A Operação Núcleo Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira, 11, investiga supostas fraudes em contratos milionários firmados pela então Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SEDHS) em 2024, durante a gestão da secretária Luanna Shirley de Jesus Sousa, da administração de Rogério Cruz. O desvio é estimado em R$ 2,7 milhões.

Segundo a corporação, foram cumpridos 13 mandados judiciais, sendo dois de prisão temporária em Brasília (DF) e 11 de busca e apreensão nas cidades de Goiânia (GO), Valparaíso de Goiás (GO) e Brasília (DF). Ao mesmo tempo, a Justiça autorizou a quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos investigados.

De acordo com a Polícia Civil, o certame de R$ 4,4 milhões envolvia uma empresa fornecedora de tinta inseticida e apresenta indícios de irregularidades tanto no processo licitatório quanto na execução contratual. Na época, a prefeitura firmou contrato para a aquisição e aplicação de 10 mil litros do produto, o equivalente a mais de 2,5 mil latas de tinta. No entanto, apenas parte do material teria sido entregue.

Entre os indícios apontados pelas autoridades estão a criação de um núcleo informal para acelerar a contratação, a entrega de produto em desacordo com o previsto em contrato, o fornecimento de material próximo ao vencimento, além de falhas na fiscalização, ausência de controle no almoxarifado e inconsistências na execução contratual por parte da empresa.

Em nota, a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) esclarece que as operações dizem respeito à administração anterior.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) informa que as ações investigadas pela operação mencionada ocorreram na gestão anterior da administração municipal.

A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência e o fortalecimento das políticas públicas, respeitando o trabalho das instituições, e se coloca à disposição para colaborar com as investigações.

O que diz Rogério Cruz

O ex-prefeito Rogério Cruz informa que não é parte no processo judicial relacionado à apuração conduzida pela Polícia Civil e, portanto, não tem conhecimento sobre o conteúdo dos autos.

Destaca que não participou de qualquer ato relacionado à execução contratual ou à condução dos processos administrativos mencionados. Como gestor, pautou sua atuação no respeito às normas da administração pública e orientou seus auxiliares a observarem rigorosamente os princípios da legalidade, da transparência e da correta aplicação dos recursos públicos.

Rogério Cruz ressalta que confia no trabalho das instituições responsáveis e no devido esclarecimento dos fatos.

Leia também: Secretário aponta “total abandono” de Rogério Cruz às pessoas em situação de rua de Goiânia