Apesar dos desafios, houve avanços importantes na educação estadual em 2020

Governo do Estado, além de lutar pela aprovação de aumento do salário, possibilitou que alunos e professores pudessem enfrentar a pandemia fora da sala de aula e continuar os estudos

As aulas remotas são uma realidade desde março deste ano. A situação provocada pela crise sanitária do coronavírus resultou em um dos maiores desafios para a educação. Houve quem apostasse que a Covid-19 faria de 2020 um ano perdido na educação, mas entre desafios e empenho de todos os lados, o ano se encerra com avanços sensíveis para alunos, pais e professores.

Após nove meses da adoção de medidas de distanciamento social e da interrupção das aulas por causa da emergência sanitária, a educação é o setor que mais se mostrou capaz de se reinventar e apresentar resultados. Os professores foram instigados a refazer as aulas, passar novos exercícios, deixar o quadro negro para gravar vídeos, administrar redes sociais e até buscar novas formas de se aproximar de alunos e pais. Essa é uma nova realidade em que os educadores precisaram contar com um apoio amplo d o poder público.

Professor Jonathan de Almeida | Foto: arquivo pessoal

“Esse é um ano de desafios e de grandes renovações. Estávamos acostumados a uma rotina em sala de aula e tivemos que nos adaptar, buscar recursos para  alcançar os alunos e não prejudicar a educação. Procuramos isso nas redes sociais, nos grupos de whatsapp… mas logo nos foi disponibilizado outras plataformas, que a Secretária de Educação ofertou como meio de dar continuidade ao ensino”, relata o professor de português, Jonathan de Almeida Teles Xavier. Ele leciona no Colégio estadual Herbert de Souza, na cidade de Novo Gama, no Entorno de Brasília. 

Professora Gleydes Macedo de Araújo | Foto: Arquivo pessoal

A também professora de português, Gleydes Macedo de Araújo, acredita que apesar do ano ter sido de desafios para educação, houve avanços que precisam ser comemorados. “Conseguimos nos adaptar. Colegas que não tinham experiência nenhuma com manuseio da informática e plataformas diferentes para educar, saíram da zona de conforto. Essa situação nos mostrou que temos outras possibilidades e habilidades para aprender, e a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) nos deu todo o suporte”, diz. 

Gleydes dá aulas no Colégio estadual Divina Olímpio Miranda, uma escola da Cidade Ocidental, e que fica em uma comunidade carente Mesmo com todos os desafios estruturais, agravado pela pandemia, ela diz que foi possível manter o ensino. “A Seduc conseguiu preparar o aluno. Mesmo os que não tinham internet conseguiram se preparar e acompanhar as aulas. Teve muito material que foi televisionado, vinha material impresso para escola, canal no Youtube, lives…”, conta.

Empenho recompensado

Os profissionais da rede estadual de educação receberão na folha de pagamento de dezembro uma ajuda de custo. O recurso, segundo o Governo do Estado,  é uma forma valorizar os profissionais da educação que tiveram custos extras com aquisição de equipamentos e aumento do uso de dados de internet durante as aulas remotas.

“O nosso tratamento é igualitário. Seja o porteiro, aquele que está na cantina, na cozinha, na segurança da escola ou o professor”, enfatizou o governador durante anúncio do bônus.

A ajuda de custo será repassada a todos os quase 40 mil servidores da educação no Estado. O repasse será feito de acordo com a carga horária do servidor. Quem faz 20 horas, vai receber R$ 1.297 ; 30 horas, o valor é de R$ 1.945; e para 40 horas, R$ 2.591. Um repasse que totaliza R$ 92,1 milhões.

“Totalmente positivo e estimulante. Vou ser sincera, no começo eu não acreditava muito, mas temos visto realmente um compromisso conosco. Acho que todo trabalhador gosta de estímulo e se sentir valorizado. Estou feliz. É uma forma que o governo tem de agradecer pelo trabalho desafiador deste ano”, avalia a professora Gleydes Macedo de Araújo.

O professor Jonathan de Almeida também gostou da notícia sobre o bônus, que segundo ele, é um motivador para seguir enfrentando os desafios que ainda não acabaram. “Os professores precisavam desse olhar mais atento. A gente sente que o esforço é reconhecido, e o bônus vem numa boa hora.”

Recomposição salarial

Secretária de Educação Fátima Gavioli | Foto: reprodução Twitter

Os professores terão um aumento salarial de 64,6%. O reajuste é para todos os professores com contratos temporários na rede estadual de ensino. Ao todo 12.486 profissionais serão beneficiados. Segundo o Governo do Estado,  há mais de 20 anos os professores com contratos temporários cumprem a mesma carga horária dos efetivos, mas têm salários inferiores. Com a equiparação, os educadores que recebiam menos terão direito ao valor do Piso Nacional dos Professores, que é de R$ 2.886 para profissionais de nível superior com carga horária de 40 horas semanais. Para quem faz 20 e 30 horas, o reajuste será calculado proporcionalmente.

Com a medida, professores de nível superior com carga horária de 40 horas, por exemplo, terão acrescidos a seus salários a quantia de R$ 1.132. Já os de nível médio, para a carga horária semelhante, passarão a receber R$ 1.019 a mais.

“Ninguém deverá ganhar menos que o piso. Então, o que o projeto prevê é o pagamento do piso de acordo com a lei”, explica a titular da Seduc, Fátima Gavioli.

