Os parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás abriram, nesta terça-feira, 31, uma frente de oposição à possível candidatura do deputado estadual Júlio Pina pelo Partido Verde (PV), dentro da Federação Brasil da Esperança, aliança formada por PT, PCdoB e PV, que é considerada estratégica para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os vereadores de Goiânia, Fabrício Rosa, Kátia Maria e Edward Madureira, junto ao deputado estadual Mauro Rubem, todos do PT, assinaram uma carta pública endereçada à Comissão Executiva da Federação. O documento solicita veto político à filiação de Pina e à sua eventual homologação como candidato, apontando incompatibilidade programática e risco à unidade da chapa no Estado.

O principal argumento dos parlamentares é o histórico de apoio de Júlio Pina ao governador Ronaldo Caiado (PSD) e ao vice-governador Daniel Vilela (MDB). Em publicações nas redes sociais do deputado registram apoio explícito à eleição de Caiado em 2022, sem referência ao presidente Lula.

Para Fabrício Rosa, líder da bancada petista na Câmara dos Vereadores de Goiânia, aceitar Pina na federação seria “um contrassenso político”, já que Caiado se coloca como adversário direto de Lula e mantém proximidade com setores bolsonaristas.

Além da questão política, os petistas destacam votações de Pina na Assembleia Legislativa de Goiás consideradas contrárias ao programa da federação, como apoio à redução de investimentos obrigatórios em educação, aumento de mensalidades do Ipasgo e privatização parcial da Saneago.

O documento também relembra a trajetória de infidelidade partidária do deputado, que já passou por PRTB e Solidariedade, chegando a enfrentar pedido de cassação por troca de legenda.

Os signatários da carta defendem que a decisão sobre candidaturas cabe à própria federação, conforme o estatuto, e pedem que o caso seja analisado tanto pela direção estadual quanto pela Executiva Nacional. Entre as medidas solicitadas estão a abertura de processo por indisciplina, comunicação oficial ao PV e a não homologação da candidatura de Pina na convenção eleitoral.

Segundo Fabrício Rosa, a aceitação de Júlio Pina poderia desmobilizar militantes e lideranças históricas, comprometendo o quociente eleitoral e a imagem de unidade da federação em Goiás. “Não se trata apenas de uma questão jurídica, mas da defesa da democracia e da coesão política em torno da candidatura de Lula”, reforça o vereador.

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