A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) começou a ouvir as partes envolvidas no caso da possível adoção irregular de um bebê de 17 dias, em Goiânia. A investigação apura suspeita de adoção dirigida e indícios de crimes relacionados à entrega e subtração de recém-nascido. A primeira a ser ouvida foi uma das mulheres que afirma ter a guarda da criança e que prestou depoimento nesta semana.

O caso veio à tona após o Conselho Tutelar do Parque Atheneu acionar a Polícia Civil diante de relatos contraditórios entre um casal de mulheres, que estava com o bebê, e a mãe biológica. Segundo o conselheiro tutelar Rondinelly Ná, o casal procurou o órgão na manhã de segunda-feira, 24, afirmando ter recebido a criança da mãe biológica e apresentando uma procuração assinada por ela. As mulheres declararam manter vínculo afetivo com o bebê e alegaram estar sendo ameaçadas pela mãe.

“Elas chegaram dizendo que a mãe tinha deixado a criança com elas, e que já havia até uma procuração. Contaram que tinham amor, carinho, que estavam cuidando, mas também que estavam sendo ameaçadas pela mãe da criança”, afirmou o conselheiro.

Ao avaliar o relato, o Conselho identificou indícios de irregularidade. “Quando fomos conversar, entendemos que poderia ser uma adoção dirigida. Explicamos os perigos, os riscos e orientamos sobre a ilegalidade. Elas relataram que tinham pago exames, ajudado com alimentos e até participado do pagamento do parto”, disse Rondinelly.

Horas depois, ainda na segunda-feira, a mãe biológica procurou o Conselho Tutelar apresentando uma versão oposta. Ela afirmou ter registrado boletim de ocorrência por subtração da criança na DPCA e disse conhecer o casal há cerca de três meses. A mulher confirmou que as duas custearam parte das despesas do pré-natal e do parto, informação que reforçou as suspeitas de adoção irregular.

Todo o material, incluindo relatos das partes, documentos e o boletim de ocorrência, foi encaminhado para a DPCA e ao Juizado da Infância e Juventude, que agora detém a responsabilidade legal sobre o caso. A delegacia iniciou os depoimentos nesta semana.

Enquanto a investigação ocorre, o bebê permanece acolhido e não está sob os cuidados nem do casal nem da mãe biológica. A criança está, no momento, sob responsabilidade da Justiça, que definirá se ela será devolvida à mãe, encaminhada para a família extensa, caso haja manifestação, ou se seguirá para o processo de adoção.

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