Eduardo Leite fez um discurso de renovação e reposicionamento político do PSDB em visita a Goiânia na quinta-feira, 26, quando recebeu o título de cidadão goiano em solenidade na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Com esse objetivo destacado, o governador do Rio Grande do Sul não garantiu a Marconi Perillo um assento na Executiva Nacional, preferindo dizer que ele pode contribuir com ou sem posição efetiva.

Nos bastidores, a fala de Eduardo Leite, de que o PSDB vai inaugurar um novo ciclo, da negativa de uma cadeira para Perillo na direção nacional da sigla, além de reforçar que não há sequer decisões sobre os diretórios estaduais, evidenciando distanciamento da cúpula tucana com a principal liderança do partido em Goiás.

Ao falar do reposicionamento da legenda, que perdeu relevância em todo o País, Eduardo Leite frisou que não basta ao PSDB dizer que “não é nem Lula e nem Bolsonaro. É preciso dizer o que a gente defende, dizer à população que defendemos um caminho alternativo a essa polarização”.

Esvaziamento

O sentimento de que as eleições de 2022 foram catastróficas para o PSDB em Goiás tem repercutido entre dirigentes e partidários da legenda no Estado e fora dele. A segunda derrota seguida de Marconi Perillo para o Senado pode ter selado o fim da sua trajetória no partido, iniciada em 1996.

Ao discursar no evento que concedeu o título de cidadão goiano ao governador gaúcho, no plenário da Alego, Marconi acabou fazendo uma defesa de si próprio, apontando que o partido deve buscar novas lideranças, sem, contudo, desvalorizar os mais experientes. Eduardo Leite, porém, frisou que não há como evitar que o protagonismo fique com as novas lideranças, mas que elas precisam expressar o entendimento de respeito ao passado.

Solenidade contou com presença de Marconi Perillo | Foto: Hellenn Reis/Alego
Solenidade contou com presença de Marconi Perillo | Foto: Hellenn Reis/Alego

Marconi também estaria ressentido com o posicionamento do PSDB nas eleições do ano passado, que não o teria respaldado para fechar aliança com o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aliados avaliam que o ex-governador teria sido eleito senador se tivesse no palanque de Lula em Goiás.

Fora da Executiva Nacional do PSDB e o discurso de renovação proposto por Eduardo Leite, o futuro de Marconi deve ser mesmo deixar o partido em busca de uma acomodação partidária que lhe permita, ao menos, tentar se reerguer politicamente. O tucano segue negando que vá deixar o PSDB, mas dificilmente conseguirá estrutura para alavancar o projeto de disputar mais vez o governo, em 2026.