O senador por Goiás Jorge Kajuru confirmou ao Jornal Opção que migrou do Podemos para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). A filiação aconteceu nesta quinta-feira, 19. Com isso, encerra a série de negociações do ex-governador Marconi Perillo, que avaliava deixar o PSDB para aderir a legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

“Não tem a menor chance disso acontecer. Entre eu e Marconi, Geraldo Alckmin, Elias Vaz [presidente estadual] e Carlos França [presidente nacional] escolheram a mim. Eu nunca estarei num partido em que o ex-governador estiver. Se ele entrar eu saio. Portanto ele não vai entrar. O PSB não é o partido do Marconi. A sigla é consagradamente ética. E partido ético não é partido para o Marconi Perillo”, alfineta. Ele complementa que vai ser líder do partido no Senado.

Ele diz que deixa o Podemos, mas mantém as portas abertas. “Tanto que estou com Álvaro Dias [senador do Partido] em Santa Catarina, comemorando o meu aniversário”, declarou. E ainda: “Voltei [ao PSB] pelo que o partido representa. Saí muito bem do Podemos, com portas abertas. Partido, como o PSB, de postura ética.”

O retorno de Kajuru ao PSB encerra de vez as tratativas do partido junto ao tucano Marconi Perillo. O ex-governador teria recebido convite para integrar a cúpula da legenda em Goiás ainda na pré-campanha do ano passado, quando era pré-candidato ao Governo de Goiás. Ele teria sido chamado pelo então candidato à Presidência Lula (PT) e o vice Alckmin, para encabeçar a chapa do PSB/PT, mas recusou e decidiu disputar o Senado pelo PSDB.

Contudo, após ser derrotado na disputa, Perillo voltou a conversar com Alckmin sobre a possibilidade, já que estaria insatisfeito com falta de liderança dos tucanos, além da Executiva Nacional recusar participação no governo Lula.

Porém, Kajuru também já abria a possibilidade de retornar ao PSB. Ao receber a garantia do vice-presidente da República, Alckmin, e do presidente do partido, Siqueira, de que Marconi Perillo não teria “nenuma chance” de se filiar à sigla, decidiu concluir seu processo de filiação. Ao aceitar o retorno do senador, o PSB fecha as portas de vez para o ex-governador tucano.

Kajuru retorna a sigla onde se elegeu quatro anos após desentendimentos com o partido. Em 2019, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, pediu que o parlamentar goiano deixasse o partido. À época, a revolta de Siqueira foi referente à posição de Kajuru em apoiar o decreto do então presidente Jair Bolsonaro (PL), que flexibilizou a posse de armas de fogo. Dias depois o senador aceitou o convite para deixar o partido.

Esvaziamento do PSDB

Sem proposta de renovação e com acúmulo de desgastes, o PSDB goiano vem experimentando um processo de esvaziamento nos últimos anos, fato que se agravou com a derrota de José Eliton na eleição de 2018 para o governo e também com o fiasco do ex-governador Marconi Perillo na disputa para o Senado em duas eleições consecutivas (2018 e 2022). Em meio ao processo de encolhimento da legenda que governou Goiás por 16 anos, novas lideranças anunciam que estão de saída.

Um dos últimos tucanos de alta plumagem no Estado, o prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, também manifestou desejo de deixar o ninho tucano. Ele criticou o comportamento da direção nacional da sigla em relação à eleição de 2022 em Goiás. Valmir, que apoiou a reeleição de Ronaldo Caiado, avalia que o melhor caminho para manter sua liderança política na região Norte do Estado é caminhar ao lado do governador, e que isso não será possível no PSDB. Como se vê, o futuro do partido, que já foi grande em Goiás, é incerto e pouco animador.