O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) está em Goiás para cumprir sua quinta missão nacional voltada ao enfrentamento do discurso de ódio, neonazismo e extremismo. A iniciativa já percorreu estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco, e agora chega a Goiânia com uma agenda intensa de reuniões e debates.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Carlos Nicodemos, relator especial do CNDH e representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), explicou, nesta terça-feira, 24, que “a missão na verdade é a quinta que é realizada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos no Brasil. Ela já passou por outros estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco. Tem como objetivo fazer uma investigação administrativa sobre o tema discurso de ódio, neonazismo e extremismo”.

Carlos Nicodemos, relator especial do CNDH e representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) | Foto: Acervo Pessoal

Segundo ele, a agenda em Goiás foi estruturada em quatro grandes momentos. “Estamos aqui desde ontem [segunda-feira, 23]. Temos realizado reuniões bilaterais com o Estado e o município de Goiânia. Já estivemos com o sistema de segurança pública, sistema de justiça, área de educação, cultura e direitos humanos. Neste momento, estamos realizando um seminário acadêmico na PUC-GO, debatendo a perspectiva da ciência e da academia em relação a esse tema. Amanhã, às 9h, haverá uma audiência pública e terminamos passando pela Assembleia Legislativa, emitindo uma nota sobre as impressões iniciais”, disse.

Questionado sobre dados já levantados em Goiás, Nicodemos afirmou que ainda não tem. “Não. Regimentalmente, temos que apresentar um relatório de 30 a 60 dias para o plenário do Conselho Nacional. O que temos são informações preliminares trazidas por um questionário de evidências que enviamos antecipadamente aos órgãos. Trabalhamos com alguns indicadores registrados em nossa relatoria, como, por exemplo, dados da Unicamp de 2023, que sinalizavam a existência de seis células neonazistas em Goiás. Levamos isso para os sistemas de justiça e segurança para aprofundar esses dados a título de investigação”, apontou.

Ele também explicou o conceito de neonazismo utilizado pelo Conselho. “Trabalhamos com o conceito dado pela ONU [Organização das Nações Unidas]. Ele está ancorado em uma lógica da supremacia de uma raça que, para prevalecer, ataca grupos minoritários. Se no século passado eram os judeus, hoje temos ataques à comunidade LGBTQIAPN+, religiões de matriz africana, mulheres e pessoas com deficiência. Há uma modernização desse conceito que utilizamos na investigação”, afirmou.

Sobre a ampliação desses grupos, Nicodemos destacou que é um problema internacional (Europa, EUA). “Tem ganhado espaço inclusive na institucionalidade do Estado, com a ocupação de cargos por gestores e movimentos na sociedade. O Conselho Nacional busca fazer esse enfrentamento, que diz respeito não só à defesa desses grupos, mas à defesa da democracia, pois o neonazismo é baseado no fascismo e dialoga com sistemas ditatoriais”, informou.

O relator confirmou que o objetivo também é levar os resultados às autoridades policiais. “Sim. Tivemos uma reunião ampla com todo o sistema de segurança pública de Goiás (Secretaria de Segurança, Ministérios Públicos, Polícias Federal, Civil e Militar, Guarda Municipal, etc.). Estamos buscando entender se o Estado tem desenvolvido políticas de letramento em direitos humanos e mecanismos de oitiva dessas vítimas. Faremos um relatório com recomendações a ser deliberado pelo Conselho em abril”, disse.

Desde o início da missão, um ponto já chamou atenção da comitiva. “Chama a atenção o evidente crescimento do discurso de ódio contra religiões de matriz africana na sociedade, algo que precisa ser trabalhado pelo Governo de Goiás”, concluiu Nicodemos.

Leia também:

Especialista da Serasa aponta as principais dicas para sair das dívidas  

Serasa faz mutirão de negociação de dívidas; termina no dia 1º de abril

Quanto uma pessoa precisa ganhar para viver bem em Goiânia em 2026?