Agropecuária é protagonista na retomada econômica em Goiás

Estado se tornou campo fértil para o agronegócio. Produtores goianos acumulam recordes positivos na geração de empregos, riquezas e oportunidades que devem sustentar a recuperação da economia pelos próximos anos

O produtor Paulo Roberto Schwinger faz os últimos preparativos do solo antes do plantio de soja em sua fazenda, na cidade de Silvânia. Ao todo, serão 1,1 mil hectares destinados à produção do grão. Animado, o produtor diz que só falta chover. “Aguardando só a chegada da chuva. Estamos prontos para a próxima safra que esperamos ser muito boa.”

A boa perspectiva de Paulo Roberto tem fundamento. O agronegócio segue na contramão de toda crise econômica gerada pela pandemia do coronavírus. Enquanto outros setores acumulam perdas, o campo alcança recordes na produção. Segundo os últimos dados consolidados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos do período 2019/2020 pode ser encerrada com o registro histórico atualizado de 257,8 milhões de toneladas, tendo à frente a soja, o milho e o algodão. Esse volume é 4,5% ou 11 milhões de toneladas superior ao da safra passada. E Goiás se destaca nesse cenário.

“Estamos em um bom momento, tanto para produzir como para comercializar. Esses números positivos são incentivos para aumentarmos a área de plantação e a produtividade, além de investir em tecnologia, maquinário de ponta e tudo mais que possa fazer a lavoura produzir com a melhor qualidade”, diz Paulo Roberto.

Paulo Roberto Schwinger produz grãos na região de Silvânia | Foto: arquivo pessoal

O entusiasmo do produtor exemplifica o bom momento no campo. É que isso se reflete em toda uma cadeia que está do lado de fora da porteira das fazendas, como a logística, a fabricação de insumos agrícolas, a geração de empregos, o recolhimento de impostos, dentre tantos outros. É por isso que o governo de Goiás aposta na agropecuária como principal meio para a retomada econômica. Atualmente, o Estado ocupa o terceiro lugar na produção de grãos, o primeiro no cultivo de sorgo e o segundo de soja e milho.

Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima destaca bom momento vivido pelo agronegócio | Foto: Divulgação/Seapa

“O setor agropecuário é determinante neste momento. É o campo que representa a principal fatia de geração de empregos hoje no Estado. As riquezas que vêm da produção agrícola e da pecuária têm a maior influência no nosso PIB [Produto Interno Bruto]. Quando falamos em exportações, o que é produzido no campo representa 80% de tudo que é exportado em nosso Estado. Sem dúvidas, esse é um setor que está promovendo o desenvolvimento econômico e social que precisamos para a retomada”, avalia o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Antônio Carlos de Souza Lima Neto.

Mesmo ao enfrentar um momento de crise econômica, Antônio Carlos aponta que há uma somatória de fatores que permitiu que o agronegócio alcançasse tantos recordes. O titular da pasta cita as políticas públicas, a demanda internacional por alimentos, a valorização do dólar e até o clima. “Temos a expectativa de um faturamento recorde de nossa produção, a maior da história de Goiás. E isso passa pelo fortalecimento do setor, sobretudo nesse momento da pandemia, em que a atividade não paralisou suas ações. Todos protocolos foram obedecidos para que garantisse o abastecimento da sociedade. Começamos a avaliar que o papel de destaque do agronegócio promoveu um resultado favorável.”

“Agronegócio é a principal atividade econômica do Estado”

É consenso que o agronegócio tem colaborado para evitar um rombo maior no caixa do Estado. “O agronegócio é a principal atividade econômica do Estado. Só daí podemos estimar que esse crescimento aumenta todo o potencial e o volume que é negociado dentro do Estado. Assim podemos imaginar que é mais receita de investimento e mais recursos financeiros arrecadados pelo governo. Isso faz girar com mais força a economia”, explica o coordenador do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária Goiana (Ifag), Leonardo Machado.

Todo esse bom momento é sentido de maneira geral para o produtor rural. Leonardo Machado expõe que tudo que é produzido no campo alcançou uma boa rentabilidade. “Mesmo tendo aumento no custo de produção, não foi superior à receita. A rentabilidade ficou favorável. Tivemos alguns anos de perdas, mas hoje estamos vivenciando uma recuperação muito boa do setor. Não tenho dúvidas de que a agropecuária se tornou o protagonista da retomada econômica.”

Políticas públicas

O bom momento da agricultura goiana não ocorre por acaso. O Estado vem construindo esse caminho nos últimos anos. As políticas públicas de incentivo são fundamentais para o desenvolvimento do setor.

De acordo com o titular da Seapa, o Estado trabalha com foco no apoio dentro do agronegócio, fomentando o setor produtivo dentro da propriedade, como em toda a cadeia, como no processo de produção, industrialização e na logística. “São formas de ofertar vantagens competitivas com apoio e aplicação de políticas públicas efetivas que dão esses bons resultados que estamos observando”, enfatiza.

