Arco de ampla aliança é trunfo de Zé Eliton

Pré-candidato tucano espera que a base partidária de 16 siglas da eleição passada, que reelegeu Marconi Perillo, chegue a 18 ou 20 neste ano

Vice-governador Zé Eliton, pré-candidato tucano ao governo: ele quer 18 a 20 partidos na aliança governista

O sucesso de uma candidatura majoritária está diretamente atrelado à estrutura partidária que lhe sustenta, mesmo que o argumento não possa ser dito como verdade matemática. Excepcionalmente, um candidato pode até vencer sem essa base sólida — foi o que ocorreu, por exemplo, na eleição presidencial de 1989, com Fernando Collor, que ganhou com o nanico PRN; depois o governo naufragou na falta de sustentação partidária.

Estrutura partidária não é apenas um clichê, um jargão que os políticos usam ao sabor das conveniências. Partidos enraizados nos municípios são importantes na sustentação da campanha do candidato na medida em que coloca gente para pedir votos para ele, muitas vezes em cidades onde ele nem poderá vi­si­­tar durante a campanha. A propósito, quem trabalha na política sabe de histórias de candidatos que chegam a determinados locais e não tem ninguém para recebê-lo, isso é exemplo extremado de falta de estrutura partidária.

É por essa ra­zão que, em Goi­ás, as eleições pa­ra governador são polarizadas entre PSDB e PMDB, os dois par­­tidos que efetivamente têm presença em todo o Estado, se não com di­retórios formais, mas pelo menos com comissões provisórias atuantes. Qualquer candidato que queria ter chances efetivas de se tornar inquilino do Palácio das Esmeraldas, inevitavelmente tem de contar com um desses partidos em sua aliança. Quem se arriscou fora disso deu com os burros n’água e o exemplo mais evidente foi Vanderlan Cardoso.

Em 2010. Vanderlan, então no PR, até tinha o perfil que as pesquisas indicavam — empresário de sucesso, ex-prefeito Senador Canedo, onde tinha realizado duas belas gestões, etc. —, mas sem boa base partidária nem chegou ao segundo turno. Ele até teve aliança numericamente maior que a do PMDB (sete a três), mas com partidos nanicos. O resultado: o tucano Marconi Perillo (que venceu o pleito) e Iris Rezende, do PMDB, no segundo turno.

A história se repetiu em 2014. Vanderlan, novamente sem boas alianças — dessa vez com apenas três siglas —, ficou de camarote assistindo Marconi e Iris disputarem, novamente, o segundo turno, com nova vitória do tucano.

2018

Daniel Vilela: Seu MDB é forte, mas está dividido | Ronaldo Caiado: é conhecido, mas seu DEM é nanico | Fotos: Arquivo / Jornal Opção

Eis que chegamos a 2018. Neste ano são três pré-candidatos com competitividade, seja por ter base partidária, o caso de José Eli­ton, do PSDB, e Daniel Vilela, do MDB, e Ronaldo Caiado, do DEM, que é o mais conhecido e, portanto, mais nomeado nas pesquisas de intenção de votos.
Caiado busca o apoio desesperado do MDB justamente por que seu partido, o DEM, é nanico em Goiás. Daniel Vilela tem a vantagem de ser de um partido forte, mas que está dividido por quinta-coluna emedebistas que querem aliança com o democrata. Zé Eliton, por sua vez, além de um partido forte, o PSDB, tem aliança com várias siglas. Resumida­men­te, são essas as principais di­fe­­renças entre as três pré-candidaturas postas.

O pré-candidato governista tem nítida vantagem no quesito aliança. Em 2010, o PSDB reuniu 11 siglas, na coligação Goiás Quer Mais, contra 3 do PMDB, na Goiás Rumo ao Futuro. Em 2014, os tucanos ampliaram a aliança, reunindo nada menos que 16 siglas no total (coligação Garantia de um Futuro Melhor para Goiás), contra 7 do PMDB (coligação Amor por Goiás). Nas duas eleições, a disputa foi boa, independentemente de quem tenha ganhado.

Zé Eliton quer ampliar o arco de aliança para sustentabilidade de sua campanha.

Recentemente, ele disse em entrevista a uma rádio: “Teremos entre 18 e 20 partidos na chapa majoritária”, lembrando que, na última eleição a aliança foi composta por 14 legendas (na verdade, foram 16 na coligação formalmente registrada no Tribunal Regional Eleitoral). “Em 2018, a permanecer este cenário, devemos ampliar”, projetou.

Sabe-se que Zé Eliton tem trabalhado duramente para confirmar os aliados e atrair mais siglas. Prestes a assumir o governo (Mar­co­ni Perillo se afasta no dia 6 de abril, para disputar o Senado), Eli­ton terá o poder da caneta para for­mar equipe, o que já vem sendo feito a quatro mãos, com ele e o ainda titular.

Esse trabalho de articulação tem sido feito com denodo. Mui­tos correligionários atestam a ca­pa­cidade de convencimento do vice-governador, nessa costura política. Que, evidentemente, não é fácil, como ele mesmo atestou em entrevista à imprensa na se­ma­na passada.

“Estamos buscando compor todo um conjunto programático. Temos uma base muito sólida do ponto de vista político, mas muito heterogênea em visão de mundo. Então, temos que saber convergir com toda as formas de pensar e que­remos construir uma agenda que garanta a representatividade de todas essas forças políticas”, afir­mou.

O quadro nacional também influencia no regional e Eliton tem mostrado plena consciência de que muitas vezes a articulação passa pelo externo. PDT e PCdoB, por exemplo, têm candidatos à Presi­dência, o que implica palanque di­fe­rentes em Goiás em relação ao candidato do PSDB.

Eliton disse que já conversou com o presidente regional do PDT, George Morais, e o nacional, Carlos Lupi, e que se chegou ao entendimento de que na hipótese do PDT confirmar a participação na chapa tucana, terá liberdade de ter sua posição partidária. “Mesmo porque não seria saudável querermos fazer intervenções no âmbito interno do partido para impor que ele componha conosco.”

O tucano reiterou que o PSDB tem candidato à Presidência, o governador Geraldo Alckmin, e que seu partido vai trabalhar para o paulista. “… mas não impedirei em momento nenhum que os partidos que compõem a nossa base e têm candidaturas lançadas possam estar contribuindo”, afirmou.

Evidentemente, não é fácil te­cer essa rede de aliança. Chapa majoritária só comporta quatro vagas (governador, vice, duas para Senado, além dos suplentes). Na base governista há muitos partidos querendo entrar. É uma tarefa assaz complicada, digna de um articulador político de habilidade, como o vice-governador José Eliton tem se mostrado. Para sorte dele, tem como aliado nessa tarefa o governador Marconi Perillo, o político que nos últimos 20 anos tem se mostrado o mais talhado nessa tarefa. l

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