma que irá priorizar as redes sociais e os trabalhos na rua. “Serão essas as minhas estratégias. Até porque são mais baratas e está dentro do que temos condições de fazer.” O candidato disse que existem muitas pessoas comprometidas com o seu trabalho e que pretende trabalhar mais com o contato corpo a corpo daqui para frente. “A minha principal bandeira é a da fiscalização.”

Elias Vaz diz acreditar que a Câmara dos Deputados é “medíocre”, uma vez que, segundo ele, os parlamentares não atuam de modo a conter os atos de irregularidade do Governo Federal. “Outro compromisso que terei será votar os projetos sempre de acordo com os interesses da sociedade. Essas são as minhas bandeiras.”

Elias Vaz : “A minha principal bandeira é a da fiscalização” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Na visão do vereador, a credibilidade da esquerda deve ser tratada para além de Goiás. “Creio que a esquerda nacional precisa encontrar um novo caminho. Perdemos uma bandeira importante que é a da ética e precisamos recuperar não só essa bandeira, mas também a confiança do povo brasileiro.”

Ao ser questionado sobre a sua relação histórica com a esquerda, o candidato argumenta que os eleitores enxergam a sua coerência de maneira clara. “Eles identificam em mim certa independência”, pontua.

Isaura Lemos: “Temos a nossa militância percorrendo todos os bairros da capital e equipes atuando na região metropolitana” I Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Por sua vez, a mais nova concorrente da disputa pelo PCdoB, Isaura Lemos, disse que sua campanha conta com uma enorme aceitação. “Principalmente porque o povo não tem candidato da esquerda a não ser o Rubens Otoni”.

Isaura assegura que, durante as próximas semanas, continuará trabalhando com foco na região metropolitana e entorno. “Temos a nossa militância percorrendo todos os bairros da capital e equipes atuando na região metropolitana, onde o nosso movimento de moradia é muito forte.” A deputada estadual indica que continuará participando de carreatas e que intensificará a disseminação de suas ideias pela internet.

Única candidata pelo PCO, a professora Érika Nunes afirma que todas as ações do partido são deliberadas de forma coletiva. “Não existe isso de candidatura pessoal, mas sim uma candidatura do partido.” Segundo a professora, o partido seguirá apoiando a candidatura do PT a presidente. “Entendemos que a candidatura faz oposição real e concreta contra os desmontes e desmandos ilegais e antidemocráticos do golpe em curso no país, expressando o enfrentamento das massas com os golpistas.”

Érika reforça também que a campanha eleitoral do PCO acontece nas ruas, nos locais de trabalho, de moradia, nas escolas e redes sociais. “Seguiremos denunciando o golpe de Estado e todas as suas medidas golpistas de retrocessos, como a PEC do Teto, congelamento de gastos por 20 anos em saúde, educação, cultura; a redução dos direitos trabalhistas; a privatização do Pré-Sal, Embraer e outras”.

Professora Érika Nunes: “Não existe isso de candidatura pessoal, mas sim a candidatura do partido”

Para ela, a esquerda não possui tanto espaço na política goiana porque o que há é uma política antidemocrática da burguesia que pratica perseguição e criminalização dos adeptos ao movimento. “Tal classe econômica controla todo o aparelho estatal e, por conseguinte, o processo eleitoral. Para se ter noção dessa repressão aos partidos de esquerda, que estão a serviço dos interesses da classe trabalhadora, a chapa do PCO, com candidatos majoritários e proporcionais, terá apenas 21 segundos de tempo na propaganda eleitoral gratuita”, lamenta.

Coligação PT-PCdoB

Rubens Otoni destaca que a coligação cravada por ambos os partidos pretende eleger dois deputados federais e que, para isso, seguirão trabalhando fortemente. Quanto à migração de Isaura Lemos para a disputa ao cargo de deputada federal, o petista avalia de maneira positiva. “Creio que ela tenha percebido a oportunidade de ter a segunda vaga na nossa chapa e, por isso, acabou tomando essa decisão. No meu entendimento, foi uma opção muito inteligente.”

Isaura Lemos concorda com a declaração de Otoni em relação à estimativa de candidatos eleitos. Sobre a sua aceitação na disputa, considera que a tática que utiliza está sendo vitoriosa.  Para ela, as pesquisas demonstram que a esquerda está crescendo em Goiás. “Os partidos que anteriormente dominavam a política goiana já não estão tendo mais o mesmo desempenho”, avalia.

De que lado está a Rede?

Uma das grandes críticas feitas à Rede Sustentabilidade é que seus candidatos tendem a permanecer em cima do muro. O partido, por sua vez, se intitula fruto de um movimento aberto e autônomo.

Zé Frederico: “Quem conseguir colocar uma faísca de esperança nos desacreditados irá surpreender” I Foto: João Victor Macedo

Um dos importantes nomes da Rede na disputa pelo cargo de deputado federal por Goiás é o de Zé Frederico. Sobre a crítica, argumenta que o país vive um momento de polarização muito radical que deve ser combatida. “Portanto, eu comecei em um movimento de renovação chamado Acredito. O que fazemos é nos posicionar sobre temas específicos concordando e discordando das ideias de ambas as partes. É preciso entender que não somos obrigados a comprar um pacote ideológico.”

O candidato diz que, nessa reta final de campanha, irá reforçar a ideia de que os políticos são o reflexo de suas campanhas.  “Por isso trabalhamos com atitudes de renovação. É uma campanha de baixo custo tendo em vista que o nosso teto de gastos está bem abaixo do determinado pelo TSE. Além disso, temos um ativismo muito grande na internet que, inclusive, será maximizado ao decorrer das próximas semanas. A nossa política é feita com base no diálogo, corpo a corpo e juventude.”

Zé Frederico ressalta que essa é uma campanha extremamente atípica, haja vista que as pessoas estão extremamente descontentes com o atual cenário político. “As pesquisas mostram a quantidade expressiva de votos brancos e nulos. Quem conseguir colocar uma faísca de esperança nos desacreditados irá surpreender”. Para ele, a estratégia de agora em diante será convencer essa fatia do eleitorado a acreditar em seu projeto e potencial de mudança.

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