“O maior aumento que já se concedeu na educação na história de Goiás. Nossos professores tiveram um ano muito desafiador, e nada mais justo que finalizar esse 2020 com mais um reconhecimento para quem faz do nosso Estado primeiro lugar no Ideb”, declarou o governador Ronaldo Caiado. 

Reflexo na qualidade do ensino

Esses incentivos se refletem na promoção da educação dos estudantes que voltaram para casa e ficaram sem aulas presenciais este ano. As escolas e famílias mantiveram aulas online em plataformas ou buscaram outros canais para manter o aprendizado. Uma união de esforços para que nenhum estudante perdesse o ano letivo.

Estudante Flávia Conceição | Foto: Arquivo pessoal

“Consegui assistir às aulas pela internet e pelas plataformas que nos passaram. Também teve grupos de whatsapp, onde a gente podia falar com colegas e professores. Quando não conseguia acessar o material eu ia na escola e pegava lá”, avalia a estudante Flávia da Conceição, de 15 anos, que cursou o 7º ano no Colégio Estadual Novo Gama.

A jovem estudante tem um sonho. Ela quer fazer o Enem e entrar numa faculdade pública para se tornar veterinária. “Eu acredito que vou conseguir. Aqui eu tenho apoio dos professores, que atende eu e minha irmã sempre com muito carinho. Eles nos dão a confiança que podemos chegar a universidade”, relata a aluna.

Além do suporte educacional para seguir com os estudos, mesmo a distância, Flávia conta que também teve o apoio financeiro e social durante a pandemia. “Depois que as aulas passaram a ser remotas eu passei a receber R$ 150 até o mês de julho, e agora tenho recebido uma ajuda que é a cesta básica. É uma ajuda importante pra gente poder continuar estudanto”, conta a estudante. O benefício recebido por Flávia, foi concedido a mais de 109 mil estudantes da rede estadual. O Governo do Estado repassou mais de R$ 55 milhões para garantir a segurança alimentar e nutricional dos alunos da rede estadual. 

Os pais também perceberam os desafios e participaram das transformações. A educadora Karla Oliveira da Silva, é um exemplo. Ela é tia e tutora legal do estudante Luiz Gustavo Oliveira, de 12 anos, que cursa o 7º ano, no Colégio Estadual Novo Gama.

“Além de toda essa situação da pandemia, o Luiz também ficou órfão este ano, e até nisso a escola me ajudou. Eu contei com todo suporte dos professores, pessoal da secretaria, pessoal da limpeza e portaria. Todos me ajudaram e todos sempre demonstraram total interesse em ver o Luiz aprendendo”, relata Karla, com orgulho.

Karla Oliveira e Luiz Gustavo | Foto: Arquivo pessoal

Karla explica que Luiz apresentou dificuldade em aprender as matérias principalmente no início das aulas remotas. Segundo ela, foi difícil entender o desafio, conseguir acompanhar e promover o aprendizado do aluno, mas tudo foi contornado graças às ferramentas e empenho dos professores. “Ele aprendeu bem, recuperou as notas. Assistia às aulas nas plataformas, tinha também as redes sociais e quando precisava íamos à escola. Não nos faltou meios para que ele aprendesse. Agora ele está motivado para o ano que vem. Seguirá sendo um bom aluno”, garante.

No caminho certo

Estagnado há anos, o ensino médio do País conseguiu alcançar o maior crescimento da história no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrado em 2019. Os educadores e alunos goianos têm o que comemorar. Goiás teve a melhor média com 4,8 pontos, maior que a média nacional que foi de 4,2 indicando que o ensino no Estado está no caminho certo.

“O Ideb é o resultado de um grande trabalho. Deu certo e acredito que todas escolas estiveram empenhadas com esse grande projeto. O resultado foi para a gente um motivo para a gente vibrar”, relata o professor Jonathan de Almeida.

“O resultado que o Ideb nos deu é a prova de que nosso esforço está direcionado para o caminho certo. Dou aula no interior de Goiás, onde as escolas ainda estão sendo preparadas, ou seja, não temos aquele modelo do século 21. Mas nem por isso não recebemos apoio, orientação e motivação para nos empenhar e dar o suporte que o aluno precisa para termos esse resultado do Ideb”, opina a professora Gleydes Macedo.

Investimento em estrutura

Secretária de Educação, Fátima Gavioli no evento de anuncio de repasse do recurso para escolas | Foto: Divulgação/Ascom

O total de R$164 milhões serão repassados às unidades escolares de todo o Estado. Os recursos fazem parte da segunda etapa do programa Equipar e do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). 

De acordo com a secretária de Educação, Fátima Gavioli, o grande diferencial do programa é a descentralização no repasse dos recursos, que são depositados diretamente nas contas dos conselhos escolares. A medida agiliza o processo de compra e atende às necessidades específicas de cada unidade de ensino.

Na segunda etapa do programa, o valor destinado é de R$ 124,5 milhões – R$ 97,2 milhões para aquisições de equipamentos e R$ 27,7 milhões para contratações de serviços. Além da compra de móveis, fogões, computadores, materiais de laboratório e utensílios para cozinha, entre outros itens, a verba também pode ser utilizada para a contratação de serviços de manutenção dos equipamentos já existentes e ainda na desinsetização e higienização.

Das 793 escolas contempladas, 718 são de tempo regular, 59 são militares, 10 atendem alunos quilombolas e seis são unidades de ensino especial ou diferenciado da educação básica. Cada unidade terá à disposição R$ 157,5 mil, sendo que R$ 122,5 mil poderão ser empregados na compra de novos equipamentos, e R$ 35 mil em manutenção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.