A Polícia Federal (PF) identificou um terceiro suspeito de operar no Brasil para o grupo Hezbollah. O homem, que não teve a identidade revelada, foi preso no Rio de Janeiro, nesse domingo, 12. Dentre as acusações contra ele estão: realizar atividades logísticas e levantamento de informações no Brasil para o grupo terrorista libanês.

Na sexta-feira, 10, a polícia cumpriu mais um manda de busca e apreensão contra um brasileiro residente em Goiás, em continuidade da investigação para identificar células da organização paramilitar libanesa no País. O homem foi ouvido na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Goiânia, e liberado.

Esse caso está incluído nos 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Subseção Judiciária de Belo Horizonte, para os estados de Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal.

De acordo com o Jornal Folha de S.Paulo, que ouviu fontes da investigação, o detido possui histórico judicial e realizou várias viagens ao Líbano nos últimos anos. Ontem, o programa Fantástico da TV Globo revelou que o principal alvo da operação no Brasil é Mohamad Khir Abdulmajid – um sírio naturalizado brasileiro, procurado pela Interpol desde sua chegada ao País em 2008.

Mohamad é apontado como proprietário de duas lojas de produtos para tabacaria em Belo Horizonte (MG).

Operação

A PF deflagrou na quarta-feira, 8, a operação Trapiche (depósito de mercadorias de embarque ou desembarque) para cumprimento de mandatos de busca e apreensão e prisão contra-acusados de envolvimento de atos preparatório de terrorismo no Brasil com o grupo Hezbollah.

Até o momento, além do suspeito detido no Rio, dois homens foram presos, e outros dois, que estariam no Líbano, foram incluídos na difusão vermelha da Interpol.

O jornal paulista também publicou que um dos investigados, em depoimento, confessou que recebeu cerca de R$ 2.200 para viajar ao Líbano em abril deste ano. Segundo ele, foi orientado, por meio do WhatsApp de um número paraguaio, a ir a Beirute para um encontro.

O brasileiro acrescentou para o delegado que não tinha conhecimento do tipo de trabalho ofertado e que apenas descobriu quando desembarcou na capital libanesa. Lá teria sido entrevistado pelo que seria o “chefe” de um grupo extremista. Só quando voltou da viagem ele concluiu que poderia ser o Hezbollah.

Os investigados podem responder pelos crimes previstos na Lei de Terrorismo. As práticas são equiparadas a crimes hediondos, considerados inafiançáveis, insuscetíveis de graça, anistia ou indulto, e o cumprimento da pena para esses crimes se dá inicialmente em regime fechado, o que independe de trânsito em julgado da condenação.

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