O embate na família Ferreira Gomes, envolvendo os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes, atingiu um novo patamar, levando à desfiliação de 43 prefeitos cearenses do PDT. Este movimento se soma à saída de 18 parlamentares, dez chefes municipais e dois filiados sem mandato, totalizando 73 baixas desde o início da crise. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

A decisão conjunta, selada durante um evento com 46 prefeitos em Fortaleza na última terça-feira, 14, reabriu confrontos e ataques entre os dois grupos liderados por Ciro e Cid, resultando na saída de aliados do senador.

Entre os prefeitos que deixarão o partido está Ivo Gomes, prefeito de Sobral e irmão de Cid e Ciro, assim como a irmã deles, a deputada estadual Lia Gomes.

O grupo dissidente contesta a postura do PDT nacional, liderado pelo deputado federal André Figueiredo, aliado de Ciro. A crise ganhou intensidade após uma reunião que culminou em brigas e trocas de ofensas entre os irmãos Gomes, buscando resolver disputas judiciais no diretório estadual do Ceará.

Cid considera os desentendimentos com o diretório nacional como perseguição. Recentemente, obteve uma vitória judicial, recuperando o controle do PDT cearense para seu grupo. Em resposta, o presidente do PDT, alinhado a Ciro, anunciou um processo de expulsão do senador, levando à debandada dos prefeitos esta semana.

Esse cenário preocupa a cúpula do PDT, especialmente considerando as eleições municipais. Perder mais da metade dos prefeitos eleitos em 2020 complica as alianças e reduz os palanques do partido.

Cid destaca que, sem alianças com legendas como o PT, o PDT terá dificuldade para formar chapas e ter tempo de TV na propaganda partidária. Ele afirma contar com o apoio de cinco deputados federais, 13 estaduais e mais de 40 prefeitos.

“Há por parte da Nacional um desrespeito com a maioria do partido aqui. No Ceará, o PDT é o maior partido com representação. Só queremos retomar uma aliança histórica com PT e outros partidos. Tem uma fração minoritária que quer um caminho diferente, o de isolamento, repetindo o equívoco de 2022”, disse Cid.

Do outro lado, André Figueiredo minimiza possíveis prejuízos para o partido e destaca que nenhum prefeito formalizou o pedido de desfiliação até o momento. Ele critica a postura de Cid e seu grupo, apontando a dificuldade de lidar com divergências dentro do mesmo partido.

Esta ala contrária a Cid questiona a condução da reunião que resultou na saída dos prefeitos, alegando constrangimentos. Figueiredo reforça que não há divisão no PDT fora do Ceará, indicando uma postura peculiar ao grupo de Cid.

“Não tem divisão no PDT do resto do país. Nós temos que conviver, lamentavelmente, com essa postura que é, digamos assim, peculiar aos partidos que o senador Cid, com seu respeitável grupo, participa”, disse Figueiredo.