Antônio Carlos cita o Programa de Aquisição de Alimentos Estadual (PAA/GO), que foi anunciado na última quarta-feira, 23, com a presença do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. No evento, foi anunciado que Goiás terá mais R$ 1,34 milhão para investimentos no programa. O valor soma-se aos R$ 4,02 milhões já disponíveis, o que totaliza R$ 5,36 milhões para a execução da iniciativa.

Ao lado do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, governador Ronaldo Caiado anuncia novo programa ao setor | Fotos: Octacilio Queiroz

O PAA/GO prevê a articulação entre a produção da agricultura familiar e as demandas regionais por alimento, assim como o desenvolvimento da economia local. Os produtos adquiridos são doados às pessoas em situação de vulnerabilidade social e com insegurança alimentar.

O programa possibilita o desenvolvimento de políticas públicas de apoio à comercialização de itens dos diversos segmentos da agricultura familiar, incentiva a produção rural sustentável, além de oportunizar renda e melhoria na alimentação das famílias mais carentes. Podem participar do programa produtores rurais que possuem Declaração de Aptidão ao Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf/DAP Física).

A Radiografia do Agro, publicação do governo de Goiás, aponta que agricultores familiares representam 62,9% dos estabelecimentos rurais goianos distribuídos em 95.684 propriedades e contribuem para o abastecimento de alimentos na mesa da população.

“Esse programa tem impacto social impressionante nas famílias rurais e naquelas que ficam ao redor da área urbana e que sobrevivem de pequenas culturas ou atividades rurais, que precisam de recursos para produzir e entregar sua produção aos bancos de alimentos”, pontuou o ministro da Cidadania.

“A agropecuária brasileira sempre teve o nosso apoio. Entre nós, nunca houve a diferença entre o grande, o médio e o pequeno agricultor ou assentado. Todos aqueles que possuem vocação pela terra têm sempre, da nossa parte, a mão estendida”, afirmou o governador Ronaldo Caiado (DEM).

Para o democrata, o agro é a grande coluna vertebral da economia brasileira e em Goiás o setor também sabe fazer o social. “É feito pelas ações integradas, com a participação do governo federal e estadual”, disse. Caiado afirmou que, com o recurso do PAA, os produtores rurais de baixa renda, pequenos agricultores, passam a ter a oportunidade de se credenciar para receber o valor e, ao mesmo tempo, fornecer alimentação que será distribuída às pessoas carentes e vulneráveis. A distribuição é feita com a ajuda da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).

Forte influência no PIB

A agropecuária tem forte impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB). O Informe Técnico de setembro, divulgado pelo Instituto Mauro Borges (IMB), e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no segundo trimestre de 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior, apontam que o setor cresceu 4,7% em Goiás – bem acima da média nacional, que foi de 1,2%.

Fator importante é que o saldo positivo no PIB da agropecuária se mantém em um ritmo crescente e contínuo desde o ano passado quando analisados todos os trimestres de 2019 e 2020. Entre as causas do crescimento, o Informe Técnico destaca os números alcançados na última safra de grãos, especialmente da soja, com crescimento tanto na produção quanto em produtividade. O Informe Técnico também evidencia a participação da cana-de-açúcar, que teve aumento na produção e produtividade no período analisado.

Recorde no valor de produção

Na última semana se falou muito no Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária goiana. Isso porque o Estado deve chegar a R$ 61,9 bilhões neste ano, crescimento de 10,4% em relação a 2019, de acordo com dados atualizados no mês de agosto. É o maior valor registrado nos últimos anos pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), responsável pelo estudo. Também é recorde o VBP no País, que deve alcançar, em 2020, mais de R$ 771,3 bilhões – alta de 10,1% em relação a 2019.

Em Goiás, o VBP Agricultura deve chegar a R$ 41,5 bilhões, aumento de 13,9% em relação ao ano passado, o que representa 8% do VBP nacional da agricultura. A soja é o maior destaque, com VBP estimado em mais de R$ 19,3 bilhões, um crescimento de 35% em relação ao ano anterior. O VBP da soja em Goiás representa 10% do VBP nacional da soja, 46,6% do VBP da agricultura goiana e 31,3% do VBP total do Estado.

Agropecuária também é destaque na geração de emprego

De janeiro a julho deste ano, o setor agropecuário foi responsável pela criação de 7.064 novos postos de trabalho em Goiás. O segmento registrou saldo positivo de empregos em todos os meses de 2020, ou seja, quando o número de admissões foi maior que de demissões.

Só em julho, foram 504 novas vagas em atividades ligadas à agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Somando com dados da indústria da área de alimentação – cuja matéria-prima tem origem na agropecuária -, a quantidade aumenta, pois só a área de fabricação de produtos alimentícios teve saldo de 1.145 novos postos de trabalho no mês passado. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Antônio Carlos enfatiza que o agro contribuiu não só para criar novos postos de trabalho no campo, mas também por incentivar, principalmente nos últimos dois meses, a retomada de vagas em setores como a indústria. “Algumas áreas dependem do agro como fonte de matéria-prima para suas atividades, como é o caso da indústria de alimentos, que registrou um dos maiores saldos positivos de emprego no mês passado”, comemora.

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