Biden presidente afeta pouco ou nada Brasil e Bolsonaro, diz cientista político

Para o professor Wilson Cunha, há uma falácia por parte do presidente norte-americano recentemente eleito para “atender a esquerda mundial”

Presidente da República, Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

A transição de governo nos Estados Unidos pode ser considerada um dos eventos mais traumáticos da história da política moderna norte-americana. De invasão ao Capitólio, sede do congresso estadunidense, regada a mortes e prisões até uma sequência de ações judiciais e acusações de fraude por parte do candidato derrotado, Donaldo Trump, a eleição que deu a vitória a Biden representou, literalmente, uma nova página da conjuntura política mundial. Porém, aquele que acredita que haverá mudanças radicais na postura do governo americano perante o mundo, incluindo o Brasil, pode estar ligeiramente enganado.

É o que prega o cientista político, historiador e mestre em antropologia Wilson Ferreira da Cunha, também professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Segundo ele, apesar de ter uma narrativa notadamente mais branda e até oposta ao do ex-presidente republicano Donald Trump, Biden representa um continuísmo da força dos interesses norte-americanos.

“É ingenuidade pensar que a cadeira da presidência dos Estados Unidos tem uma direção oposta aos interesses do país. Nenhum presidente vai chegar lá e tirar a união dos United States of America”, diz o professor.

De acordo com o professor, há uma falácia por parte do presidente norte-americano recentemente eleito para “atender a esquerda mundial”. “Isso é palanque. Para administrar, o poder do presidente dos EUA é muito pequeno com relação ao nosso país. Ele tem que contar com o apoio do parlamento americano”.

Professor Wilson Ferreira da Cunha | Foto: Arquivo Jornal Opção

“Claro que algumas propostas vão de encontro com as chamadas defesas de minorias. A novidade é que há um discurso menos agressivo do que o do Trump e também algumas posições que satisfazem a maioria da população mundial, como a defesa da Amazônia que, também, é uma certa falácia”, afirma Cunha

Cabe mencionar que, após a vitória do democrata Jon Ossof em cima do republicano Davis Perdue no estado da Georgia, tradicionamente republicano, o partido Democrata, de Biden, conquistou a maioria não só na Câmara, mas também no Senado dos EUA. Com a dupla vitória, Biden terá maioria de aliados partidários em termos bicamerais.

Para Cunha, há, inclusive, um equívoco por parte da esquerda brasileira em cogitar que Biden poderá se opor ao presidente Jair Bolsonaro por questões políticas ou ideológicas, uma vez que, segundo o professor, “não há impedimento das relações diplomáticas entre Brasil e EUA, e sim, interesses econômicos”. “Quem vai determinar essas ações não é a política, e sim a economia. Os países são autônomos, soberanos. Eles vão negociar pra favorecer seus respectivos países”, afirma.

Os impactos no governo Brasileiro

Apesar de parte dos cientistas políticos acreditarem que a vitória de Biden pode significar um encolhimento do poderio do Bolsonaro e, consequentemente, um futuro declínio, Wilson Cunha avalia que haverá qualquer respingo das eleições norte-americanas no Brasi.

O professor mencionou, inclusive, afasta a possibilidade do impeachment de Bolsonaro, que tem ganhado as conversas nos bastidores de Brasília. Até o momento, 64 pedidos de impedimento contra o presidente brasileiro até agora e uma crise interna chegou a se instalar, culminando, por exemplo, na demissão de um dos assessores do vice-presidente Mourão, flagrado em uma conversa por aplicativo “maquinando” a possibilidade da queda de Bolsonaro.

Para o professor e cientista político, houve uma certa banalização do impeachment que, segundo ele, acabou se tornando uma ferramenta de uma “esquerda sem propostas” para atacar políticos.

“Não é só porque eu não gosto de uma pessoa que ela tem que sair. Essa tendência dessa esquerda já está corroída. Não tem proposta. Quem depois do Bolsonaro. Mourão? Eles acham que o Mourão será uma pessoa contra o Bolsonaro? Aliás, o Mourão é um dos que sustentam, com mais singularidade, o governo Bolsonaro. Ele não é um vice igual o Temer, Itamar”, conclui.

Segundo Cunha, Bolsonaro teve uma votação expressiva em 2018 e ainda conta com uma base sólida, mesmo que reduzida recentemente, de apoiadores. Afora a ausência de um clima para impeachment, conforme o professor, o apoio de que usufrui o presidente deve fazer com que ele conclua o mandato sem nenhum impedimento.

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