Há quem indique que o próximo presidente da Argentina seja o candidato Javier Milei. Alguns citam que ele pode vencer as eleições do próximo domingo, 22, já no primeiro turno. Mas, para o cientista político Guilherme Carvalho, isso está longe de ocorrer. O ‘outsider’ dos los hermanos conquistou o primeiro lugar, com 29,86%; contra 28% de Patricia Bullrich, da coalização Juntos pela Mudança; e do governista Sergio Massa, 27,28%, da União Pela Pátria.

Apesar disso, Carvalho acredita que Milei não terá força suficiente para levar a eleição em turno único e, a depender do desenrolar da situação, pode ser ultrapassado pelo oponente.

“Deve sim ter um segundo turno. A diferença entre o Massa e o Milei nas prévias, nas pesquisas de opinião pública, também está bem próxima. As pesquisas tão próximas assim costumam refletir um grau de certeza relativamente alto”, analisa.

Para o especialista, Massa deve fazer um aceno aos “macristas” (apoiadores do ex-presidente de direita Mauricio Macri) no provável segundo turno. Além desses, o candidato governista deve apelar para um apoio mais efetivo da ex-presidente Cristina Kirchner, que não tem se empenhado tanto na campanha do ministro da Fazenda do governo de Alberto Fernández, a qual ela – a principal representante do peronismo – integra como vice.

“Acredito que Massa irá tentar emular uma espécie de união nacional como o Lula fez no segundo turno aqui no Brasil”, compara.

O cientista político, contudo, tem dúvidas se a fórmula irá funcionar na Argentina. “Se a Cristina e Alberto Fernández entrarem em campanha de fato para defender o legado do peronismo, acho que é possível que o Massa ainda consiga no segundo turno passar Milei por uma diferença curta”, aponta. “A minha expectativa é que o Massa acabe ganhando meio que numa virada por uma mínima diferença”, arremata. Cabe ressaltar que o candidato ‘outsider’ conta com o apoio da população mais jovem, a chamada geração Z – critica do peronismo.

Cenários para o Brasil

Para Carvalho, com a possível vitória de Milei, as relações do Brasil com a Argentina devem ser conturbadas, uma vez que o candidato tem feito prognósticos bastantes radicais para as parceiras comerciais, que segundo ele, são desfavoráveis aos argentinos. “Seria um cenário de distanciamento absoluto”, estima Guilherme Carvalho.

Já com Massa na condução da Casa Rosada (Palácio presidencial argentino), a tendência é de manutenção das relações na região, inclusive com o Brasil. “O Massa é o candidato do status quo. Ele é o candidato do sistema, um peronista”, acentua o cientista político.

“Ele não estremeceria as relações com o Brasil, por um fator muito simples, ele é pragmático e entende o importante papel do Brasil no comércio internacional com a Argentina. Ele entende o papel de liderança que o Brasil exerce, assim como todos os candidatos peronistas em outros momentos souberam”, ressalta, apesar de destacar que Massa não é um candidato da esquerda, mas do centro-direita.

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