Edição da revista Veja desta semana traz a discussão sobre um projeto de reconstrução da direita na América Latina. Assinado pelo jornalista José Casado, o texto conta que políticos latinos planejam uma “refundação liberal”. A coluna destaca o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) como um líderes políticos dentro da direita liberal latina e o aponta como possível nome para as eleições presidenciais de 2026.

Segundo o chefe do Executivo goiano, um dos maiores problemas do Brasil seria uma “cegueira deliberada” a respeito do avanço do narcotráfico. A fala foi dita durante o 11º encontro do Grupo Liberdade e Democracia, promovido por lideranças da direita, incluindo os ex-presidentes Sebastián Piñera (Chile) e Mauricio Macri (Argentina).

“Infelizmente, não querem ver”, afirma Caiado, segundo a Veja. “No entanto, o narcotráfico está avançando com os parlamentares do narcotráfico, magistrados do narcotráfico e advogados do narcotráfico. Antes, o tráfico queria parcerias com os governos; hoje, quer assumir os governos”, alerta.

Entenda

Caiado participou de um dos painéis do evento, ao lado de representantes do México, Uruguai e Venezuela, e destacou a importância do diálogo e da discussão conjunta de medidas para fortalecer as democracias locais. “Democracia e liberdade são faces da mesma moeda, mas são frágeis e podem ser utilizadas pelo populismo, que escravizam a estrutura do regime democrático”, disse o governador.

Nesse sentido, defendeu que ações em segurança contribuem para a atuação do Estado Democrático de Direito e para o controle do narcotráfico, um dos principais problemas atuais enfrentados na América Latina. Utilizando Goiás como exemplo, Caiado afirmou que tem trabalhado com firmeza para impedir a infiltração do crime nas estruturas de poder: “O cidadão tem trânsito livre em Goiás. O Estado ocupa todas as estruturas, não tem um palmo sob controle de traficantes”.

Entre as medidas adotadas, o governador de Goiás citou a vigilância nas penitenciárias, o fim das visitas íntimas para detentos, o policiamento no campo e o emprego de efetivo para coibir assaltos a bancos – Goiás não registra nenhum crime do tipo desde 2019.

O evento reuniu mais de 200 dirigentes de diferentes países e Caiado foi convidado a falar no painel “Como combater o populismo cultural e fortalecer uma narrativa de liberdade”, que teve mediação do ex-ministro secretário-geral do Governo do Chile, Jaime Bellolio.

Durante o Encontro, o presidente do Equador, Guillermo Lasso, endossou o discurso de austeridade. “O narcotráfico tem avançado com maior rapidez do que as leis e as medidas para o combater. Deve ser enfrentado com precisão e sem ambiguidades”, salientou.

Já a líder da oposição venezuelana, a ex-deputada María Corina Machado, destacou efeitos negativos do populismo. “A Venezuela recebia cidadãos de todo o mundo, mas hoje quase 8 milhões de venezuelanos migraram e estão espalhados”, contextualizou. “São esses fatos que fizeram a Venezuela despertar e os venezuelanos entenderem que o socialismo e o populismo representam miséria, humilhação e separação familiar”, discursou.

O ex-presidente da Argentina e anfitrião, Maurício Macri, reforçou a importância do evento para que as lideranças possam alinhar objetivos comuns: “Toda a sociedade civil e todo o mundo empresarial têm de participar deste debate, criar uma narrativa que valoriza o empreendedorismo, o desenvolvimento pessoal, agindo em conjunto sem estar sujeito a este tipo de autocracias e a ideias destrutivas”.