A deputada federal eleita Adriana Accorsi (PT) declarou, nesta quarta-feira, 25, ao Jornal Opção que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “financia a empresa brasileira exportadora. Ela não financia outro país”. O diálogo ocorre em meio a críticas a falas recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Argentina, sobre o Banco voltar a financiar projetos em outros países.

“Quando se fala em ‘financiar obras em outros países’ sobra desinformação em relação ao tema. O que é feito pelo BNDES é o financiamento para exportação de serviços e produtos de empresas brasileiras, com agregação de valor e geração de empregos qualificados no Brasil”, afirmou.

O deputado federal Rubens Otoni (PT) explica que o retorno desse financiamento para o Brasil é “o fortalecimento das nossas empresas, aumentando a sua competitividade e possibilidade de geração de emprego e renda”.

Adriana pontua que não existe risco de calote, uma vez que a garantia do pagamento são os recebíveis dos importadores. “Se eles não pagarem, o seguro cobre este prejuízo”, acrescentou.

A parlamentar lembra que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu, em janeiro do ano passado, que não houve corrupção no BNDES após ele gastar R$ 48 milhões em buscas. Essa declaração do ex-gestor foi feita durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

“Tudo foi legal. Não houve caixa-preta. Caixa- preta era aquele período, onde não podia se divulgar nada, inclusive os contratos com outros países por decisão judicial”, afirmou Bolsonaro no dia 27 de janeiro, ao lado do então presidente da estatal, Gustavo Montezano.

Cuba e Venezuela

O governo federal é alvo de críticas após o anúncio de que o Banco voltará a financiar projetos de infraestrutura em outros países, o que foi encerrado em 2017. Na Argentina, durante encontro com o presidente Alberto Fernández, o presidente Lula disse que “O BNDES vai voltar a financiar as relações comerciais do Brasil e vai voltar a financiar projetos de engenharia para ajudar empresas brasileiras no exterior e para ajudar os países vizinhos, que possam crescer e vender o resultado desse enriquecimento para países como o Brasil”.

O anúncio foi mal recebido em alguns setores econômicos, levando a quedas na Bolsa, e também criticado pela oposição. O principal motivo é a atuação passada do BNDES, nos governos Lula e Dilma [Rousseff], ao financiar obras em Cuba e Venezuela. Até o momento, esses países não conseguiram pagar parte da dívida. De Cuba, o valor não pago é de US$ 214 milhões, de um total de US$ 656 milhões emprestados. Para a Venezuela, faltam US$ 122 milhões, de um total de US$ 1,5 bilhão.

“Obra de ficção”

Segundo o BNDES, o investimento no exterior entre 1998 e 2017 foi de US$ 10,5 bilhões, sendo que, até setembro de 2022, US$ 12,8 bilhões haviam retornado ao país, incluindo pagamentos do valor principal e dos juros. O montante emprestado foi direcionado a obras feitas por empresas brasileiras, sendo que 98% do valor foram para cinco empreiteiras: Odebrecht (76%), Andrade Gutierrez (14%), Queiroz Galvão (4%), Camargo Corrêa (2%) e OAS (2%).

“Logo, dizer que o Brasil financia obras no exterior não passa de uma obra de ficção, uma vez que o financiamento é feito para a empresa brasileira que vai exportar e gerar empregos aqui. Falar a verdade faz parte do processo de união e reconstrução do país”, pontuou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta.