Agronegócio reforça PIB em cenário de economia desacelerada

No segundo trimestre de 2021, PIB avança 4,4% em comparação a 2020 e tem o agronegócio como um dos principais puxadores

Com destaque nacional, há anos o agronegócio goiano mostra seu valor frente a outros estados brasileiros. Em um período de retomada econômica, a situação não seria diferente. Como um dos principais produtores de soja, milho e carne do Brasil, foi um dos grandes contribuintes para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do estado no segundo trimestre de 2021.

De acordo com estimativas do Instituto Mauro Borges (IMB), o PIB cresceu cerca de 4,4% no segundo trimestre de 2021 em comparação com o ano anterior. Ainda que esse número não tenha sido exatamente puxado pelo agronegócio, o salto no abate de bovinos (11,6%), suínos (17,6%), aves (29,5%), e a safra do arroz (29,6%) foram cruciais para o significativo avanço que reflete a retomada econômica do país.

Tais crescimentos no agronegócio fizeram com que a queda total na área fosse menor que a registrada no primeiro trimestre de 2021, com o segundo semestre fechando com queda de apenas -2,1%. Conceito interessante a ser retomado para compreensão dos dados divulgados pelo instituto, o que é considerado para o cálculo do PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos na economia de certo lugar durante uma determinada quantidade de tempo.

Assim, a partir do avanço do Produto Interno Bruto goiano, segundo os números divulgados pelo Boletim da Economia Goiana, é possível perceber um avanço no nível produtivo do estado. Esse crescimento, para o coordenador institucional do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Leonardo Machado, significa uma maior geração de empregos e maior renda, de modo a beneficiar toda a sociedade.

“Um maior PIB significa crescimento econômico das atividades produtivas, e o agro buscou recuperação no segundo trimestres principalmente pela pecuária, que registrou avanço nos abates tanto de bovinos, como de aves e suínos”, complementa.

Esses resultados que demonstram avanço no PIB e nas atividades do ramo do agronegócio, para o economista Aurélio Troncoso, só trazem benefícios ao estado e ao país. No entanto, ele explica que eles só se dão de forma tão expressiva ao considerar que anteriormente a economia se encontrou parada por boa parte do tempo no ano de 2020, quando foi iniciada e com maior pico da pandemia da Covid-19 no país e no mundo.

“Como o mundo estava parado e a economia estava parada, o crescimento nos abates, principalmente dos bovinos, suínos e aves significa a exportação do estado. O estado está exportando muito. E é aquela velha história: existe a lei do consumo. Como a carne bovina está muito cara, as pessoas estão preferindo a carne suína e de aves, então aumenta o consumo e ao mesmo tempo exige da indústria e dos próprios produtores que aumentem a produção no mercado”, explica.

Economista Walter Marin | Foto: Arquivo pessoal

Esse avanço, no entanto, para o economista Walter Marin, ocorre de forma gradual. “Está apenas retornando ao que era, de forma bem tímida”, diz. Marin ainda opina que esse crescimento não se dá de forma tão expressiva devido a pouca quantidade de investimentos em conhecimento, educação e pesquisa no país, que impede que os conhecimentos técnicos sejam bem utilizados para o aprimoramento das produções e o maior benefício a população.

Quem atesta esse avanço produtivo que simboliza a retomada são os próprios produtores rurais goianos. Uildes Peixoto Filho, por exemplo, produz em Bela Vista de Goiás, a 45 quilômetros da capital goiana, e afirma que, de forma geral, a produção a cada ano aumenta. “Temos tecnologias e maquinários melhores, então cada ano avança”, diz, especialmente no que diz respeito a comparação com 2020.

Esse avanço se deu, na produção de Uildes, que planta milho e soja, especialmente na safra. A safrinha, que é o cultivo realizado logo após a safra, em condições de sequeiro, no entanto, não foi tão boa assim. Isso, porque tanto Goiás quanto o Brasil passam pela pior seca em 91 anos, o que desregula as condições de plantio. No entanto, o sentimento para o próximo ano, inclusive com o crescimento da produção, ainda é de preocupação. Isso, porque com o aumento do dólar e com o encarecimento de diversas outras etapas que influenciam na matéria prima, a produção por si só se mantém mais cara.

Produtor rural Uildes Peixoto Filho | Foto: Arquivo pessoal

Já para o engenheiro agrônomo Carlos Mayer, que também é produtor de milho e soja nas regiões de Silvânia e Jaraguá, essa expansão foi menos significativa no que se refere a área, mas teve maior rentabilidade que no ano de 2020. “Aumentou cerca de 1% na quantidade de área. Na soja, por exemplo, tivemos um período de seca em dezembro, muita chuva na colheita, então não tivemos uma super safra. No entanto, tivemos um acréscimo de preço significativo, onde saiu de R$ 80 a saca para R$ 150. Isso aumentou a receita dos produtores, com maior dinheiro no bolso”, explica.

Mayer não acredita, no entanto, que a produção de 2021 tenha sido muito distinta que a de 2020. O que mudou, para ele, em concordância com Uildes, foi a qualidade da safrinha, especificamente do milho safrinha, que contou com piora significativa devido as condições climáticas. “Você vem com uma safra maravilhosa, perfeita, aí fica 20 dias chovendo na colheita e você perde a produtividade. Você não consegue colher, perde grãos, apodrece na planta”, explica.

Tanto para Mayer quanto para o coordenador institucional do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Leonardo Machado, esse crescimento, ainda que sutil, não significa maior impacto no meio ambiente. Para Machado, é impensável que ambos sejam necessariamente sinônimos. “O agro é sustentável e desenvolve buscando a preservação. De todos os países que possuem agricultura em grande escala, o Brasil é o único que preserva suas florestas, inclusive dentro de suas propriedades rurais”, avalia.

Já Mayer afirma que uma estratégia muito utilizada no estado de Goiás, para evitar maior impacto ambiental, é utilizar áreas que já foram desmatadas para a pecuária, com a intenção de ampliar os cultivos de grãos. Nesse sentido, ele explica dois tipos possíveis de crescimento, o horizontal, que demanda abertura de novas áreas, e o vertical, quando o aumento da produção é baseado na implementação de tecnologias e planejamento.

“Hoje, o crescimento da agricultura no estado de Goiás tem se dado no uso de áreas de pastagens degradadas, fazendas abandonadas no interior do estado. Assim, não tem havido desmatamento para o crescimento, no sentido de expansão de áreas”, afirma. Esse aproveitamento, segundo Leonardo, ocorre da seguinte forma: após a colheita da safra, produzem pastagem para a criação de bovinos e assim consegue aproveitar melhor sua área, isso permite crescimento produtivo sem abertura de novas áreas.

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