“Todo mundo quer ser presidente da Câmara”, diz Ronilson Reis sobre disputa pelo comando do Legislativo Municipal
06 outubro 2026 às 12h06

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O vereador Ronilson Reis (Solidariedade) confirmou nesta terça-feira, 6, que vai disputar a presidência da Câmara Municipal de Goiânia para o biênio 2027-2028. A movimentação coloca o parlamentar no centro da disputa pelo comando do Legislativo e deve provocar um embate direto com Thialu Guiotti (Avante), que é apontado como um dos principais nomes ligados à base do vice-governador Daniel Vilela (MDB).
Com o encerramento das eleições para deputado estadual, deputado federal e senador, os vereadores intensificaram nesta semana as articulações para a escolha da nova Mesa Diretora. A eleição pode ocorrer até sexta-feira, 9, conforme as regras regimentais e o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de antecipação do pleito. Em entrevista ao Jornal Opção, Ronilson reconheceu que há interesse de diversos parlamentares em assumir o comando da Casa. “Todo mundo quer ser presidente da Câmara”, afirmou. Segundo ele, a construção de sua candidatura passa agora pela busca de apoio da maioria dos 37 vereadores. Para vencer a eleição, são necessários pelo menos 19 votos.
Apesar de confirmar a candidatura, Ronilson afirmou que ainda não contabilizou os apoios necessários para garantir a vitória. “Por enquanto, só contei comigo”, disse, em tom de cautela.
O vereador também negou que esteja sendo articulada uma antecipação irregular da eleição da Mesa Diretora. Segundo ele, o regimento exige comunicação com antecedência mínima de 48 horas. “Se for apresentado hoje, por exemplo, apenas acontecerá a eleição na quinta [8]”, explicou.
Disputa ainda tem outros nomes
Além de Ronilson e Thialu Guiotti, outros dois vereadores são citados nas articulações: Henrique Alves (MDB) e Geverson Abel (Republicanos). Procurados pelo Jornal Opção, os dois foram questionados sobre a possibilidade de entrarem na disputa.
Geverson Abel afirmou que ainda não sabe se será candidato à presidência da Câmara. Henrique Alves também foi procurado pela reportagem, mas ainda não havia se manifestado até a publicação.
Nos bastidores, Ronilson e Thialu são atualmente considerados os dois nomes com maior capacidade de articulação. Os grupos ligados aos dois pré-candidatos demonstram confiança na construção de maioria, embora nenhum deles tenha, publicamente, apresentado uma contagem consolidada de votos.
Apoios políticos dividem a disputa
A eleição da Mesa Diretora também ganhou dimensão política para além da Câmara. Ronilson conta com a aproximação de vereadores ligados ao Partido Liberal (PL) e à oposição ao grupo governista estadual. Entre os nomes que orbitam sua candidatura está o vereador Major Vitor Hugo.
O vereador também aparece próximo de setores do PL que articulam apoio à sua candidatura. O senador eleito Gustavo Gayer (PL) é apontado nos bastidores como uma das figuras que podem atuar na construção de apoio ao parlamentar.
Do outro lado, Thialu Guiotti é apontado como um nome que conta com a simpatia de setores ligados ao prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e ao presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (União Brasil). A aproximação reforça a leitura de que a eleição da Câmara também poderá refletir a disputa por espaço dentro da base política que se articula para os próximos anos.
Mabel quer influência sobre as comissões
A escolha do novo presidente não envolve apenas o comando administrativo da Câmara. A nova Mesa Diretora também terá influência sobre a composição das principais comissões permanentes da Casa, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão Mista e a Comissão de Finanças, Orçamento e Economia.
A composição é considerada estratégica para o prefeito Sandro Mabel, que enfrenta dificuldades para avançar com algumas propostas de interesse do Paço Municipal. Atualmente, a CCJ é presidida pelo vereador Luan Alves (MDB), integrante de um grupo de oposição ao prefeito.
Nos bastidores, Mabel teria manifestado preferência por uma composição mais alinhada ao Executivo para a segunda metade de seu mandato. O prefeito também já teria demonstrado resistência à candidatura de Ronilson Reis, justamente pela participação de integrantes da oposição na construção do projeto.
Policarpo é peça importante
Outro personagem central nas articulações é o atual presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), eleito deputado estadual nas eleições deste ano.
Ronilson, Thialu, Henrique e outros nomes cotados para a sucessão fazem parte, em diferentes graus, do grupo político construído por Policarpo ao longo de seus quatro mandatos consecutivos à frente da Câmara.
Por isso, o eventual apoio do atual presidente é considerado um dos principais fatores para definir a eleição. Até o momento, Policarpo evita declarar publicamente qual candidato pretende apoiar.
A avaliação predominante entre vereadores é de que o nome escolhido por Policarpo terá vantagem na disputa. O próximo presidente comandará a Câmara justamente nos dois últimos anos do mandato de Mabel na Prefeitura de Goiânia.
Eleição pode ocorrer nesta semana
Pelo regimento interno da Câmara, a eleição da Mesa Diretora deve ocorrer em sessão especial, mediante comunicação prévia de até 48 horas e com a presença da maioria absoluta dos vereadores.
O STF também estabeleceu que a eleição para o segundo biênio das Mesas Legislativas pode ocorrer de forma antecipada, dentro do período de três meses anterior ao início do segundo biênio. Com isso, as articulações que vinham sendo conduzidas nos bastidores ganharam força após o encerramento das eleições de 2026.
A disputa, portanto, deve se intensificar nos próximos dias. Além da presidência, estão em jogo os demais cargos da Mesa Diretora e o comando das principais comissões da Câmara.
Para Ronilson, o desafio imediato é transformar as articulações políticas em votos. O vereador reconhece que ainda não possui uma maioria consolidada, mas pretende avançar nas conversas antes da votação.
Com dois grupos já se movimentando de forma mais intensa e outros nomes ainda avaliando a possibilidade de candidatura, a eleição da Câmara de Goiânia deverá ser definida por uma combinação de alianças internas e articulações políticas externas ao Legislativo.


