Apesar da histórica relação de oposição com os governos de esquerda, em diversas entrevistas o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) sinalizou que vai manter relação respeitosa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse terceiro mandato. Nesse sentido, a cientista política Ludmila Rosa avalia, em entrevista ao Jornal Opção, que a eleição do petista foi melhor para o gestor estadual.

“Com Bolsonaro, Caiado enxergou uma oposição interna que não existia e a relação política era instável. Com isso, vislumbro uma relação administrativa civilizada e uma relação política de oposição, do meio para o final do mandato, que é quando Caiado deve vestir a camisa de candidato a algo”, prevê Rosa, referindo-se aos produtores rurais do Estado e uma ala bolsonarista radical, que se afastaram de Caiado em razão dos desentendimentos relacionados à pandemia de Covid-19. Sobre o futuro político, o governador não esconde o desejo de se candidatar à Presidência da República, podendo fazer frente ao projeto de oposição ao governo Lula e sua eventual continuidade.

Caiado reforçou que não há espaço para animosidade na relação entre o governo estadual e federal. “A relação tem de ser respeitosa. Não existe outra que não seja essa”, afirmou. “Todas as vezes que Goiás for chamado para se reunir, estará presente, levando suas reivindicações e participando das discussões”, explicou. Tanto que, após os atos golpistas do dia 8 de janeiro em Brasília, Caiado, mais uma vez, reforçou apoio a democracia e reforçou o policiamento no Entorno do DF

A especialista prevê que ambos devem superar divergências existentes no passado. O papel dos parlamentares da base e oposição será fundamental neste sentido. “Mesmo porque uma das principais metas do governador Ronaldo Caiado neste mandato, ele já deixou claro, é a questão do combate a pobreza, e isso é um discurso também do presidente eleito. Então existem pontos de convergências e eu acho que eles vão se apoiar nestes pontos e não em pontos de divergências’’, salientou.

O União Brasil de Caiado é um dos partidos que compõem a base do governo petista e por mais que alguns deputados caiadistas já declaram que vão fazer oposição, como é o caso de Zacharias Calil, Ludmila acredita que pelo perfil de Caiado e ‘atitudes democráticas’ fará com que ele busque o diálogo.

O vice-governador Daniel Vilela também destacou que Caiado não terá dificuldade em atuar junto com o governo federal, mesmo com o governador tendo sido aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não só durante a gestão mas também nas eleições.

“Pela a experiência que tem, pela bagagem e responsabilidade que ele [Caiado] tem, ninguém tem dúvida que o governador estará constantemente junto ao governo federal sendo parceiro e viabilizando projetos importantes para Goiás”, pontuou.

De acordo com Daniel, Caiado já tem as relações necessárias e reconhecimento da sua liderança política, tanto em nível estadual quanto federal e isso estabelece parcerias entre governo de Goiás e governo federal.

“Isso faz com que o presidente Lula e toda sua equipe, além de reconhecer, estabeleça parcerias e a gente acredita que o presidente eleito e toda equipe estarão dedicados também a incluir Goiás nas ações impactantes e de transformação do nosso país”, destaca.